CHUCK PALAHNIUK: 3 Livros Para Conhecer

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A anarquia impressa no filme “Clube da Luta” (1999) catapultou o nome de Chuck Palahniuk para mentes que não passaram do primeiro plano violento da película, não enxergando que este era o filme mais subversivo e niilista dentro do mainstream daqueles dias, criticando o consumismo, capitalismo e os meandros da civilização moderna.

Mais do que isso, o filme levou muitas mentes a se voltarem para a sua literatura provocativa e original, carregada de humor negro e sarcasmos ao narrar as vicissitudes de seu arquétipo preferido para o posto de personagem principal: os “perdedores”.

Muito se fala em “Clube da Luta”, um clássico que inaugurou a obra de Chuck desde seu lançamento em 1996, mas o autor desfila outras pérolas literárias em sua carreira, algumas mais alegóricas e outras impressionantemente reais, mas todas com alta qualidade e diversas camadas de interpretação e contestação. Hoje, vamos listar três obras deste escritor norte-americano, fruto dos anos 1960 e de uma família marcada por tragédias e crimes, jornalista, lutador amador, caminhoneiro, mecânico e, principalmente, um dos mais interessantes nomes da literatura contemporânea. 

1) “SOBREVIVENTE” (1999)

sobrevivente-capa“Clube da Luta” é essencial e, por favor, considere-o implícito nesta lista. Mas, como já é uma obra obrigatória quando se fala no autor, vamos deixá-la de fora desta lista. Comecemos então pelo segundo livro de Chuck, que se divide entre simbolismos e momentos desconcertantesEm comparação ao clássico que abre o conjunto de sua obra, este segundo volume é menos cru e virulento, soando quase poético dentro de sua crítica sarcástica, dando mais leveza e fluidez às curvas da montanha russa que guiam nossas reflexões acerca dos paradigmas, principalmente religiosos. Foi uma genial sacada de colocar as páginas numeradas em contagem regressiva, enquanto um avião voa à deriva, queimando combustível, e seu sequestrador, decidido a se matar, resolve contar sua história para a caixa preta da aeronave, pois este artificio aumenta a tensão enquanto a leitura evolui. Além de tudo isso, é quase incômoda a maneira com que ele desnuda a verdade de que qualquer um pode virar modelo para qualquer coisa dentro de uma sociedade hipócrita e corrompida como a nossa.

 

2) “MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO” (2004)

livros0001Ao longo de toda a fatia de ficcional de sua obra, Chuck criou personagens desconectados do sistema, do famoso Sonho Americano! Neste compêndio de artigos, crônicas e textos somos levados ao lado real desta subversão, apresentando a existência de universos alternativos e estranhos, formados por pessoas que buscam nada mais do que um sentido para a vida. Tudo o que é explorado aqui ganha ainda mais vida pela forma nada rebuscada com que é tratada, sendo que a realidade do texto, advém da sinceridade crua do olhar crítico de Chuck sobre o ser humano. Ele nos dá a senha para locais que não entraríamos por não sermos convidados e, em alguns casos, não entraríamos por simples temor, mesmo se convidados. Além disso, ele oferece reflexões sobre a literatura e seu envolvimento com ela e como os estranhos submundos do mundo real se conectam com seu universo literário. Quiçá, o mais indigesto livro, não só da lista, mas também da toda a obra de Chuck Palahniuk, mas também sua parcela mais importante….

 

3) “CLÍMAX” (2014)

climax-1Assim como Chuck faria em “Condenada”, esta obra é um alegoria com carga pesada de humor e sarcasmo trash. Em “Clímax”, seu objeto principal é o prazer feminino e como este elemento pode ser manipulado de modo que afete a sociedade, numa obra que às vezes se parece com uma simples sátira social ao efeito “50 Tons de Cinza”, se valendo até mesmo de uma gama proposital de clichês para criar um efeito pouco natural e alegoricamente “fingido” (outro clichê ligado ao orgasmo feminino). Nas mãos de Chuck, uma cena de violência sexual em público, sem que nenhuma atitude seja tomada pelas pessoas em volta, se torna uma forma de criticar a inércia da sociedade frente ao abuso que o marketing do consumismo comete diariamente em nossas mentes, violentando-as com as mais brutais técnicas de lavagem cerebral. Mas já adianto que este é o livro de sua obra que não oferece meio termo. É amar ou odiar…

 

Confesso que quis sair do lugar comum quando me propus a difícil tarefa de escolher apenas três livros de Chuck Palahniuk, um dos meus autores prediletos. Sendo assim, a primeira decisão foi tirar “Clube da Luta” de cena, mesmo porque não é necessário indicá-lo quando se fala de Chuck, a associação é quase implícita. Logo, me sinto na obrigação de citar mais algumas obras que valem muito a pena serem degustadas, sempre com mente aberta e capacidade interpretativa em dia: “Monstros Invisíveis” (1999), “No Sufoco” (2001), “Assombro” (2005), “Condenada” (2011) e “Maldita” (2013). Mesmo que alguns alardeiem sua transmutação numa máquina que simplesmente repete uma fórmula, confrontar-se com sua observação de mundo é salutar a qualquer mente que não esteja em stand by…

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