ATUALIZANDO A DISCOTECA: Deep Purple, “Live In Graz 1975” (2018)

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Deep Purple Graz 1975
Deep Purple – “Live In Graz 1975”, (2018, Shinigami Records) NOTA:9,5

Eis que temos em mãos mais um capítulo da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series. Ou melhor, como vimos na resenha de Live in Long Beach 1971” (2015), temos mais um capítulo da história do rock escrito nos palcos, agora registrado pela MK-III.

“Live In Graz 1975” registra o show ocorrido nos arredores de Graz, segunda maior cidade da Áustria, em 3 de abril de 1975, quando o Deep Purple se via num verdadeiro turbilhão entre seus integrantes.

show na cidade de Graz foi alardeado pela imprensa como “o concerto de rock do ano” e a julgar pelo que ouvimos neste registro não é exagero de forma alguma.

Blackmore abre o show escorregando notas na sua guitarra despretensiosamente, até o a banda explodir com “Burn” de forma voraz (atenção ao solo que o guitarrista saca) e intensa, como se aquela fosse a última vez que se juntavam. A potência advinda do palco já é sentida na nessa abertura.

Se isso não for o heavy metal em suas formas primevas nada mais é! Uma interpretação de tirar o fôlego, como veremos em ‘Lady Double Dealer”, e “Smoke on the Water”  onde a selvageria do hard rock do Deep Purple já está refinada e bem definida.

Ritchie Blackmore, no auge de sua forma como músico, em especial, se mostra inflamado, irado, pesando a mão e altamente inspirado (ouça sua performance impressionante em “Mistreated”, sem dúvidas o ápice do show, rendendo um duelo interessante com o vocalista David Coverdale) em cada movimento, devidamente replicado por Jon Lord que invoca todos os demônios do jazz , do progressivo e do erudito (como nas citações de Bach no início de “You Fool No One”, ou nas de Strauss em “Space Trukin'”) para duelar com o guitarrista, enquanto a dupla Paice/Hughes sustentam tudo com solidez e competência.

Existe um clima de urgência em cada uma das performances dos músicos. David Coverdale, muito bem amparado por Glenn Hughes (como na belíssima “The Gypsy”),  traz determinação à sua voz até quando anuncia as músicas (como em “Stormbringer”), e a exaltação, o êxtase, se mostram em cada música desfilada até o épico desfecho com os vinte minutos de “Space Trukin'”  (com citações também a “Child In Time”).

show registrado em “Live In Graz 1975”  é também marcante para o Deep Purple, pois foi um dos últimos com Ritchie Blackmore nos anos 1970, que logo sairia para fundar o Rainbow.

Já em dezembro de 1974, dentro de uma das folgas da turnê do Deep Purple, a dupla Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore já trabalhava em sua primeira parceria. Um cover do Quatermass, para a faixa “Black Sheep of the Family”, que seria lançada como single solo do guitarrista.

composição inédita, “Sixteenth Century Greensleeves”, que iria para o Lado B do single, ficou excelente, motivando-o a evoluir de duas músicas para um álbum completo, gravado entre fevereiro e março de 1975.

Este álbum seria o primeiro do Rainbow, que Dio gravou ao mesmo tempo em que o Elf registrava Trying to Burn the Sun, terceiro álbum da sua (àquela época) banda principal. Para economizar tempo e esforço, Blackmore convocou os integrantes do Elf, exceto o guitarrista Steve Edwards, claro, para registrar o que nasceria como “Ritchie Blackmore’s Rainbow”, em 1975, iniciando a história de uma das mais importantes bandas do Rock.

Ou seja, no terceiro dia de abril de 1975, quando “Live In Graz 1975” fora registrado, o disco da nova banda de Blackmore já estava gravado e guardado para ser lançado em agosto daquele mesmo ano.  Até por isso, existe um clima de “todos contra Blackmore” no palco, levando o guitarrista a explorar seus limites.

Este é um registro dos últimos momentos da MK-III no palco, pela primeira vez disponível na íntegra e de forma oficial. “Live In Graz 1975”  é uma espécie de despedida desta formação histórica do Deep Purple, realizada durante a turnê do cerebral “Stormbringer” (1975).

Todavia, ouvindo o próprio “Stormbringer” (1975) parecia que o Deep Purple já estava na curva final do desenvolvimento da excelência da primeira encarnação da banda que, em 1975, já havia lançado seus maiores clássicos.

O único porém do material é a produção, que até pela época em que foi registrado se justifica um tanto menor que a que vemos em “Made in Europe” (1976), que tem registros também deste show entre as faixas ali elencadas.

Indiscutivelmente, o Deep Purple estava na melhor forma de sua melhor formação! Mesmo que situado num momento histórico de ruptura para a banda, podemos ver em “Live In Graz 1975” um entrosamento que tornava a banda quase que dotada de um onisciente coletivo entre seus membros.

A energia que emana de “Live In Graz 1975” é altíssima, mas a vibração de fim de estrada é perene. Após a saída de Blackmore, a banda tentaria um respiro final com Tommy Bolin e um disco injustiçado, mas terminaria sua primeira encarnação até o retorno na década seguinte.

Um registro obrigatório na coleção de qualquer um que admira o rock setentista.

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