ATUALIZANDO A DISCOTECA: Death By Starvation, “Death By Starvation” (2013)

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Death By Starvation: “Death By Starvation” (2013, Cianeto Discos) NOTA:8,5

O apelo surrealista sombrio e agressivo da belíssima capa é reforçado pela introdução climática, invocando espíritos ancestrais, megalíticos e nefastos para encarnar na música cáustica, rápida, primitiva e brutal do Death By Starvation, banda paulista de black metal, em seu auto-intitulado álbum de estréia.

Estas características já estão impressas em “Abandonment of Being”, a sequência à “Intro”, onde podemos perceber uma sonoridade old school espontânea, com apenas o necessário de pós-produção para imprimir sua bateria seca, suas guitarras sujas e seus vocais vomitados.

Sujo e obscuro, o álbum minimalista até mesmo em seu misterioso encarte, canaliza com personalidade toda a virulência advinda da negatividade inerente ao ser humano, usando uma espécie de “psicodelia negra”, principalmente na timbragem das guitarras para construir seu black metal fortemente atrelado tanto à gênese cavernosa e áspera do estilo, quanto à violenta onda escandinava.

Além disso, existem passagens climáticas e cadenciadas constantemente cortando os movimentos mais pesados, o que confere uma dinâmica própria à evolução das composições cujas forma e conteúdo estão em constante atrito, como podemos experimentar em “Egoism, Mark of the Wise Man”, e “Silence, Thereafter”.

Assista o clipe para a faixa “Notabatur Inedia Mortem”… 

Os vocais, como se emitidos das fossas abissais do inferno,  por vezes mergulham no magma tenebroso e fétido das implicações old-school e das guitarras texturizadas produzindo a pútrida viagem sonora regada a blast beats, passagens arrastadas, beirando o doom metal, e tangências ao death metal que tradicionalmente marcam o black metal brasileiro, como acontece em “Eluding the Grasp of Possibility” e seu irresistível riff  rastejante.

Essa faixa é um dos maiores destaques do álbum junto com  a agressiva “Notabatur Inedia Mortem”, dona de um clipe mórbido e instigante.

Nestas duas composições ficam ainda mais indubitáveis as influências de Mayhem, Darkthrone, Impaled Nazarene, Sarcófago, Poison (o alemão, que você pode conhecer nesse texto) e Bathory, com fortes implicações do metal/punk que atingem o gênero na modernidade. Influências confirmadas pelos covers de “Hate”, do Impaled Nazarene, e de “The Stallion”, do Bathory.

Em suma, o trio apresentado como I (vocais), II (guitarra e baixo), e III (bateria) conseguiu pintar toda a escuridão, desolação, alucinação e sofrimento de uma pessoa que morre de inanição, usando a bagagem dada pelas tradições do black metal paulista, com niilismo, e peso ctônico nas frequências graves, encaixando a fórmula européia ao nosso contexto.

Ou seja, é o bom, velho, e transgressivo black metal, feito para devotos da velha escola do gênero, conseguindo criar uma paisagem sonora que extrapola o sentido da audição.

Ouça o álbum na íntegra, via Bandcamp

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