VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: ELF, “Carolina County Ball” (1974)

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Dia Indicado Pra Ouvir:  Quinta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Sete da Noite;

Definição em um poucas palavras: Guitarra, Classudo, América.

Estilo do Artista: Hard/Blues Rock.

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ELF, “Carolina County Ball” (1974, 2017, Cherry Red Records, Hellion Records)

Comentário Geral: Infelizmente o Elf é um nome reconhecido pelo grande público roqueiro apenas como sendo a banda de Ronnie James Dio que se juntou a Ritchie Blackmore para formar o Rainbow.

Poucos são aqueles que realmente se dignaram a ouvir os três álbuns registrados pela banda fundada por Dio (ainda assinando como Ronald Padavona e empunhando o baixo além de ser responsável pelo vocal, no primeiro álbum) e David Feinstein (guitarra, que sairia em 1972 e se destacaria posteriormente no The Rods).

Apadrinhados pelo Deep Purple desde o início, após Roger Glover e Ian Paice se espantarem com os vocais de Dio, o Elf chegava ao ano de 1973, já com Steve Edwards nas guitarras e Craig Gruber no baixo (liberando Dio para se dedicar apenas a seus abençoados vocais), um poderoso primeiro primeiro álbum à tiracolo, e colecionando aberturas de shows para Uriah Heep, Manfred Mann e Fleetwood Mac, além do próprio Purple.

Infelizmente o Elf é um nome reconhecido pelo grande público roqueiro apenas como sendo a banda de Ronnie James Dio que se juntou a Ritchie Blackmore para formar o Rainbow, mas é uma típica banda de Blues Rock setentista, oscilando entre a lascívia do Blues e a experimentação da pscodelia, que tem em “Carolina County Ball” o ápice de sua tríade discográfica…

Mas, principalmente, aquele ano trazia um contrato com a Columbia Records nos EUA, e com a Purple Records, no Reino Unido, país onde registrariam seu próximo álbum, “Carolina County Ball”, lançado em abril de 1974, com produção de Roger Glover, trazendo linhas vocais nobres, guitarras que invadem o cérebro, e um piano boogie de Mickey Lee Rourke que era o diferencial do Boogie pesado delineado nas nove composições, com claras influências da música tradicional norte-americana.

A faixa-título abre os trabalhos com remissões ao Blues/Jazz norte-americano, aos moldes da tradicional forma de New Orleans (referência confirmada no título de “Annie New Orleans”), com vocais emocionais e piano derramando feeling,  como uma versão Hard Rock forjada no Preservation Hall, que termina num boogie febril e inflamado, com naipes de metais e backing vocals muito bem encaixados.

Confira a clássica “L.A. 59″… 

De cara, os vocais de Dio se destacam, emergindo do caldo musical com força e desenvoltura, principalmente em faixas como “L.A. 59” (o grande clássico deste álbum, com refrão cativante), “Annie New Orleans”, “Do The Same Thing” (um Blues pesado e vertiginoso de pegada Hard) , onde a abordagem é mais puxada para o Rock.

Já a multivariada cadência de “Rocking Chair Rock N’ Roll Blues” escancara a versatilidade dos vocais de Dio, por mudanças de andamentos e texturas melódicas num típico Rock setentista descendente do Blues, que se repetirá na envolvente “Rainbow”.

Confira a bela “Happy”…

O trabalho de teclados de Mickey Lee Soule duela pelo protagonismo instrumental junto as guitarras de Steve Edwards, num diálogo intenso de malícia e requinte com os solos mais rústicos desfilados nas seis cordas, enquanto a dupla baixo-bateria (Gruber-Driscoll) sustentam as harmonias com potência cavalar.

A produção impecável de Roger Glover, amplificou a crueza das guitarras e envolveu as melodias em um groove cativante, enquanto iluminou o vocal de Dio, contribuindo para os dois pontos altos do tracklist:  1)“Ain’t It All Amusing”, um rock pesado e libidinoso aos moldes do Led Zeppelin por uma lascívia quase tribal, dando a oportunidade de Dio mostrar um pouco da nobreza metálica que o consagraria anos mais tarde; e 2) “Happy”, uma típica composição que clama pela companhia de uma dose de Jack Daniel’s.

Confira a bela “Ain’t It All Amusing“… 

No geral temos composições honestas, com pedigree e raízes bem delineadas na gênese da música moderna ocidental, mas engendrada com esmero, feeling e muito talento.

Além disso, é interessantíssimo ouvir Dio em uma sonoridade diferente daquela pela qual é sempre lembrado, afinal o Elf é uma típica banda de Blues Rock setentista, oscilando entre a lascívia do Blues e a experimentação da pscodelia.

Enfim, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO…

 Ano: 1974;

Top 3: “L.A. 59”, “Happy”, e “Ain’t It All Amusing”

Formação: Ronnie James Dio (vocais), Steve Edwards (guitarras),  Mickey Lee Soule (teclados),  Craig Gruber (baixo), e Gary Driscoll (bateria).

Disco Pai:   Deep Purple – “In Rock” (1970)

Disco Irmão: Queen – “Sheer Heart Attack”  (1974)

Disco Filho: O Peso – “Em Busca do Tempo Perdido” (1975)

Curiosidades: Nos Estados Unidos, o disco saiu com capa e nome diferente, “L.A. ’59”. Em dezembro de 1974 Ritchie Blackmore e Dio começariam a trabalhar juntos no que viria a ser a banda Rainbow, em 1975, ano em que o ELF lançaria seu último trabalho, Trying To Burn The Sun”.

Pra quem gosta de: Bourbon, vocalistas que soltam o gogó, discos de vinil, e classic rock.

Capa da edição norte-americana com o título de “L.A. ’59”.

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