ATUALIZANDO A DISCOTECA: Centrate, "Ritual" (2017)

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Centrate: “Ritual” (2017, Heavy Metal Rock) NOTA:9,5

É fato que a escola alemã ajudou a moldar o Thrash Metal. Bandas como Destruction, Kreator, Sodom e o Tankard, para citar apenas quatro delas, ajudaram a estruturar uma cena histórica na década de 1980, e início dos anos 1990, com cores mais brutais, primitivas, e agressivas, mas sem se privar da técnica.

Claro que a cena alemã também teve sua parcela do revés que o gênero sofreu como um todo em meados dos anos 1990 até o a primeiras década do novo milênio, mas, hoje em dia, temos um conjunto coeso de nomes representando a escola germânica, como Toxik Waltz, Dust Bolt, Fabulous Desaster, e o Centrate, que apresentou este seu primeiro trabalho, “Ritual”, em 2016, que ganha edição nacional via Heavy Metal Rock, em 2017.

O quinteto formado por Marcel Dippel (baixo), Manuel Ernst (bateria), Tobias Diehl (guitarra), Niklas Keul (vocais) e Chris Wömpner (guitarras) investe numa sonoridade agressiva e potente, mas bem oxigenada por passagens dinâmicas, guiadas por palhetadas precisas e riffs cortantes das linhas de guitarra bem trabalhadas que também são o alívio melódico em meio a toda a violência das onze faixas que completam “Ritual”.

Confira a faixa “In the Face of Death”… 

Todas as composições são trabalhadas aos detalhes, mas sem pompa ou pretensão, apresentando viradas inesperadas, e sempre rumando por um caminho pouco ortodoxo, todavia, sem cair no pedantismo caricato experimental e vanguardista. Ou seja, temos um disco de thrash metal que usa e abusa de tradicionalismos do gênero, remodelando-os de modo imprevisível, como bem mostra a impactante “Soul Collector”. 

Já “Old Man’s Table”, “Ritual”, e a bônus “Exorcism”, agradarão certamente os fãs do Sodom, ao mesmo que tempo reforçarão a personalidade da banda. Uma personalidade forte que parece não preocupar com a ortodoxia do thrash metal, fazendo o que querem com sinceridade e liberdade, o que pode deixar alguns conservadores melindrados.

Não que o Centrate caminhe assim tão fora da curva. A própria faixa de abertura, “Voodoo”, dialoga com referências clássicas, de modo técnico e envolvente, e junto a esta podemos destacar “In the Face of Death” (uma pedrada multifacetada), “Forever Mine” (uma das três melhores), “Soul Collector” (que resvala no thrash/black metal), “Infected” “Revenge” (com suas paradinhas mortais). Mas no saldo final, é diferente do que se esperava, pois fogem da estética germânica à todo momento.

Confira a faixa “Soul Collector”… 

Uma fuga feita pelos ganchos pesados, sinuosas e bem construídas melodias que costuram o que há da forma alemã do thrash metal com a prática norte-americana (existe algo de Slayer, Exodus e Megadeth diluído nos arranjos), oscilando entre o formalismo old-school e o frescor da modernidade dentro de uma personalidade tempestuosa, virulenta, obscura.

Claro que num álbum tão coeso e cativante cada faixa tem seu valor, principalmente por completarem um quebra-cabeças musical onde a banda tinha tudo para se perder, mas usou da criatividade como fulcro para estabilizar sua fórmula, principalmente no trabalho brilhante das guitarras. É notória também a preocupação com a construção das linhas vocais (agressivas e vomitadas) e de bateria (estas com personalidade sustentando as harmônias).

Em suma, a bateria seca, dotada de pressão, a boa timbragem das guitarras brutais e a liberdade sonora estão potencializadas por uma produção crua e nada pasteurizada, mas com o tom moderno suficiente para tirar qualquer aroma datado que possa surgir nas composições de sonoridade consistente, como num ritual thrash metal, sem buscar reinvenções, mas jogando com o que de melhor o gênero possui.

Por isso tudo, no fim, ficou a certeza de que este é um dos melhores discos de thrash metal que ouvi nos últimos tempos!

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