ATUALIZANDO A VIDEOTECA: Dimmu Borgir, ” Forces of the Northern Night” (DVD, 2017)

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Dimmu Borgir: “Forces of the Northern Night” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:10

Na virada do milênio, o parlamento polonês exibia um pôster da banda Dimmu Borgir como exemplo de satanismo. Se buscarmos o real significado de seu nome veremos que ele significaria algo como Castelo Negro e advém de uma formação rochosa vulcânica situada na Islândia, onde acredita-se que seja um portal para o inferno.

Nome melhor para uma banda de Black Metal não existiria, mas acredito que o parlamento polonês poderia ter escolhido uma gama de nomes mais satânicos e “perigosos” que o Dimmu Borgir. Mas sabe o motivo da escolha? A banda norueguesa figura no mainstream do Heavy Metal europeu! E sabe de onde vem o esse sucesso? Da capacidade e coragem de ousar, de extrapolar os limites impostos por regras!

Desde sua gênese, na Noruega em 1993, investiam numa forma pessoal de Black Metal, com peso, melodia, velocidade, e teclados, este último um instrumento que beirava o ultraje dentro do gênero, mas que levou a banda a um outro patamar de popularidade, muito pela envolvência do clima obscuro, requintando e sinfônico que criava. Podemos dizer que junto ao Emperor, a banda foi uma das precursoras do afluente sinfônico do Black Metal, fortemente inspirados pelo que o Celtic Frost fez em “Into The Pandemonium” (1987).

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Em “Forces of the Northern Night” temos a banda Dimmu Borgir em dois shows acompanhados de orquestra e coral, sendo mais uma obra de arte nascida no seio do hibridismo entre Heavy Metal e Música Erudita!

Álbuns como “Stormblåst” (1996), “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), “Puritanical Euphoric Misanthropia” (2001), e “Death Cult Armageddon” (2003) evidenciam uma evolução musical que vai alem do Black Metal, incorporando elementos diferenciados em sua fórmula, mas sem deixar dúvidas de onde originalmente vieram.

E após seu mais recente álbum de estúdio, “Abrahadabra” (2010), o Dimmu Borgir mergulhou num projeto ousado, longe de um ineditismo dentro do Rock/Metal, mas com mais relevância do que o praticado por nomes consagrados, afinal, tocar com uma orquestra é uma abordagem que combina com a banda, que é sinfônica desde sua gênese, e só aumentou este elemento ao longo de sua evolução.

E este “Forces of the Northern Night” é um DVD duplo que registra a mágica apresentação da banda com uma orquestra e um coral, contabilizando mais de cem pessoas no palco, em duas ocasiões distintas: Oslo e Wacken Open Air, em 2011 e 2012, respectivamente, uma em cada DVD, o que nos permite dimensionar a proposta em ambientes diferentes.

Confira a performance de “Gateways”… 

No primeiro show temos a banda acompanhada da The Norwegian Radio Orchestra & Choir, onde a abertura com a orquestra em “Xibir” já arrepia e cria uma aura sombria e épica, anunciando um requinte cinematográfico que ambientará todo o show, também amplificado pelo impacto visual tanto da banda quanto do coro.

É importante salientar que os aspectos sinfônicos vão além do simples preenchimento de espaços, afinal a música do Dimmu Borgir já incorpora muito disso, mas aqui a grandiloquência obscura ganhou contornos ainda mais reverentes, orgânicos e vívidos, mesmo em momentos mais pesados e metálicos como na trinca “Chess with the Abyss”“Ritualist”, e “A Jewel Traced Through Coal”, ou nos clássicos “Progenies of the Great Apocalypse” (uma das mais ovacionadas), e “The Serpentine Offering”.

Estas são faixas que ganharam um novo sabor, além de mostrarem como o repertório foi bem escolhido! Todavia, ouso dizer que as músicas que tiveram o protagonismo da orquestra (como “Dimmu Borgir (orchestra)”, “Eradication Instincts Defined”, “Fear and Wonder”“Perfection or Vanity”) são as mais destacáveis do repertório, provocando emoções distintas no espectador, além de ampliar o impacto das composições que as seguem, à saber: “Dimmu Borgir”, “Puritania” “Mourning Palace”, que ficaram soberbas, se destacando junto a “Born Treacherous” “Gateways” como os ápices da parceria banda+orquestra.

Confira a performance de “Progenies of the Great Apocalypse”… 

O primeiro DVD, onde temos este show de Oslo, ainda traz um documentário com cenas de bastidores, mostrando como a apresentação foi concebida, com entrevistas com membros das orquestras, e onde Shagrath afirma que a banda “expressa sentimentos através de sua música”. Neste sentido, conseguiram amplificar esta expressão de sentimentos ao ampliar seu vocabulário musical neste projeto, afinal a orquestra e o coro de tons eclesiásticos deram mais alma e dinamismo à música do Dimmu Borgir.

O show do Wacken é acompanhado pela Czech National Symphonic Orchestra e pelo Schola Cantorum Choir, mantendo o mesmo setlist e praticamente os mesmos arranjos. Em ambos os DVDs a produção é de altíssimo nível, tanto em som quanto em imagem, que estão límpidos e brilhantes.

Todavia, creio que a proposta funciona melhor em um ambiente fechado como apresentado no show de Oslo (mesmo que ali exista um certo nervosismo natural à primeira execução do projeto e que no show do Wacken o vocalista Shagrath interaja mais com o público), tanto pela acústica quanto pelos efeitos de luz. Segundo Silenoz, não há correções na gravação, todas as melhorias vêm apenas da mixagem.

“Forces of the Northern Night” é mais uma obra de arte nascida no seio do hibridismo entre Heavy Metal e Música Erudita!

Confira a performance de “Mourning Palace”…  

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