ATUALIZANDO A DISCOTECA: Estranhos Românticos, “Estranhos Românticos” (2016)

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Estranhos Românticos: “Estranhos Românticos” (2016, Independente)

“Você tem em mãos um objeto em vias de extinção.” Esta frase que está cravada na contra-capa do CD, colocada ali em outro contexto, cabe perfeitamente na mensagem que acompanha este ramalhete de exemplares modernos do tão mal tratado Rock Nacional. À começar pelo cuidado artístico da capa (belíssima e mais referencial impossível!), trazendo o, hoje cult, Monstro da Lagoa Negra carregando nos braços uma bela mulher, numa perfeita alegoria para o romance musical que a banda desenrola em doze faixas deliciosas e auspiciosas! A imagem, intitulada “The Creature from Lake Clara Meer”, é uma obra do artista contemporâneo americano Buddy McCue.

O quarteto carioca nasceu em 2014, mas impressiona pelo entrosamento e pela química desfilada neste primeiro trabalho, algo difícil de conseguir mesmo para músicos que já estão na ativa desde os anos 1980. O segredo talvez resida no fato de três deles terem tocado juntos em outras bandas, todavia, a geometria já ensinava desde a Grécia Antiga que mesmo três pontos que formam um firme e único plano pode ser desestabilizado por um quarto ponto!

 Confira o clipe da caleidoscopicamente frenética”Monalisa”

No caso dos Estranhos Românticos, o plano musical ousado se manteve firme e intacto! Misturando a modernidade  do indie, com o sabor vintage da Surf Music, New Wave, Punk, Jovem Guarda e Rock Brasileiro oitentista, alicerçado em muito groove, melodia e detalhes de aclimatação scifi, temos em mãos uma abordagem direta, eficiente e texturizada do Rock, que se desenrola com muita picardia psicodélica. Mas, ao contrário do que percebemos no insosso rock “modernóide vanguardista” dos dias de hoje, esbanjam atitude, vigor, paixão, diversão e barulho, muito barulho, como pede um bom rock n’ roll!

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O quarteto carioca nasceu em 2014, mas impressiona pelo entrosamento e pela química desfilada neste primeiro trabalho esbanjando atitude, vigor, paixão, diversão e barulho, muito barulho, como pede um bom rock n’ roll!

As linhas de baixo, um destaque à parte, engorduradas, encorpadas e precisas, dão a tonalidade das canções que, ao contrário do usual, não são estruturadas pela bateira, aqui pulsante e de salutar timbragem orgânica. O antagonismo da pratica moderna do Rock com os efeitos vintage, aliado às linhas de guitarras despretensiosas, mas eficientes e honestas, mostram que ainda existe uma evolução dentro da cartilha do nosso Rock brasileiro, com atitude, inteligência, e envolvente variação entre as faixas.

Confira o clipe de “Um Sabotador”, uma produção trash-cômica onde os Estranhos Românticos incorporam o ‘Monstro da Lagoa Negra’, que está na capa do seu CD.

Palmas para a produção de JR Tostoi, brilhante, dosando perfeitamente a limpidez, para que o álbum não soasse artificial, permitindo separar facilmente as linhas de cada instrumento ao longo de cada uma das faixas, começando por “Chuva Tropical”, “Monalisa” (caleidoscopicamente frenética) e “Moderno Mundo” (um delicioso punk/pop/indie/retrô/scifi, se é que isso existe!), passando por “Karma” (assombrada pro teclados à lá Jovem Guarda e guitarras levemente texturizadas pelo shoegaze), “Um Tonto” (melodiosa e de versos pitorescos), “Estranho Romântico”“A Rosa” (que reconstrói ao seu modo linhas naturais ao Nirvana), até finalizar com “Lobo Mau” e a viciante “Um Sabotador” (e suas linhas de teclado “fantasmagóricas” e seu baixo à lá Pixies), deixando-nos a certeza de que esta espécie musical em extinção ainda pode render muitos frutos e ajudar a equilibrar a qualidade  do ecossistema roqueiro no Brasil!

Destaque para o esmerado trabalho gráfico do CD, que vem em um caprichado formato digipack, com encarte e letras, o original “objeto em vias de extinção… esquecido por conta da praticidade e da gratuidade das novas mídias”.

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