ATUALIZANDO A DISCOTECA: Cellar Darling, “This Is The Sound” (2017)

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Cellar Darling: “This Is The Sound” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA: 9,0

O trio Cellar Darling, formado na Suíça em 2016, já nasceu relevante, afinal nasceu após Anna Murphy (hurdy gurdy, Vocais), Merlin Sutter (bateria) e Ivo Henzi (guitarra) deixarem a banda de Folk/Melodic Death Metal Eluveitie, um dos maiores nomes de seu nicho.

E se por um lado muito se especula a respeito do futuro Eluveitie, parece que trio egresso de suas fileiras sabe muito bem o tipo de música que quer praticar, fato já evidente na ótima e envolvente “Avalanche”, faixa de abertura de “This Is The Sound”, primeiro full lenght, que anuncia mais melodia e uma amaciada na sonoridade desta sua nova fase.

Neste primeiro álbum, mostram uma abordagem mais leve que sua antiga banda, fundindo o peso do Rock Alternativo (mas não aquele em que guitarras são parte da seção rítmica) com fortes influências de folk que emolduram letras poéticas (reinventando contos populares com o frescor da modernidade), criando o que pode ser chamado de New Wave of Folk Rock, por uma identidade própria longe de seu passado recente, mas mantendo sua natureza musical.

Confira o clipe de “Avalanche”… 

Em sua maioria, as canções trazem ecos do que bandas como Lacuna Coil, Flowing Tears, e Within Temptation faziam com dinamismo e ousadia, mas trocando os motivos góticos por uma natureza folk pulsante, bem regrada na volúpia melódica e tentado se desvencilhar dos clichês (ouça “Water” “Rebels” para perceber como isso é feito por abordagens diferentes), dando uma forma moderna à sua sonoridade, sem desmerecer os elementos do heavy metal, que foge da desgastada fórmula.  

Neste sentido, temos um álbum inegavelmente criativo e cativante, com ótimos riffs, guitarras densas, refrãos grudentos, trabalho vocal esmerado, e uma cadência providencial dentro da atitude alternativa,  mantendo o apelo pop (advindo da voz sirênica de Anna, que brilha ainda mais na abertura de “Hedonia”) em alta rotação e harmonizado a passagens instrumentais mais elaboradas e ousadas, como nos mostram as faixas “Black Moon”, “Hullabaloo”, “The Hermit”, “Under the Oak Tree”, “Starcrusher” que chamam a atenção de imediato.

Confira o clipe de “Black Moon”… 

hurdy gurdy (chamada de viola de roda, é um instrumento musical de cordas friccionadas) de Anna guia as composições, seja com protagonismo (como na melancolicamente folk “Chalenge”), ou aclimatação das harmonias, ou até mesmo duelando com as guitarras (como no solo de “Hullabaloo”), e sua voz chega a lembrar a de Anneke Van Giersbergen em “Six Days”. 

E tudo fica pequeno defronte a beleza dramática desta composição, com sua variação quase progressiva de andamentos, texturas e sentimentos, mesclando peso das guitarras com vocais melodiosos e passagens climáticas que beiram o eruditismo.

Esta natureza progressiva também é pincelada em outros momentos do trabalho, mas de modo discreto, quase camuflado, salvo em “Hedonia” “Under the Oak Tree”, esta última, quiçá, a única capaz de rivalizar com  “Six Days”.

Confira o lyric video para “Challenge”… 

Ainda é importante salientar que cada uma das dez faixas tem sua particularidade, formando um mosaico de investigação musical por uma produção brilhante, bem contextualizada, amplificando as potencialidades e aparando as arestas, além de dar a vibração correta para que as faixas não soem alternativas ou pops demais, sem um tamanho padronizado, dando exatamente o que cada canção pede.

Ou seja, “This Is The Sound” é um cartão de visitas épico, teatral, dramático, e poderoso, dosando peso e sensibilidade melódica, mas também moderno, abusando do tempero musical alternativo, e o melhor de tudo, imprevisível.

A edição nacional ainda conta com três faixas bônus, com destaque aos brilhantes covers de de Tears For Fears e Queen, para “Mad World” “The Prophet’s Song”, respectivamente.

 

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