ATUALIZANDO A DISCOTECA: Evil Sense, “Fight For Freedom” (2017)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

evilsense_fight-for-freedom_thrashmetal
Evil Sense: “Fight For Freedom” (2017, Erinnys Productions) NOTA:8,5

Os sedentos por aquele Thrash Metal clássico, tão violento quanto virtuoso, que invoca espíritos do passado por riffs, solos e ritmos agressivos; os mesmos cujo sangue ferve junto a entropia dos andamentos mais velozes; estes irão se regozijar com “Fight For Freedom”, primeiro full lenght da banda paulistana Evil Sense, surgida em 2000, e que nestes dezessete anos moldou sua estética musical metálica pareada por tradicionalismos enquanto sofria com diversas mudanças de formação, e colecionava três demos – “Evil Sense” (2003),  “Coma of Your Brain” (2006) e “In Thrash We Trust” (2012).

Por mais que a banda fuja de rótulos “modernosos”, aqueles formados por barras e hifens, e se autoproclame apenas como Metal, é fato que se fiam mais pela cartilha do Thrash/Speed Metal, o claro ponto médio da amplitude elástica de subgêneros que podem ser observados nestas nove composições de aspecto oitentista, crú, sisudo, enérgico e pujante, sem firulas ou modernismos.

Indo das tangências com o Death Metal (ouça “Unit 731”) às melodias tradicionais do modo clássico de se praticar o Heavy Metal (como na épica e esmerada “Force And Honor”), passando por pinceladas de Crossover, o quarteto formado por Hugo (baixo, e um dos destaques individuais do trabalho), Suco (guitarra/vocal), Capu (guitarra/vocal) e Ricardo Alves (bateria), criou um conjunto de composições nada lineares e que fervem o sangue nas veias dos fãs do estilo.

Evil sense GDB

“Fight For Freedom”, primeiro full lenght da banda paulistana Evil Sense vai agradar os sedentos por aquele Thrash/Speed Metal clássico e belicoso, que invoca espíritos do passado por melodias dobradas, riffs ganchudos e solos tão virtuosos quanto histriônicos… 

Faixas como “No More Lies”, “Unit 731”  e “Thrash Anger” certamente emocionarão aqueles que preferem uma linha Thrash Metal mais virulenta, enquanto “Embrace of Death”, “Fight for Freedom” (com mudanças de andamentos empolgantes) e “Evil Sense” chegam com energia desmedida, por vias mais cadenciadas e arranjos mais desenhados pelas linhas de guitarra, sem se distanciarem do peso, energia, e atitude.

E por falar em atitude, “Império Headbanger – O Ritual Metal se destaca como um Crossover cavernoso vindo do quinto dos infernos. Já “Traveling by Warriors Land”, é uma faixa instrumental que remete tanto à antiga tradição do Metallica quanto à sonoridade melódica das bandas da NWOBHM.

Claro que alguns clichês aparecem aqui e acolá (principalmente nas letras versando sobre guerras, drogas, política, e religião), não pela falta de criatividade, mas por assim desejarem os músicos, como exercícios obrigatórios numa categoria olímpica do Heavy Metal, à começar pelas timbragens e pela produção mais suja (divida entre a banda e Alexdog, baixista e vocalista do Tenebrário), que se encaixou relativamente bem à proposta de oxigenar o modus operandi do Metal oitentista.

Confira a faixa “Evil Sense”… 

Claramente o Evil Sense não está tentando reinventar nada dentro do Metal, mas executam com bastante coesão sua proposta que prima, no geral, pelo peso e pela técnica, bem equilibrados com os momentos rápidos e com os arranjos babélicos, tão comuns quando se fala de Speed/Thrash Metal, aproximando-os de bandas clássicas como Artillery, Kreator, Dark Angel, Venom, Exciter e Slayer dos primeiros dias, mas também a nomes interessantes da nova geração como Enforcer, Black Magic e Municipal Waste.

Em resumo, as guitarras, timbradas sem o cheiro de mofo, oferecem melodias dobradas e riffs de ganchos saborosos, intercalados aos solos tão virtuosos quanto histriônicos; os vocais variam dentro da estética agressiva Thrash Metal de modo multifacetado; as mudanças de andamento transpiram técnica e inteligência metálica, mesmo quando a pauleira come solta; e a cozinha dinâmica, além de estruturar as composições, espanca nossos ouvidos impiedosamente!

Podia ser melhor? Claro. Sempre pode! Principalmente no quesito produção, que podia ser um pouco mais lapidada. Mas chega a ser emocionante ver um fruto de quase duas décadas de trabalho como este, com tanto vigor e honestidade!

 

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *