ATUALIZANDO A DISCOTECA: Drowned, “7th” (2018)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Drowned 7th front cover capa
Drowned – “7th” (2018, Cogumelo Records, Greyhaze Records) NOTA:10

“7th”, como o próprio título já indica, é o sétimo disco da banda mineira de death metal Drowned e já na primeira audição o trabalho me remeteu ao contato inicial que tive com a banda no terceiro volume da compilação que vinha casada com a saudosa revista “Planet Metal”.

Talvez pela sujeira impregnada na impetuosidade dos arranjos de “7th”. Pois fechando aquela seleção lançada no ano 2000, o Drowned apresentava um death metal visceral, pesado e sujo em “Learn to Obey”, faixa que também abria sua primeira demo-tape “Where Dark and Light Divide…” (1998).

E lá se vão duas décadas daquele primeiro passo discográfico, tempo que amadureceu aquele death metal que espirra sujeira pra todo lado, agora se dividindo entre o old-school e as melodias limpas modernas.

O peso groovado e viscoso pode parecer um tanto rebuscado na forma, todavia o conteúdo está bem definido dentro da herança musical agressiva e virulenta do Drowned, tudo bem equilibrado em estúdio por uma produção orgânica que deu a aspereza necessária para potencializar a energia gerada pelo atrito de agressividade e melodia (essa advinda das guitarras e dos vocais limpos).

A faixa “The Bitter Art of Detestation”se destaca de saída, com boas harmonias e evoluções inteligentes, enquanto “Rage Before Some Hope” traz mais veemente um espírito melancólico do death metal melódico noventista, e até algo de progressivo nas texturas e escalas pontuais, como veremos também em “Damaged Wood Coffins”.

Por aí já é perceptível como “7th” não só é um disco pesado e agressivo, mas também ousado e diversificado, com composições que se destacam entre si pela inquietação criativa que permite sabores musicais diferentes, alicerçados sobre um groove chapado.

Cada composição é melhor que a outra, soando variadas mesmo que construídas com os mesmos ingredientes.

Sem dúvidas, o death metal é o gênero que sustenta tudo o que ouvimos em “7th”, todavia, a dinâmica e a oxigenação destas onze composições advém, também, dos tons de heavy metal, stoner, e thrash metal.

Até por isso, o Drowned consegue manufaturar uma sonoridade instigante, com dinâmica variada, e alto poder de cativar pelo jogo musical de sombras esmerado aos detalhes.

De fato, “Toothless Messiah” é uma das melhores músicas que ouvi em 2018, um destaque de “7th” junto com “The Time Bomb Conscience” “Elitist Heaven Ruled By Devil”, e nelas essa observação se confirma.

drowned-7th
“7th” não só é um disco pesado e agressivo, mas também ousado e diversificado, com composições que se destacam entre si pela inquietação criativa que permite sabores musicais diferentes, alicerçados sobre um groove chapado.

É notável como o Drowned orbita aquele death metal mais rústico dos princípio da carreira, mesmo sendo “7th” altamente técnico e multifacetado. Talvez por não se permitir exageros e pompas, ou uma produção clínica.

Na verdade, como nos mostra “Murder, Sex, Hate And More”, outro dos pontos altos, “7th” é um disco áspero e obscuro na maior parte do tempo, numa continuidade mais cerebral do álbum anterior, “Belligerent Part I – The killing state of the art” (2012).

E por falar em aspereza obscura,“Violent March Of Chaos”” Epidemic and God Selfshnes” (cuja referência no tracklist me fez perguntar se esse seria outro potencial título do trabalho?) são faixas que trazem até algo de black metal. E por aí percebemos como o Drowned percorreu nesse álbum, sem truncamentos e desconexões, todo o espectro do extremismo metálico com autoridade e conhecimento de causa.

No que tange ao instrumental, todos estão acima da média, mas não há como não enaltecer o trabalho do baterista Beto Loureiro, que dá uma aula de tempo e ritmo.

Seu escudeiro na seção rítmica, o baixista Rafael Porto, também se destaca além do simples sustentar de harmonias das guitarras de Marcos Amorim e Kerley Ribeiro, rasgando o instrumental vez ou outra, com vigorosas linhas de protagonismo pontual. Já o trabalho vocal de Fernando Lima leva pontos positivos pelas variações que remetem às formas nórdicas.

Por fim, a capa simples de “7th”  mostra que não querem distração nenhuma ao foco principal: a música!

Sem mais… É nota máxima pra esse que será um dos grandes discos do ano!

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *