ABBA FOREVER: A banda que era um retrato dos anos 1970

Por  Paulo Lopes Raramente versões musicais de canções que são sucessos, ou não, mundo afora me agradam. E o grupo sueco ABBA, teve no Brasil, uma divulgação enorme, via torta, justamente pela grande quantidade de suas musicas que receberam versões em português . É preciso lembrar, que versões na maioria das vezes aproveitam apenas a melodia e arranjos musicais, mudando totalmente a letra, dando um novo sentido a obra criada originalmente pelo artista compositor. Alguns artistas –ou seus herdeiros- exercem um controle rígido sobre essas versões e não deixam serem gravadas faixas que deturpem ou mudem o sentido da gravação original. Há alguns anos, Rita Lee gravou um disco-homenagem com versões de musicas dos Beatles, mas várias canções foram bloqueadas por Yoko Ono, que não gostou de algumas dessas versões; Rita conta isso em sua autobiografia. Parece que isso nunca aconteceu com as músicas do ABBA no Brasil. Infelizmente. Por aqui rolaram versões – que foram sucesso- mas tinham pouco a ver com as canções originais do grupo. Quem não se lembra da Perla, não é? Uma bela paraguaia, que nos anos 1970, com seu sotaque carregado fez sucesso enorme com versões de " Fernando" e "Chiquitita" (por aqui se chamou "Pequenina" ), sucessos internacionais do ABBA. Tendo como origem Estocolmo, Suécia, a banda foi formada em 1972 e começou a galgar o sucesso após vencerem o Eurovisão, o maior festival de canções da Europa, em 1974. O nome ABBA é um acrônimo dos quatro integrantes da banda, Agnetha, Bjorn , Benny e Anni-Frid (Frida). Agnetha e Bjorn eram casados, bem como Benny e Frida. A partir daí os sucessos do quarteto alcançaram o mundo todo e na década 70, sempre esteve entre os campeões em vendagem de discos e no topo das paradas de sucesso. Caracterizada por ritmos impregnantes, letras simples e pelas vozes harmoniosas de Agnetha e Frida, as musicas do ABBA cativaram multidões. O grupo caracterizado como pop ou europop , foi um retrato da década de 70, nas roupas, nos arranjos musicais e, também, aproveitou-se muito bem do boom dançante da discoteca , visto que suas musicas já pela própria concepção era um convite a dança. O mundo inteiro ouviu e amou ABBA. Seus videoclipes (alguns podem ser conferidos no fim do texto), com as roupas extravagantes e multicoloridas, se espalharam em TVs do mundo inteiro e até, o hoje aclamado diretor Lasse Hallstrom(QUERIDO JOHN, AS QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO), fez um semi-documentário, ABBA-O GRANDE SHOW (ABBA-The Movie, 1977, que pode ser conferido neste link , infelizmente sem legendas), contando as peripécias de um jornalista para entrevistar o grupo durante uma turnê na Austrália. E ele também foi o diretor de quase todos os clips da banda. E as musicas? Opa!!! Temos aí um capitulo a parte. Em seus 10 anos de carreira, o quarteto sueco entrou em estúdio para gravar apenas oito discos; O restante ficou por conta de singles(compactos simples e duplos), hits , greatest hits , shows ao vivo, compilações, etc, etc... O primeiro disco foi “Ring Ring” (1973), lançado ainda fora da arrancada do grupo para o sucesso, mas posteriormente, graças a relançamentos, a musica título alcançou um relativo sucesso. Em 1974, foi a vez do álbum “Waterloo” ; E aí a coisa começou melhorar, porque canções como "Waterloo" , "Honey, Honey" e "My mamma said" , já se espalharam pela Europa. "Waterloo" , a canção, foi a vencedora do Eurovison, em 1974. O terceiro disco, de 1975, se chamou simplesmente “ABBA” , mas tinha hits do calibre de "Mamma Mia" , "SOS" e "I do, I do, I do, I do" ; Com esse álbum, a banda consolidou o sucesso. "Mamma Mia" chegou a ficar dez semanas no topo das paradas de quase todo o mundo. “Arrival” foi o quarto disco; Lançado em 1976 e pôs pelo menos mais quatro canções no topo de todas as listas. Olha só as musicas: "Dancing Queen" , "Knowing Me, Knowing You" , "Money, Money, Money" e "Fernando" . Foi, até então, o mais bem sucedido dos álbuns lançados pelo grupo. “The Album” foi lançado em 1977 e trouxe sucessos como "Take a chance on me ", "The Name of the game" e "Thank you for the music" . Em 1979, bem no meio da moda das discotecas, chegou as lojas “Voulez- Vous” , o sexto álbum. E, é claro, o ritmo que contagiava o mundo influenciou nitidamente a concepção do álbum. Mas isso não significou menos sucesso ou menos qualidade; As dançantes "Voulez-Vous", "Angeleyes" e "Does Your mother know" , tocaram nas pistas do mundo todo. "Summer Night City" é discoteca pura. E de quebra "I Have a Dream" e "Chiquitita", foram direto para o topo das paradas. Para se ter uma ideia do tamanho do sucesso, esse álbum vendeu, só no Brasil, um milhão e quinhentas mil cópias. Fecho de ouro pra uma década dourada. Discografia do ABBA entre 1973 e 1979... O ABBA estava no auge, vendia como nunca e era sucesso no mundo todo. Mas aí sobreveio uma daquelas mazelas do destino; Os dois casais, A+B e B+A , resolveram pela separação marido e mulher e essas mudanças pessoais refletiram em sua musica. Os dois últimos álbuns da banda, “Super Trouper” (1980) e “The Visitors” (1981) , não alcançaram o resultado comercial esperado. Mas cá entre nós, na opinião desse que vos fala –não sou crítico, sou apenas um fã – são os dois melhores trabalhos da banda. O que aconteceu foi uma leve mudança no estilo musical, agora mais elaborado e menos popular, optando por letras mais profundas e até algumas ousadias. O álbum “Super Trouper” - peço licença aos leitores que aqui vou falar como fã- é delicioso de se ouvir em todas suas faixas. Algumas tocaram muito no rádio, como "The Winner takes all" (que é cheia de referencias a separação dos casais) e "Andante, Andante" (melodiosa e cativante, foi prato cheio para mais uma versão, no Brasil, com Perla, é claro). "The Piper" tem uma batida com tons épicos. "On and on" é daquelas que a gente nunca escuta quieto, assim como "Me and I" . "Happy New Year ", "Our last Summer" e "Lay your love on me" , trazem implícita uma tristeza própria daqueles que se separam e mostram que as moças estavam afinadas como nunca. E finalmente, a belíssima "The Way Old friends do" , cantada quase acapela, ao vivo, é de uma sensibilidade enorme. Já em “The Visitors” (1981), fica mais evidente o novo caminho trilhado pelo grupo. Todo composto por canções fortes, muito voltadas para a realidade que o mundo vivia então. "One of Us" foi o maior sucesso de todo o disco e trazia reminiscências da separação de Agnetha e Bjorn, bem como "When all is said and done" , explorou a dor da separação de Benny e Frida. "The Visitors" e "Soldiers" são musicas contundentes pelo seu tom épico e pelo cunho politico.  “Soldiers write the songs that soldiers sing. The songs that you and I don’t sing...” iniciava o refrão. "Slliping through my fingers" (homenagem a Linda, filha de Bjorn e Agnetha) e "Like an angel passing through my room" (cantada e feita em homenagem a Frida), são mais intimistas, mas nem por isso menos intensas. Completam o álbum "Head over Heels", "I let the music speak" e "Two for the price of One" (entre poucas que trazem a voz dos rapazes em destaque). Pra muitos fãs esse é o melhor trabalho do grupo. Estou entre eles. Descontentes com o declinio comercial e desgastados pelos problemas pessoais e pelas longas e cansativas turnês o quarteto decidiu pelo fim do grupo em 1982. Não houve nenhum anuncio oficial ou coisa parecida. Acabou, acabando. Os rapazes Bjorn e Benny, continuaram trabalhando com musica; Eles produziram vários musicais, inclusive “Mamma Mia!” , que alcançou grande sucesso na Broadway, sendo posteriormente levado ao cinema em filme estrelado por Meryl Streep; O filme fez tanto sucesso que vem aí a continuação, “MAMMA MIA! LÁ VAMOS NÓS DE NOVO”. Agnetha e Frida, ainda tiveram, relativamente, bem sucedidas carreiras solo; Frida gravou seu ultimo álbum em 2005 e Agnetha ainda se mantem em atividade até hoje. Alguns fãs ainda sonham com uma volta do grupo e ficaram exultantes quando a poucos dias se anunciou que eles iam se reunir de novo. Mas tudo não passou de boato. O projeto, pelo o que ficou entendido, é reuni-los em apresentações virtuais(?) e também a gravação de uma canção inédita chamada “I Still have Faith in You” , que vai ser apresentada ao publico apenas no final de ano, em um especial para a televisão. De qualquer maneira vai ser bom vê-los reunidos na produção de algo novo. Mas o que vale mesmo é o que eles foram e fizeram. Isso não vai se repetir e é para sempre.…

ATUALIZANDO A VIDEOTECA: “DVD Roadie Metal vol. 1” (2017)

As coletâneas da Roadie Metal atingiram um alto grau de importância dentro do underground do Rock/Metal brasileiro, sendo que agora ousam num formato ainda inexplorado dentro do mercado nacional: o DVD! Como escrito no informativo livreto que acompanha o material, a ideia central do projeto surgiu da necessidade de criar algo diferente e inédito, resultando num produto  "inovador e audacioso  que visa única e exclusivamente   apresentar ao público, seja fãs, imprensa especializada e organizadores de eventos, o trabalho árduo que os músicos enfrentam para levar até você seus respectivos trabalhos." E a partir de agora, t enha em mente que todas as críticas e elogios aqui escritos estão ponderados pelo peso do respeito que temos por todos os nomes envolvidos na coletânea, pelo trabalho e dedicação ao Rock/Metal num país como o nosso, registrando que temos total consciência das dificuldades de se produzir clipes e álbuns sem incentivo. Heavenless: "Hatred". Talvez o clipe mais brutal e incômodo do primeiro DVD...   Mas se a imperfeição é inerente ao ser humano, é também natural que nem tudo seja louvável no material que inclui trinta e duas bandas, em dois DVDs, mais uma vez embaladas num inteligente e bem feito projeto gráfico. Sendo assim, existe meia dúzia de músicas que funcionam melhor sem os clipes, e um outro par delas que produziu melhor seu clipe que sua música - fato sintomático e preocupante. E o projeto gráfico é o primeiro ponto positivo da coletânea. Com embalagem esmerada em  digipack,  que já chama a atenção pelo cuidado da apresentação do material, impressão confirmada e reforçada pelo já citado encarte robusto, cheio de fotos, informações ricas acerca das bandas envolvidas, além da letra de cada uma das faixas contempladas com um clipe no DVD, e extras onde as bandas se apresentam, dando um complemento interessante ao encarte. Tellus Terror: "Blood Vision"...  Agora vem a minha única crítica negativa sobre a organização da coletânea. Em trinta e duas composições perfiladas, espera-se uma dinâmica de estilos e produções distintas, numa oscilação de qualidade que, para o bem ou para o mal, é o maior fator de envolvência com o produto final. Tenha em mente que vivemos numa época em que colocar um indivíduo concentrado em trinta e dois clipes seguidos é quase uma tarefa hercúlea se pensarmos que a música praticamente se tornou um artifício de segundo plano para a maioria das pessoas, quase como um complemento de ambiente. Por isso, acho que a divisão dos clipes foi feita de modo contraproducente. Explico. Na coletânea como um todo existe uma quantidade elástica de gêneros que vão do Death Metal ao Blues/Hard Rock, desde abordagens mais modernas às mais "conservadoras", mas o fato de concentrarem todas as  bandas de Metal Extremo no primeiro DVD acredito que foi prejudicial para a dinâmica do material! The Phantoms of the Midinight:  "Nightmare"...   Gosto muito de Metal Extremo, mas a torrente de agressividade e extremismo sem descanso, é, digamos, maçante. Condição reforçada pela forma com que os clipes dos gêneros mais extremos são construídos, algo que detalharei mais à seguir. E condição que não aparece no segundo DVD, indiscutivelmente mais interessante pela variação de gêneros que cria uma versatilidade cativante, contribuindo até mesmo para a maior assimilação das diferentes propostas e abordagens criativas dos clipes. Isso tudo posto, vamos aos clipes. Após conferir o material como um todo percebemos duas condições sintomáticas. A primeira é que às vezes um clipe com mais produção nem sempre funciona melhor, como, por exemplo, no caso de  "Blood Vision" , do Tellus Terror, presente no primeiro DVD, saindo do usual das bandas extremas com efeitos rebuscados de computação gráfica. Mesmo com a versatilidade e dramaticidade da composição e produção melhor que a apresentada pelo The Phantoms of the Midinight no clipe de  "Nightmare",  este segundo funciona bem melhor com seus efeitos simples, usados com criatividade, e aumentando o poder de uma música que fora enfraquecida pela produção de estúdio. Fallen Idol: "The Boy And the Sea"...   O segundo sintoma pode esbarrar em causas diversas, mas as bandas extremas precisam de um pouco mais de criatividade na hora de pensar seus vídeos. Afinal, a maioria que não traz o formato eficiente da banda tocando, seja em estúdio, ou no palco, são recriações da tensão do cárcere privado, ou da violência gratuita inspirada por filmes de terror, entrecortados por cenas da banda, reforçando clichês pouco criativos para ilustrar a violência musical do Metal Extremo. Nesse sentido, acho mais interessante, eficiente e positivo o que fizeram bandas como Voodoopriest, na ótima  "Juggernaut", apostando na energia do palco para ilustrar seu Thrash Metal energético (que refrão tem essa música), ou o Vorgok , na pesadíssima  "Hunger" , que se valeu de enquadramentos em close em um ambiente interno, e dinâmica de cortes seguindo os movimentos da música. Esta última sendo uma das abordagens que prendem dentro do universo dos clipes aqui compilados, como mostra o ótimo vídeo para  "Bleeding Hate" , do Division Hell. Vorgok: "Hunger"...  Ainda sobre o primeiro DVD, creio que nada é mais brutal e incômodo do que o clipe de  "Hatred" , da ótima banda Heavenless , numa crítica inteligente e agressiva às religiões, assim como fez a banda Fallen Idol, em  "The Boy And the Sea" , mas numa temática emocionante sobre refugiados, com cenas impactantes entremeadas pelas imagens da banda tocando. Por fim, gostaria de destacar mais alguns vídeos. No DVD 1:  "Immortal Blood" , do Monstractor, pela eficiência de luzes bem colocadas e efeitos simples de imagem e encenação; e  "The Beating Never Stops" , do Matricidium, contextualizado à violência urbana. No DVD 2:  "Believe" , do Elephant Casino, numa interessante crítica ao cotidiano moderno (tema também de "Take It Easy",  do Jäilbäit), e uma das melhores músicas da coletânea, junto com  "Blood Washed Hands"  do SuperSonic Brewer; e  "Wielding The Axe" , do Hellmotz, num clipe bem feito, e criativo na edição. Para mim, como material de divulgação a proposta do DVD é interessantíssima, pois aglutina nomes diferentes em imagem e som, mas em tempos de Y outube , para o público geral, pode ser relativamente complicado sentar e assistir o material por completo. Para estes, saibam que o melhor ficou para o final: de longe, mas de longe,  "Cuts Like a Razor",  do Razorblade é o melhor clipe do DVD, numa sátira inteligente e divertida da estética oitentista. Um dos melhores clipes que vi em 2017! Razorblade:  "Cuts Like a Razor"...   DVD 1 01. Voodoopriest – Juggernaut 02. Tellus Terror – Blood Vision 03. Death Chaos – House Of Madness 04. Krucipha – Reason Lost 05. Division Hell – Bleeding Hate 06. Tribal – Broken 07. No Trauma – Fuga 08. Core Divider – No War 09. Monstractor – Immortal Blood 10. Vorgok – Hunger 11. Heavenless – Hatred 12. Matricidium – The Beating Never Stops 13. Forkill – Vendetta 14. Ninetieth Storm – Death Before Dishonor 15. Usina – DEstruição e Morte 16. Cursed Comment – Luftwaffe DVD 2 01. Elephant Casino – Believe 02. SuperSonic Brewer – Blood Washed Hands 03. Demons Inside – Remorse, Infected Of Trauma…Remains 04. Jäilbait – Take It Easy 05. Apple Sin – Apple Sin 06. Cervical – Arquétipo 07. Gallo Azhuu – Bruxa 08. Exorddium – Heavy Metal 09. Magnética – Super Aquecendo 10. Basttardos – Despertar do Parto 11. Hellmotz – Wielding The Axe 12. Burnkill – Cadáver do Brasil 13. Fallen Idol – The Boy And The Sea 14. The Phantoms Of The Midnight – Nightmare 15. Dust Commando – P.O.T.U.S 16. Razorblade – Cuts Like A Razor …

ATUALIZANDO A DISCOTECA: Megadeth, Dystopia

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); "Uma das coisas que o Megadeth está vivendo, além do ressurgimento da música, é a amizade real entre os integrantes" Dave Mustaine E os primeiros ares de 2016 nos trouxeram um dos principais lançamentos musicais do ano no âmbito da música pesada. Principalmente para nós brasileiros,  "Dystopia" , o novo álbum do Megadeth, que recentemente adicionou o guitarrista Kiko Loureiro (Angra) à formação, foi de ansiosa espera. Logicamente, este fator poderia gerar um terreno perigoso, alicerçado pelas armadilhas da expectativa. Ainda existiam os fãs que esperavam o retorno da formação clássica da banda (com Marty Friedman e Nick Menza) amparados por rumores que pipocavam nos veículos de comunicação, dando um empurrão para as saídas de Chris Broderick e Shawn Drover, guitarrista e baterista, respectivamente. Mais tarde, saberíamos que toda esta atividade em torno  da reunião fora comandada pelo escudeiro de Mustaine, o baixista David Ellefson. Águas turbulentas passadas, o gigante do Thrash Metal americano anunciou nova formação e novas composições. E justamente quando somos expostos à densa, maciça e virtuosa carga de guitarras de "Dystopia" , vemos que o cenário de desventuras e rupturas foi superado, mais um vez, e enfim Dave Mustaine conseguiu oferecer aos seus fãs o melhor álbum do Megadeth, desde Youthanasia (1994), em uma nítida evolução de criatividade técnica musical. A abertura com a furiosa  The Threat Is Real  já nos mostra um impressionante desfile de eficiência metálica, em andamentos de guitarra que ecoam os melhores momentos do álbum  Killing Is My Business (1985). Não pense que este fato imprime um sentimento de auto-referência saudosista, pura e simples. As guitarras trampadas, a bateria com força cavalar e o baixo conciso foram uma constante durante toda a carreira da banda, bem como os riffs e solos cortantes em linhas de guitarras inspiradas e recheadas de virtuosismo. Neste contexto,  "Dystopia" não apresenta nada de novo. Todavia, o Megadeth caminha por um trilha moderna, lançando mão do que melhor apresentou musicalmente ao longo de sua história. A faixa título, que vem na sequência, corrobora de modo veemente este fato, encarnando espíritos da fase  Rust In Peace (1990), com linhas vocais instigantes e guitarras furiosas que produzem riffs insanos. Concordo que em alguns momentos a produção poderia soar mais orgânica, mas tendo em vista a temática gráfica de "Dystopia" , este clima levemente sintetizado que as faixas apresentam submerge os elementos típicos da banda em uma realidade musical alternativa. Tudo soa como uma coletânea de um Megadeth oriundo de um universo paralelo ancorado numa distopia digital e inorgânica. Dentro desta observação, os novos estilos impressos por Loureiro e pelo baterista Chris Adler (Lamb of God) foram indispensáveis para a sonoridade da banda ter uma vibração diferente das anteriores formações do Megadeth, principalmente pela técnica bestial (no bom sentido) que cada um demonstra em seu respectivo instrumento. O próprio Mustaine em recente entrevista corroborou esse fato dizendo que " quando você adiciona Kiko e Chris, que são grandes músicos, o céu o limite".  Inclui-se também neste pacote a forma diferenciada e mais sombria que Mustaine apresenta suas linhas vocais, fugindo dos antigos "ganidos" angustiados. De modo frio e direto,  Dystopia vem expandir as fronteiras sonoras da banda, sem tirar sua identidade, mas modernizando ainda mais sua formatação, enquanto nos guia por uma viagem ao longo de sua alternativa discografia. Fatal Illusion , por exemplo, é dinâmica, inteligente, multivariada e cheia de detalhes que remetem ao álbum  Peace Sells (1986). Já  Death From Within poderia estar enfileirada em uma versão distópica de  Youthanasia (1994), enquanto a belíssima  Poisoness Shadows  tem aquele tempero hard rock melancólico de  Cryptic Writings (1997), com andamento mais cadenciado, melancólico e envolvente, detalhes vocais sagazes e um andamento final ao piano (registrado por Loureiro) de beleza fria, compondo uma das melhores faixas de "Dystopia" , ladeada pela sensacional instrumental  Conquer Or Die . Apesar de remeter em diversos momentos à sua própria obra, a banda não padece de auto-indulgência, pois remodelaram seus elementos característicos e até correram alguns riscos, saindo da sua zona de conforto em alguns momentos. Definitivamente foram extremamente felizes ao forjar um conjunto de canções dinâmicas e oxigenadas, de audição fluida e nada cansativa. A ótima  Bullet To The Brain  contribui fortemente para esta situação positiva, investindo em efeitos interessantes e um refrão que remete diretamente ao que Alice Cooper fez no álbum  Dragontown (de 2001 e curiosamente um álbum conceitual ambientado numa espécie de distopia). Outras contribuições para a variabilidade envolvente de "Dystopia" estão em  Post American World  (sombria e cadenciada), na direta  The Emperor (com riffs roqueiros e remetendo ao injustiçado  The World Needs A Hero [2001])  e na veia punk  de  Foreign Policy . Acredito que se esta formação se estabilizar ao longo dos próximos anos, a reformulação da sonoridade do Megadeth poderá ser positivamente amplificada pela maior homogeneidade da união de habilidades dos músicos e do entrosamento que só a estrada fornece. É importante salientar que os quatro não haviam tocado juntos até começarem a produção de  "Dystopia" e esta leve folga nas engrenagens das composições ainda é perceptível em alguns momentos, mas nada que venha a prejudicar o resultado final do álbum, que certamente será um dos melhores de 2016. .…

IRON MAIDEN: A Auto-Indulgente Mesmice de “The Book Of Souls”.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); Sempre que se anuncia um novo lançamento do Iron Maiden, o frisson causado exalta paixões e irracionalidades que influenciam diretamente na avaliação do conteúdo musical apresentado no trabalho. The Book Of Souls  pode ser considerado um dos cinco mais importantes lançamentos do mundo do rock, quiçá, do mercado fonográfico em geral, neste ano de 2015. Sendo assim, passado o tsunami de empolgação pós-lançamento causado pela inflada "torcida" da banda, vamos conversar francamente sobre este importante álbum de 2015.  Speed of Light, primeiro single,   remete a  Fear Is The Key  e  Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático.  .  Um detalhe importante que acredito ter pesado nas avaliações que exaltam este como um novo clássico da banda é a infeliz doença de Bruce Dickinson. Parece incongruente, mas vamos a uma análise fria do desenrolar de acontecimentos. Já vi alardearem que este novo álbum é o melhor desde Brave New World ! Em meus ouvidos, as canções estariam mais próximas do progressivo e criticado A Matter of Life and Death , que é até melhor que este The   Book of Souls . Entretanto, o coração dos fãs mais extremistas foi amaciado pelo susto do triste diagnóstico que acometeu o vocalista. Uma notícia como esta plantou no imaginário dos fãs da banda uma maior possibilidade daquilo que vinha sendo ventilado desde o álbum anterior, The Final Frontier , de que aquele seria a última investida em estúdio da banda. Após esta possibilidade tão tangível da perda do que se ama, todo o abuso progressivo, outrora criticado em  A Matter of Life and Death,  é exaltado em  Book of Souls . Aos que não enxergam esta execração do álbum de 2006, lembro-vos de que a banda tentou de todas as formas fugir daquele padrão em  The Final Frontier , compondo peças mais diretas, algo completamente fora da proposta deste  Book of Souls , que retomou a extrapolação das texturas progressivas. Acredito que este último lançamento foi superestimado pelo alívio que os fãs sentiram a ver obliterado seu medo deste álbum não acontecer. Claro que a realidade de soar deveras progressivo não é fator depreciativo para este novo álbum do Iron Maiden, visto que Steve Harris, líder da banda, já declarara que " também há muito de progressivo " dentro das influências nitidamente advindas do classic/hard rock  na música do Maiden. Mas então o que faz de  Book of Souls um álbum ruim na minha avaliação? A verdade é que, tirando toda a empolgação que circunda o lançamento, The Book of Souls sofre de uma auto indulgência atroz e de um ufanismo de causar rubores. Quase todos os arranjos são previsíveis, as viradas já são manjadas e a sensação de "deja-vu" a cada nota de guitarra ou baixo é compulsória. Parece que desconstruíram seus maiores clássicos e fizeram colagens para chegar às "novas" músicas. Por exemplo, Shaddow Of Valley  foi Wasted Years em outra encarnação futurista, enquanto o exaltado single para Speed Of Light  remete a Fear Is The Key  e Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático. Não feche os olhos para a verdade irrefutável de que todas as investidas progressivas são receitadas requentadas dos dois álbuns anteriores. Quando as canções não se assemelham a colagens de seus próprios clássicos desconstruídos, como acontece nas faixas  The River Runs Deep  ou The Book Of Souls , a banda erra ao esticar em demasia as canções que, segundo os membros da banda, fora algo natural dentro do processo de composição. Pois bem, natural, mas desnecessário. Estas duas canções exemplificam de modo brilhante a falta de ousadia nestes arranjos longos e presunçosos, além das introduções exageradas. Doravante, estas canções serão esquecidas certamente. Pra não dizer que tudo foi perdido, Empire Of The Clouds  é um oásis de ousadia musical cercado pelo deserto de mais do mesmo. Uma canção diferente de tudo o que a banda já compôs, sendo quase uma rock-opera, sem perder a identidade da Donzela de Ferro. O próprio chefão Steve Harris teria dito ao compositor da peça, Bruce Dickinson, que esta era uma obra-prima, sendo uma despedida em alto nível caso este fosse o último álbum da banda. Além desta faixa, Bruce ainda compôs a dispensável If Eternity Should Fail , igualando o feito do álbum Powerslave , quando emplacou duas composições no tracklist do álbum. Segundo Steve Harris, não houve planejamento para a longa duração das faixas e, muito menos, o formato duplo para o álbum, que, ao contrário do que se pode pensar, não é conceitual. Penso neste novo álbum como apenas uma prova cabal de que muitos fãs de heavy metal cultuam apenas a mesmice dentro do estilo. Louvam o mais do mesmo! Concordo quando dizem que o Iron Maiden não tem nada mais a provar. Todavia, como já escrevi anteriormente, precisa ao menos tangenciar a genialidade para não simplesmente entrar em campo e achar que camisa ganha jogo. Um novo álbum da banda ferve o mercado fonográfico, pois os fãs do estilo são fiéis, sendo um dos poucos nichos onde ainda se registram vendas de álbuns físicos. Em poucos meses,  The Book Of Souls  já cruzou a marca de cem mil cópias vendidas , colocou o heavy metal em evidência, fazendo do estilo comentado até mesmo em horário nobre de domingo em canal de televisão aberta. Um banda do porte do Iron Maiden em plena atividade é importante, mas não feche os ouvidos para as fracas composições. Não se feche para a constatação avassaladora de que poderia ser bem melhor! Mas os tons que anunciaram os momentos mais recentes da banda tornaram superlativas estas fracas composições, cujo resultado cansativo e repetitivo é o mesmo que fez Virtual XI  ser arrasado pelas críticas. Se não fosse pela atuação indefectível de Bruce por todo o álbum, estas constatações não seria ignoradas pelos fãs da banda. A competência dos membros do Iron Maiden é indiscutível, sendo este fator um dos que mais elevam as expectativas daqueles qu e esperam músicas empolgantes e, até certo ponto, corajosas o suficiente para fugir de seus limites auto-impostos. Decepcionante é o mínimo que posso comentar sobre este "novo" (fiquei com a impressão de já ter ouvido-o uma década atrás) álbum do Iron Maiden, uma auto-indulgente demonstração de mais do mesmo. Se pela sua cabeça está passando uma indagação natural de qual seria o álbum deste ano, no heavy metal, melhore do que The Book Of Souls , procure os álbuns do Armored Saint, Paradise Lost, Angelus Apatrida, Soldir, Dr. Living Dead e Enforcer. …

5 passos do rock que levaram ao Heavy Metal

Neste texto, queremos seguir pelos cinco principais passos musicais que guiaram o mundo da música ate a explosão do amado Heavy Metal. Ou seja, cinco clássicos do rock que foram responsáveis por influenciar um sub-estilo que se mostrava em gestação.