ATUALIZANDO A DISCOTECA: Dr Kong, “Protagonista” (2016)

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Dr Kong: “Protagonista” (2016, Independente) NOTA:8,0

Após a Blitz tomar de assalto as rádios de todo o país, outros nomes surgiram buscando um lugar ao sol, construindo um dos maiores movimentos da música brasileira, batizado de BRock por Nelson Motta. Revelando nomes importantes para o rock tupiniquim como Barão Vermelho, Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Camisa de Vênus, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, dentre outros, que seguiram por anos a fio, com carreiras sólidas e álbuns relevantes, este movimento deixou saudades nos roqueiros brasileiros, por sua qualidade atrelada à acessibilidade.

E quando “Protagonista”, a faixa, abrir o álbum de estréia do quinteto goiano Dr Kong, eu duvido que não virá à sua mente os nomes destes áureos tempos, principalmente do Barão Vermelho. Desde as guitarras e violões (à cargo de Eliel Carvalho e Gustavo de Carvalho) precisos e simples, passando pela cozinha (formada pelo baixista Gustavo Silva e pelo baterista Wagner Arruda) maliciosa e crua, até as linhas vocais, a ascendência é nítida. O timbre vocal e os maneirismos do vocalista Flávio de Carvalho inclusive encarnam de modo assustador o modus operandi de Frejat.

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“Protagonista”, álbum de estréia do quinteto goiano Dr Kong reaviva a chama do Rock nacional oitentista, sem inovações, mas sendo daqueles de deixar ad infinitum no player…

Dentro do que se propõem, ou seja, Rock N’ Roll brasileiro, indo do Hard Rock ao Blues sem firulas, com produção (por Eliel Carvalho e Guilherme Bicalho) crua, seca e tipicamente oitentista, cantado em português, construindo composições de três a quatro minutos e de referências óbvias, obtêm sucesso incontestável. Afinal “Protagonista”, o álbum, é construído sobre um trabalho de guitarras esmerado, e versos muito bem encaixados às linhas vocais, que cativam já na primeira audição.

Claro que em alguns momentos o mimetismo vocal pode incomodar, principalmente por sua pouca versatilidade em tentar criar uma identidade. Mas se você se dignar apenas a curtir as composições interessantíssimas, e que ecoam uma época saudosa de nosso Rock, certamente terá em mãos mais um exemplo para esfregar na cara daqueles que gostam de alardear que o Rock nacional não existe!

Confira o clipe da faixa-título… 

E o riff de “Honoráveis Primatas” mostram bem esse fato. Rock de fibra, rearranjando elementos básicos da geração oitentista, sem tecnicismos modernos, esbanjando melodias acessíveis e refrãos pegajosos, que emolduram versos engajados à nossa realidade, como em “Indignação”. Além disso, constroem baladas irresistíveis como “Não Perca o Humor”, “Por Sorte” e “Me Chame Essa Noite”.

Todavia são nas inspirações “blueseiras” que a banda manda as melhores composições, como na já citada faixa-título e sua estrutura Blues/Pop Rock, na envolvente “Olho do Furacão”, na cadenciada “Consciência” (cujo instrumental me lembrou alguma coisa do “Stiff Upper Lip” [2000], do AC/DC), na libidinosa “Rarefeito”, ou na classuda “Metanoia”.

Confira a faixa “Superficial”… 

Claro que ainda falta um pouco da natureza selvagem e primitiva que o Barão Vermelho carregava em seus arranjos, do caráter lúdico dos Titãs, da força lírica brasiliense, ou até mesmo um pouco da espontaneidade que abarcava os principais nomes daquela geração. Acredito que uma dose à mais de rebeldia instrumental vai fazer bem a composições como “Superficial” (com mais versos engajados), e “Fale Tudo” (com suas referências à cena oitentista brasiliense).

Enfim, com mais acertos do que erros a banda Dr Kong nos oferece um prato fresco e bem feito de uma receita tradicional e que adoramos. Um álbum sem inovações, mas daqueles de deixar ad infinitum no player, pois a diversão é garantida!

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