ATUALIZANDO A DISCOTECA: Fabulous Desaster, “Hang em’ High” (2016)

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Fabulous Desaster: “Hang ’em High” (2016, Tales From The Pit Records, Nomade Records) NOTA:9,0

A cena alemã do Thrash Metal ajudou a construir o estilo na década de 1980, e início dos anos 1990, sendo uma escola que gera frutos até os dias atuais com características de força, atitude e velocidade bem definidas, mesmo que já misturada a outras escolas. Bandas como Toxik Waltz, Dust Bolt, Reactory, Battlecreek, e Mortal Infinity formam um conjunto coeso de bandas que mantém o Thrash Metal alemão firme e forte junto às clássicas Kreator, Destruction, Sodom, Tankard e afins.

Agora, engrossando o time com alto poder de fogo, diretamente da cidade de Bonn, vem a banda Fabulous Desaster. Sim, a banda buscou seu nome no terceiro álbum do Exodus, já não deixando dúvidas da mistura de abordagens que nasceram separadas pelo Alântico.

“Hang ’em High” é o primeiro full lenght da banda, que chega após três demos e um EP, e “Death Is Loud” abre o trabalho com a potência lá no alto por guitarras nervosas e rápidas, vocais irados, e cozinha crua e pesada, mostrando que sabem trabalhar bem o tradicionalismo agressivo da escola alemã sobreposto à abordagem melódica e técnica da escola americana (mais evidente na ótima “Customized”), como também nos mostra a cativante “Midnight Fistlight” ou a iracunda “Wellness in Hell”, perfeitos amálgamas de Kreator e Exodus. Inclusive o timbre do vocalista Jan Niederstein parece uma fusão de Zetro Souza com Mile Petrozza.

Com nome inspirado no clássico do Exodus, a banda Fabulous Desaster mantém a tradicional forma germânica do Thrash Metal, equilibrando peso, técnica e violência em seu primeiro álbum, “Hang ’em High”, feito por fãs do gênero, para fãs do gênero.

Aliás, estas duas bandas são as que vêem à mente constantemente, mesmo que também exista remissões a Megadeth, Metallica, e Destruction, em certos momentos. Ou seja, trabalham a estética oitentista do Thrash Metal, equilibrando peso e violência, tendo na técnica, principalmente das guitarras, seu fulcro, imprimindo tudo com agressividade explícita e velocidade descontrolada, além de pontuais passagens melódicas.

Mas além de todo o arcabouço metálico, existe uma vibração Rock N’ Roll esparramada pelas composições de alta rotação, principalmente em alguns solos das guitarras de Matthias Terstegge e Jan Niederstein, que se destacam em faixas como “Faster Than Light” e “R.I.P. (Rest In Power)”, que impressionam pela velocidade e virulência de algumas passagens, enquanto “Warsaw”, apesar de também veloz, chama a atenção pela precisão nas seis cordas.

Confira uma performance de “Faster Than Light” junto a um cover do Raven para “Hard Ride”… 

Claramente não querem subverter o gênero, apenas praticá-lo com empenho, vontade e sangue nos olhos, trabalhando harmonias e passagens tradicionais, usando as óbvias influências como partida para sua música, que apesar dos clichês e sabor familiar, possui identidade, como na ótima “Thrash Bang Wallop”, que vai trazer novos elementos às harmonias agressivas, além de um certo groove, numa fórmula que a tornará uma das melhores do trabalho ao lado da insana “Thrash Metal Sympnony”, e das linhas vertiginosas de “Toxic Nuclear War” (atenção ao baixo desta música, aliás o baixista Andi é um mostro em seu instrumento), que vem também num take alternativo como bônus.

E por falar em bônus, temos o EP “When The Silence’s So Loud” de presente neste exemplar versão nacional, que apresenta um alinhamento maior com a forma teutônica do Thrash Metal, já esboçando algo do que vemos na versatilidade nos arranjos de “Hang em’ High”, com menos violência e intensidade. Todavia, não deixa de ser um riquíssimo complemento a um álbum muito acima da média, principalmente por faixas como “Burst Into Flames”, na épica faixa-título, e em “Castle Bravo”, que trazem um sabor de Speed/Power Metal acentuado.

Um álbum que no geral não arrefece a intensidade, explodindo em energia metálica tipicamente Thrash Metal, sendo o disco feito por fãs do gênero, para fãs do gênero.

Confira o álbum na íntegra via Bandcamp… 

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