VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Cesar Costa Filho, "De Silêncio em Silêncio"

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Dia Indicado Pra Ouvir: Domingo;
Hora do dia indicada para ouvir: Dez da Manhã
Definição em um poucas palavras: Acústico, samba, classudo, Brasil.
Estilo do Artista: Samba/MPB.

Cesar Costa Filho De Silêncio em Silêncio GDB
César Costa Filho: “De Silêncio Em Silêncio” (1975, RCA Victor)

Comentário Geral: Pouco lembrado nos dias de hoje, o carioca Cesar Costa Filho pode ser considerado um dos maiores compositores da geração dos festivais universitários de música no Brasil, tendo músicas suas interpretadas por nomes fortes como Elis Regina, Beth Carvalho, Maria Creuza e Clara Nunes, colecionando parcerias com Aldir Blanc, Ruy Maurity, Ronaldo Monetiro de Souza e Jésus Rocha, além de marcas suas composições em novelas da Globo.

Ao lado de Ivan Lins, Aldir Blanc, e Gonzaguinha, Cesar foi um dos fundadores do MAU (Movimento Artístico Universitário), um grupo artístico-cultural dos anos 1970, e iniciou sua carreira discográfica em 1973, com o álbum “E os Sambas Viverão”, após alguns compactos de relativo sucesso. “De Silêncio em Silêncio”, lançado em 1975, é seu segundo trabalho, trazendo mais camadas de harmônias e letras que em sua primeira investida, fazendo deste álbum uma preciosidade a ser redescoberta.

Os maneirismos cheios de picardia do samba dão as caras na faixa-título, que abre o trabalho com arranjos de tempero jazzístico latino, e belas linhas vocais dissolvidas em harmoniosos andamentos tipicamente brasileiros.

Este conceito musical emoldura a bela letra do parceiro Jésus Rocha que contribui na co-autoria de nove as doze composições do trabalho, com destaque a “Como Formiga” (também com Laércio de Freitas, sendo uma composição talhada nos detalhes), “Massa Falida” (com singelos arranjos típicos do samba) e “Até o fim” (uma das três melhores do repertório, numa cadência envolvente).

A parceria com Jésus ainda rende bons momentos na balada de pormenores diferenciados intitulada “Na Palma da Mão”, e no clima jazzístico e intimista da poesia cotidiana de “Olha Rachel”.

Voltando ao início do álbum, encontramos as batidas graves auxiliadas por uma percussão estrutural permitindo o desenrolar das melodias envolventes na guitarra de Hélio Delmiro, que dialoga com versos sagazes de Paulo Cesar Pinheiro na malemolência elegante de “Eu, hein?”, seguida pela parceria com Sérgio Bittencourt que forja outra das três melhores do disco, intitulada “O Velho”, dona de arranjos de cordas melancólicos e periódicos, enquanto sua poesia é desfilada numa cama de melodias sintetizadas e guitarras acolhedoras.

Na verdade, a sutileza dos detalhes pincelados nos arranjos, com instrumentação diferenciada, dão versatilidade ao tradicionalismo de um estilo tão explorado. Neste sentido, a voz de Cesar também é o trunfo do sucesso destas composições, com fluidez afinada, técnica e sentimento aflorados, elementos muito bem explicitados na marcante “Tesoura Cega” que fecha o Lado A.

E até mesmo “Nosso Cordão”“Não Espere Mais de Mim”, que soam como sambas “ordinários”, possuem nuances grandiosas, fechando o disco com pontualidades geniais e pouco usuais ao estilo.

À época, Cesar sofreu por questões políticas, o que sabotou o reconhecimento e a promoção de seu trabalho, que merece urgentemente ser redescoberto pelas novas gerações. Ou seja, indiscutivelmente, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

 Ano: 1975
Top 3: “De Silêncio em Silêncio”, “O Velho”, e “Até o Fim”.

Formação: Cesar Costa Filho (voz e violão), Joãozinho (bateria), Luizão (baixo), Hélcio Milito e Chico Batera (ritmo), Hélio Delmiro (guitarra), Laércio Freitas (arranjos e regências, piano elétrico e piano acústico),  Guto Graça Melo (arranjos e regências), e Luiz Eça  (arranjos e regências).

Disco Pai:  Sérgio Sampaio – “Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua” (1972)  
Disco Irmão: Ivan Lins – “Modo livre”  (1974)
Disco Filho: Gonzaguinha – “De volta ao começo”  (1982)
Curiosidades: Cesar Costa Filho atuou fortemente na composição de músicas infantis que foram gravadas por nomes como Xuxa, Mara Maravilha, Angélica e Eliana, nomes vinculados a toda uma geração de programas infantis entre os anos 1980 e 1990.
Pra quem gosta de: Letras profundas, samba, mesa de boteco, MPB lado B, e cachaça.

Confira o álbum completo… 

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