LITERATURA: “Diálogos Invisíveis”, de Douglas Ribeiro

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Por Laira Arvelos

“Precisam só de silêncio para se ouvir”

Diálogos Invisíveis Douglas Ribeiro
Douglas Ribeiro: “Diálogos Invisíveis” (2018)

Poucas coisas cabem mais perfeitamente nestes dias frios como ler poesia; este hábito traz um estado de espírito de muita leveza. Lírica ou concreta as poesias são como palavras que dançam em frente aos olhos e transmitem esta sensação de aconchego, contrição, saudade, ou apenas contemplação. Desobrigados de métricas, rimas ou escansões, ler poesia é um deleite, um exercício de ouvir um outro, reconhecer um outro, reconhecer em si.

Fui apresentada ao livro “Diálogos invisíveis”, através de uma marcação em um post de minha prima, e fui direto lá garantir a leitura. Muito além dos queridos autores renomados, acho uma obrigação conseguir dar espaço e apoiar em qualquer meio que seja as pessoas que buscam seu espaço de escrita, essas pessoas que ousam enveredar neste ramo tão desafiador, como diria o grande Saramago “ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção”.

O autor Douglas Ribeiro, é mineiro, natural de Patrocínio e sempre esteve ligado a projetos artísticos. Estudou na Escola Livre de Cinema, em Belo Horizonte, mas já atua como cineasta amador desde 2004. É fundador do site de cultura “uvarau.com.br”, participou de diversos projetos culturais como HQs e Bandas: uma mente artística inquieta e sonhadora.

As poesias do livro como o próprio autor diz começaram a tomar forma em 2015 como proposta de ser letras de músicas e precisaram de um hiato de dois anos para que o projeto fosse retomado.

Muitos textos são assim, eles se formam e depois são esquecidos no fundo de uma gaveta, daí um dia eles voltam com uma outra provocação ou sentimento, ou até com indiferença, mas são sempre necessários.

Quando o autor coloca que não sabe se estas poesias são merecedoras de ser publicadas é muito clara a resposta afirmativa, e quando fala se irá atingir algum público, o que posso dizer é que de um modo bem especial me marcou nestes momentos de leitura.

A capa com coração dá o tom a leitura: íntima e compassada. A melodia da leitura, a simplicidade e sensibilidade são observadas nas poesias que se dividem em “Diálogos Invisíveis”, ‘Metamorfose”, “Corujas” e “Poesia de Skype”.

Em “Anjo Torto” e “Firmamento” somos transportados a um sentimento de vazio e ao mesmo tempo de compreensão, que vazio, cabe em um olhar?

Em “Sem grandes expectativas” e “Minha poesia” reconhecemos tanto de nós em meio a um mundo cinza e padronizado em meio a lembranças da vida pacata e das perdas e separações. “Mocinha rendeira”, traz uma sensação de música de roda, que você lê pensando em vestidos floridos e movimentos.

“Por um dia só”, é um dos meus poemas favoritos, um desabafo, um grito aos “que nunca levaram porrada na vida”, ao que é calculado, as vaidades e comodidade, ele em conjunto com o capítulo todo de “Metamorfoses” traz um tom mais realista e concreto nas poesias.

“Coruja” vem com trechos de muita intenção, convicção e amor, puro amor aos olhos arregalados, a aquela por quem dava uma vontade besta de reinventar o mundo. “Diálogos invisíveis” transborda amor; como não sorrir com “Aspirina” e “Música para os olhos”?

“Poema de segunda feira” é realmente um poema de segunda feira e traduz exatamente uma segunda feira, de ler e ficar revoltado, por que amanhã é segunda feira, ‘rotina’, ‘bom dias’ e ‘procrastinação’. A atualidade e as semelhanças com muitos sentimentos comuns, te dão a sensação de que os textos foram escritos baseados em sua vida, coisa que a literatura sabe fazer primorosamente.

Sem esforço nenhum, somos envolvidos com a escrita do autor: poemas curtos, simples mas que enchem nos de algo bonito, profundo e sensível. Embora alcance a muitos de forma diferente, a leitura destas poesias é carregada por uma marca de muita inocência, crítica e ternura. Palavras únicas, encantadoras, poesia pura; um risco aos mais desavisados, pois de repente estarão envolvidos.

Precisamos de poesia! “Precisamos de ideias perigosas”.

“Diálogos Invisíveis” pode ser adquirido na Amazon, neste link!

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