ATUALIZANDO A DISCOTECA: Eluveitie, "Evocation II – Pantheon" (2017)

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Eluveitie: “Evocation II – Pantheon” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:9,0

Toda mudança, em qualquer segmento da vida, causa especulações. Obviamente não seria diferente com o Eluveitie após a saída de Anna Murphy (hurdy gurdy, Vocais), Merlin Sutter (bateria) e Ivo Henzi (guitarra), três nomes importantes na alquimia Folk/Melodic Death Metal que fez da banda uma das maiores de seu nicho, sempre se diferenciando pela forma quase acadêmica com que relatava fatos de sua cultura, aprofundando cientificamente na temática.

Instrumentalmente sempre agregaram harpa celta, mandola, violinos, gaita de fole e viola de roda dividindo o protagonismo com os tradicionais guitarras, baixo e bateria, chamando a atenção desde o primeiro álbum, “Spirit” (2006).

Todavia, o preciosismo histórico  de ruas raízes folk atingiriam o ápice em seu terceiro álbum, “Evocation I: The Arcane Dominion” (2009), numa audaciosa proposta acústica liderada pelos vocais sirênicos de Anna Murphy, ponto-chave da envolvência do trabalho.

E justamente daí emerge a questão máxima de “Evocation II – Pantheon”, segunda parte daquele marcante trabalho: como a falta de Anna Murphy impactaria este segundo capítulo?

Confira o clipe da faixa “Lvgvs”… 

Apesar de estar ligado com o passado da banda, este sétimo full lenght representa um início de novo ciclo e a resposta à esta questão feita anteriormente é a confirmação desta observação, afinal, Fabienni Erni, mesmo com voz diferente de Anna, conseguiu conquistar seu espaço na sonoridade da banda, mostrando talento, versatilidade e alta capacidade dramática desde a abertura “Dureððu”, passando pela belíssima “Cernvnnos”, até a preciosa “Artio”, num casamento de vozes extremamente feliz, além de dominar instrumentos como harpa celta e mandola que estão onipresentes na sonoridade da banda.

Por aí já percebemos como o Eluveitie  conseguiu se reformular, sem buscar repetições e deixando a personalidade musical se readaptar pela química dos novos integrantes (além de Fabienni, temos o baterista Alain Ackermann, o guitarrista Jonas Wolf e Michalina Malisz comandando o hurdy gurdy) e fluir nas dezoito pequenas composições que se completam, em pouco mais de cinquenta minutos, num conceito musical requintado e sensível desenvolvido com alto nível técnico e pareado aos tradicionalismos, mas ainda assim cativante e envolvente pelo seu amplo horizonte melódico e harmonias cinematográficas (como em “Grannos” ).

Confira o clipe da faixa “Epona”… 

Canções como “Epona” (uma peça folk marcante), “Tarvos II” (uma continuação da composição presente em “Slania” [2008]), “Lvgvs”, e “Ogmios” destacam num disco cheio de detalhes, dialogando com toda a discografia da banda, dando menos espaço aos artifícios metálicos.

Todavia, isso não significa perda de intensidade, afinal, “Catvrix” é uma faixa que nos mostra como  este elemento pode ser obtido pelas mesmas vias acústicas que constroem a introspecção melódica de “Belenos”.

Ou seja, existe um vertiginoso e climático casamento polirrítmico engrossando o caldo acústico vibrante e viajante, com eloquência emocional nos arranjos e esmero na construção de climas e linhas vocais que emolduram os versos escritos em gaulês (traduzidos para o inglês no encarte)

Confira o clipe de “Catvrix”… 

Com cada uma das dezoito composições dedicada uma divindade celta, não pense numa festa na floresta ao redor da fogueira, pois apesar de pontuais ululantes harmonias folk (como em “Taranis”), tudo possui sobriedade e seriedade de extraordinária resignação e reverência, com profundidade atmosférica e histórica, além de alta musicalidade, embaladas numa produção impecavelmente orgânica.

O plano para o nascimento da segunda parte de “Evocation” estava marcado para dois anos após o lançamento da primeira parte, mas a complexidade do interessante conceito levou a banda suíça a adiar o projeto. E após quase uma década daquela primeira viagem acústica, “Evocation II – Pantheon” reafirma categoricamente a capacidade do Eluveitie em ser tão folk quanto metal.

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