LITERATURA: Vamos falar sobre a Coleção Vaga-Lume

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Por Laira Arvelos

 

“Para despertar e criar o gosto pela leitura. Histórias emocionantes, cheias de ação, uma linguagem simples e direta. Fartamente ilustradas. Todos os títulos com um Suplemento de Trabalho especial.”

 

O pequeno vaga lume sorridente de boina, colete, calça jeans e tênis vermelho fez parte da infância de muitas crianças e adolescentes e foi responsável pelo começo da vida literária de muitos.

Luminoso, como era chamado nos apresentou enredos com as mais diversas temáticas: ilhas, assassinatos, guerra de Canudos, escaravelhos, garimpeiros, amizade, vampiros, insetos, paranormalidade, espaço, cavernas, jangadas, piratas, sequestros, ficção científica, Pantanal, pirâmides egípcias, escola, família, computador, surfe, entre outros.

Particularmente vejo estes livros com muita nostalgia, pelas idas a biblioteca e por ler algo que meus pais, tios, e irmãos mais velhos liam. Como era motivo de orgulho olhar para o a capa final do livro e ir contando todos os títulos que já tinha lido como uma vitória pessoal.

A série Vaga-Lume da Editora Ática é composta por livros paradidáticos lançada no final do ano de 1972 com romances voltados ao público infanto juvenil, de histórias ágeis e simples. Nelas acompanhamos o amadurecimento de nosso personagem diante de um obstáculo, drama cotidiano, familiar, mistério ou perigo.

Com histórias atemporais, esta coleção já vendeu mais de 7 milhões de exemplares desde o seu lançamento e vieram como uma alternativa para que fossem lidos mais livros nacionais na escola, o que foi muito utilizado por professores por serem livros pequenos, baratos e possuírem os famigerados suplementos de leitura, apesar de entender seu uso, nunca gostei desta forma de ‘fragmentar o entendimento’ de um livro.

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Inicialmente a série contava com obras já consagradas de autores conhecidos. Já na segunda década os textos, bem como autores, passaram a ser inéditos, a exemplo disto Marçal Aquino, autor de “A Turma da Rua Quinze”, então repórter do Jornal da tarde, nunca tinha escrito nada para o público infanto juvenil.

Marcos Rey, pseudônimo para Edmundo Nonato que nos presenteou com “Bem vindo ao Rio”, “O rapto do garoto de ouro”, entre outros, como escritor de romances adultos foi surpreendido com a tiragem de seu livro “O Mistério do Cinco Estrelas”, sendo que este vendeu mais de 2 milhões de exemplares.

Com histórias de pessoas comuns e mistura de simplicidade e complexidade, estas obras puderam levar seus leitores a um estado de imaginação e foram porta de entrada para que muitos outros mundos, escritores e livros fossem descobertos. Mesmo com muitas lições de moral, o tom de entretenimento e até mesmo o didatismo das narrativas, reconheço nesta coleção boas lembranças e muita relevância na minha relação com a leitura.

Alguns títulos da coleção retornaram às livrarias com projetos gráficos reformulados. Louvável a ideia para que estas lindas histórias cheguem as mãos de mais leitores. As capas trazem ilustrações com verniz que brilha no escuro, e me perdoem o saudosismo, mas as capas clássicas e aquele cheirinho de biblioteca sempre me trarão algo a mais.

A seguir listamos 10 livros da coleção vaga lume, particularmente impossível fazer uma lista por relevância, tem temática para todos os gostos. Embora apaixonado pelas aventuras e força de tantos personagens nutro sempre um carinho especial e memória afetiva pelo livro “Sozinha no Mundo”, de Marcos Rey.

1) Luiz Puntel: “Açúcar amargo”

Imagem relacionada“O açúcar é doce para os donos dos canaviais. Para nós é azedo e amargo que nem dá gosto. ”

A jovem Marta tem sua vida transformada após um trágico acidente que culminou na morte de seu irmão. Abalado, seu pai Pedro decide mudar de cidade e viver da colheita da cana. Ele culpa Marta pela perda do filho e a impede de estudar.

Os dois passam a viver constantes desentendimentos. Decidida, a jovem vai atrás de seus sonhos e enfrenta a dura realidade da vida como boia-fria, enquanto lida com as mudanças e desejos típicos da adolescência.

Aos poucos, ela entende a necessidade e a importância da luta social para conquistar seus direitos. Açúcar Amargo é uma história baseada em fatos reais, mas o autor deixa claro que, apesar de ter base na realidade, as personagens e as situações são fictícias.

 

2) Lúcia Machado de Almeida: “O escaravelho do diabo”

Resultado de imagem para O escaravelho do diaboA única pista que Alberto tem sobre a série de assassinatos que está acontecendo é que vítimas ruivas recebem um escaravelho pelo correio antes de morrer.

Ele precisa descobrir o que está por trás desses crimes misteriosos antes que outras mortes ocorram na cidade.

Trata-se de um livro de história policial bem leve, os fatos acontecem na cidade de Vista Alegre. A obra foi originalmente publicada em capítulos na revista O Cruzeiro em 1953.

Apenas em 1972 foi publicado como livro e, foi adaptado para as telinhas pelo diretor Carlo Milani em 2016.

 

3) Orígenes Lessa: “O feijão e o sonho”

Imagem relacionada“O feijão e o sonho” é uma belíssima metáfora, é a história do poeta Carlos Lara e sua mulher Maria Rosa, ele um sonhador, voltado para o seu ideal de criação, disposto a todos os sacrifícios para viver de sua literatura, ela uma mulher de pés no chão, valente e lutadora, às voltas com o trabalho da casa criação dos filhos, inconformada com diletantismo do marido e sempre a exigir dele mais emprenho, mais feijão e menos sonho para garantir o sustento da família.

Publicado em 1938, “O feijão e o sonho” conquistou, no ano seguinte, o Prêmio António de Alcântara Machado, da Academia Paulista de Letras. Tendo ultrapassado a marca das cinquenta edições, três adaptados para teledramaturgia, alcançando enorme sucesso e popularidade, a obra-prima de Orígenes Lessa é hoje um clássico indiscutível da literatura brasileira.

A história foi adaptada também para a televisão (novela na TV Educativa em 1969 e em 1976 na TV Globo), além de apresentações no programa de teleteatro, na TV Tupi, em 1952 e 1956.

 

4) Maria José Dupré: “A ilha perdida”

Resultado de imagem para A ilha perdidaEduardo e Henrique resolvem explorar uma misteriosa ilha e descobrir se as histórias que ouvem sobre o lugar são reais. Acabam se envolvendo em uma grande aventura em que um velho sábio traz a eles ensinamentos.

Este livro foi o primeiro que li da série, está entre os títulos mais conhecidos. Um livro muito envolvente escrito por Maria José Dupré, que mais do que tudo mostra como devemos respeitar a natureza, os animais e os mais velhos.

Aqui temos a presença das ilustrações que em toda a série serve para dar mais beleza as histórias.

 

5) Maria José Dupré: “Éramos Seis”

Imagem relacionadaA história de Dona Lola e sua família, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade do marido, Júlio, e dos quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Maria Isabel.

A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha para pagar as prestações da casa onde moram, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice.

Conforme os anos passam, vão se modificando as coisas na vida de Dona Lola: a morte de Júlio; o sumiço de Alfredo pelo mundo; a união de Isabel com Felício, um homem separado; a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de família rica.

O título do livro vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha num asilo: eram seis, agora só resta ela. A obra Éramos seis foi publicada pela primeira vez em 1943. É um romance de Maria José Dupré que também teve algumas adaptações para o cinema e para a televisão.

Na televisão, Lola foi representada pela atriz Irene Ravache no canal SBT. Uma história atemporal escrita na década de 40 que faz lembrarmos muitos das histórias clássicas brasileiras.

 

6) Lúcia Machado de Almeida: “O caso da Borboleta Atíria”

Resultado de imagem para O caso da Borboleta Atíria“Era tão frágil, tão ingênua e não compreendia nada ainda…”

A minha capa preferida! Milton Rodrigues Alves um dos ilustradores, afirma que passou horas no museu de zoologia para fazer os desenhos. Um crime acontece no mundo dos insetos. A noiva do Príncipe Grilo foi assassinada. Os mesmos criminosos sequestram a borboleta Atíria. Quem seriam eles e qual o motivo do crime?

Aquela história que atiça a imaginação fértil e aguçam os sentidos de medo diante do mistério. A história recupera a estrutura das fábulas e segue o padrão clássico de uma trama policial, com uma genial adaptação.

 

7) Marcos Rey: “Sozinha no mundo” 

Resultado de imagem para Sozinha no mundo“Pimpa, curiosa para ver a mulher recalcitrante, levantou-se. Assim podia espichar as pernas, depois de horas de estrada. Bastou porém sair da poltrona para que o corpo de dona Aurora, como um manequim, pendesse para o lado. (…) Não adianta nada, filho. Esta senhora está morta”.

Marcos Rey, em “Sozinha no Mundo”, nos traz um romance com aventura e drama. Você realmente se coloca no lugar de Pimpa; pequena e forte, que sobrevive, ri e chora.

A realidade é dura: morte e solidão.Corajosa e sem saída, Pimpa sai em fuga em busca do “tio” Leonel. Encontrá-lo é sua única chance. Com um belíssimo final que surpreende diante de tanta apreensão.

 

8) José Rezende Filho: “Tonico”

Imagem relacionadaTriste relato da situação de muitas crianças brasileiras. Narrativa onde o psicológico de cada personagem é muito bem construído. Um livro sensível cujo personagem principal vive o conflitante desafio de crescer.

Pobre e órfão de pai, Tonico sonha com uma vida independente e começa a trabalhar como engraxate, percorrendo as ruas com o amigo Carniça.

José Rezende Filho escreve uma breve novela onde cabe todo o desejo, sonhos e incertezas de um personagem que poderia ser só mais uma criancinha mimada e teimosa, mas que se mostra alguém ansioso pela independência.

 

9) Marcos Rey: “Um cadáver ouve rádio”

Resultado de imagem para Um cadáver ouve rádio“Quando a vítima é importante todos se mexem. Qualquer pista ajuda. Os jornais falam, a televisão mostra. Mas quando o coitado não tem nem onde cair morto só o acaso pode fazer justiça.”

Com uma linguagem moderna, simples e coloquial, Marcos Rey traz este suspense delicioso. Tudo começa quando um garoto chamado Muriçoca para na entrada do prédio para se proteger da chuva.

Atraído pelo som de um frevo, sobe as escadas e se depara com o corpo de um homem caído de costas, todo ensanguentado. O cadáver encontrado é de Alexandre, um sanfoneiro de quem todos gostavam.

A trama gira em torno da busca pelo assassino e do porquê de haver um rádio ligado na cena do crime.

10) Jair Vitória: “Zezinho, o Dono da Porquinha Preta”

Resultado de imagem para Zezinho, o Dono da Porquinha PretaUm livro que me provocou profunda reflexão, e hoje pode ser caminho para falar de assuntos bem profundos e sérios.

Seo Odilo, o pai de Zezinho, decidiu vender Maninha, a porquinha da cor da noite, que o filho tinha criado desde leitoinha. Porém, para não se afastar de seu animal de estimação, o corajoso Zezinho está disposto a enfrentar tudo o que for preciso.

E nessa luta para preservar sua mascote, o garoto arma inúmeras confusões e tem de lidar com a dura repreensão paterna, mas também faz muitas descobertas e aprende a enxergar a vida de uma maneira diferente.

“Zezinho, o dono da porquinha preta” é uma aventura que desde a década de 1980 mostra ao leitor o que é uma amizade verdadeira.

E você, qual seu livro preferido da série vaga lume?

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