ATUALIZANDO A DISCOTECA: Exorddium, “Leviatã” (2017)

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Exorddium Leviatã
Exorddium: “Leviatã” (2017, Roadie Metal) NOTA:7,0

E enfim podemos conferir o sucessor de  “Sangue ou Glória”, promissor trabalho de estréia da banda mineira de Heavy Metal Tradicional Exorddium, lançado em 2013.

Intitulado “Leviatã”, este é o segundo álbum da banda, e primeiro com Eduardo Bisnik no vocais, ao lado de Fernando Amaral (Guitarra), Paulo Cesar (Guitarra), Nicolas Cortelete (Baixo) e Jailson Douglas (Bateria), que nos apresentam sete composições revitalizando a estética sonora do metal oitentista, precedidas pela belíssima introdução “O Oceano das Almas Perdidas”, com violão esmerado do guitarrista Fernando Amaral, e sons naturais que junto ao belíssimo trabalho gráfico mergulham o ouvinte no clima do álbum.

Porém, já no próximo passo do repertório temos um incômodo, pois a produção não se mostra tão limpa e bem equalizada quanto na introdução. O vocal, bem desenvolvido, mesmo com alguns exageros pontuais, parece estar ao fundo, se perdendo de modo ciclotímico no amálgama instrumental dos instantes mais embolados, de onde também os solos emergem num contraste de textura desinteressante aos ouvidos.

“Leviatã”, é o segundo álbum da banda mineira Exorddium, e primeiro com Eduardo Bisnik no vocais, praticando o mais puro Heavy Metal, de guitarras vibrantes e dissonantes, com arranjos criativos e andamentos variados…

Um bom exemplo disso é “Leviatã”, a faixa, que tinha tudo para ser uma interessante composição de Metal Tradicional, com versos bem encaixados às linhas vocais, e refrão melódico bem construído, fazendo lembrar os grandes momentos do Heavy Metal tradicional.

Todavia, a produção de André Cabelo não conseguiu potencializar essas  qualidades pela timbragem e/ou equalização, ou mesmo lapidar os exageros nos vocais de Eduardo, que juntos deixaram as faixas menos envolventes. Parece que quiseram compensar o peso do instrumental pelo aumento dos tons mais graves, mas deixaram o restante do espectro sonoro ainda crú. Neste sentido, produção e composições formaram uma suíte de opostos que praticamente se anularam.

Isso posto, vamos às composições em si, partindo do princípio de que devemos valorizar a música além de seu simples apelo sensório, e por esse caminho é possível enxergar potencial na proposta do Exorddium.

Particularmente, gosto muito de bandas que inserem versos em português nas suas músicas, e nesse campo Eduardo, letrista principal, oscila entre a recriação interessante de clichês como em “Dama das Sombras”, a melhor composição do álbuma rimas discutíveis como “Reunir os Brothers numa praça, entoar canções, e beber cachaça”, de “Hail”, revelando o movediço terreno das letras em português. Ainda mais quando o título do álbum nos faz esperar algo mais elaborado, pelo seu apelo mitológico e filosófico.

A verdade é que, em português, pela assimilação imediata, é mais complicado que as palavras se façam movimento e se aglutinem à geometria musical do instrumental. Por isso, não basta ter versos dentro da métrica vocal que contribuam para o ritmo, é necessário um pouco mais de esmero, mesmo quando falamos de hinos e louvores ao Heavy Metal.

Confira a prévia do álbum… 

Quanto a sonoridade, estamos diante do mais puro Heavy Metal, de guitarras vibrantes e dissonantes, com arranjos criativos e andamentos variados, numa fórmula influenciada por Grave Digger, Judas Priest, Iron Maiden, e Queensryche, e bem praticada nas já citadas “Hail” (um speed metal visceral e enérgico), “Dama das Sombras”, e “Leviatã”, mas também em “Irmãos no Metal” (que maneja bem os clichês instrumentais, mas não tão bem os líricos),  e em “Filhos da Noite” (que remete ao Queensryche). Acho que essas composições funcionarão melhor ao vivo do que no CD.

Acredito ainda que com uma produção melhor, “Leviatã” tinha tudo para ser um dos grandes álbuns nacionais de 2017, pois a banda se mostra concisa e amadurecida em sua proposta. Só uma maior atenção às letras e um pouco mais de tempo para talhar os detalhes em estúdio, e creio que se destacarão ainda mais na cena!

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