ATUALIZANDO A DISCOTECA: Danzig, “Black Laden Crown” (2017)

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Danzig: “Black Laden Crown” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:8,0

Glenn Danzig criou uma imagética que divide opiniões. Musicalmente, apesar de poucos contestarem sua fase no Misfits (onde cunhou álbuns atemporais para o Punk/Hardcore, influenciando gêneros mais pesados nas décadas subsequentes), sua carreira com o Danzig, banda surgida à partir do Samhain, não possui o mesmo caráter unânime.

A verdade é que Glenn sempre fora o líder intelectual de todas as bandas que passou, e fez a música que quis, independente de opiniões externas, gerando quatro ótimos álbuns em sequência na primeira fase do Danzig, onde criou um Frankenstein musical à partir de referências “renascidas do inferno” de The Doors, Black Sabbath e Elvis Presley, e reanimado pela musculatura do Heavy Metal.

Todavia, esta mesma liberdade acerca de sua arte, gerou um período discográfico discutível entre os álbuns “Blackacidevil” (1996) e “Danzig 777: I Luciferi” (2002), que foi superado nos últimos dois últimos trabalhos (não contamos o desastroso álbum de covers “Skeletons” [2015]), principalmente após a consolidação da dupla com Tommy Victor, do Prong, destacando “Deth Red Sabaoth” (2010), até então último com faixas inéditas, e onde buscaram uma retomada às raízes.

Confira a faixa “Devil on Hwy 9″…

Agora, sete anos depois, chegamos a “Black Laden Crown”, décimo primeiro álbum de estúdio do Danzig, onde Glenn e sua trupe voltam a praticar sua forma crua e particular de Heavy Metal, mesclando com maestria nuances de Doom e Blues, dissipando parte da névoa gótica, mas sem perder a atmosfera de clássico do terror.

Ou seja, voltamos ao básico, sem samplers, e capturando o peso em voga nos dias de hoje, numa forma particular e atemporal de manufaturar músicas acessíveis por guitarras pesadas e libertinas, sob a responsabilidade de Victor, que também acumulou o posto de baixista nas gravações, colecionando momentos excelentes que revitalizaram e parecem comandar a ácida e perversa fórmula do Danzig.

Aquela tradicional abordagem de harmonias limpas duelando com o vocal empostado e melodioso (como um Jim Morrison saído dos lagos ferventes do oitavo círculo do inferno arquitetado por Dante), sustentada pela bateria crua, vem agora mais “suja” em faixas como “Eyes Ripping Fire”, “The Withing Hour”, “Blackness Fails”, e na faixa-título, desfiladas de modo arrastado, fazendo deste “Black Laden Crown”, quiçá, o trabalho mais esteticamente Doom em toda a sua discografia.

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“Black Laden Crown”, décimo primeiro álbum de estúdio do Danzig, traz sua forma particular de Heavy Metal, sendo, quiçá, o trabalho mais voltado para a estética Doom em toda a sua discografia, nos ensinando que menos é mais…

Em certos momentos, as guitarras se mostram mais incisivas, com uma timbragem afiada, cortando o lúgubre arcabouço musical, enquanto noutros, principalmente nas faixas mais longas, a falta de dinamismo dos arranjos contribuiu para que alguns momentos soem cansativos.

A proposta de ser primitivo e minimalista que dá sabor diferenciado a destaques como “Devil on Hwy 9” (essa com guitarras vertiginosas e pegada metálica), “Skulls & Daisies” “Pull The Sun”, também gera cansativas circunvoluções nos momentos com forte aroma de jam session (como, por exemplo, em “But A Nightmare”).

Já “Last Ride”, merece um destaque à parte. Uma faixa que invoca antigos e conhecidos monstros musicais, adornando-os com uma psicodelia alegoricamente infernal advinda das guitarras cheias de cacoetes alternativos, num claro exemplo de onde o clima de jam session funcionou perfeitamente.

Confira a faixa “Last Ride”… 

Quanto à produção orgânica, que acertou a mão nas guitarras e nos vocais, só um pequeno “talvez” para a sonoridade seca da bateria (posto onde quatro músicos foram utilizados, dentre eles, o velho conhecido Johnny Kelly [Type O Negative]), deixando a estrutura das composições um tanto esqueléticas.

Por fim, sem experimentações industriais, e conscientemente reciclando antigas idéias por novos moldes, Danzig conseguiu recuperar ainda mais a virilidade de sua formatação musical profana e obscura, agora mais voltada ao Doom, nos ensinando que algumas vezes menos é mais.

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