UNIVERSOS PARALELOS: Ciência ou Ficção Científica?

Júlio Verne nos mostrou mais de uma vez que a ciência pode evoluir de um modo tal, que a ficção científica pode vir a se tornar realidade. Dos submarinos e viagens à Lua, até chegarmos aos dias de hoje, onde a ciência se abre para um nova possibilidade antes relegada ao cinema, literatura e produções televisivas. Estou me referindo aos universos paralelos. A ideia de que existem cópias de nosso universo, ou outros universos independentes, tem ganhado espaço cada vez maior dentre a comunidade científica. Em grande parte, esta abertura para novos pensamentos se dá pela nossa incapacidade de explicar a origem do universos em que estamos alocados. Desde as primeiras civilizações tentamos dar um sentido, não necessariamente lógico, para o advento do nosso universo. Universos Paralelos: Estaríamos às portas de novas considerações científicas antes relegadas à ficção? Passamos pela fase em que nossa gênese era descrita como uma mera separação entre céus, terra e água, criados por um mediador entre céus e terra. Com o passar dos tempos, estas formas de explicar como viemos a existir se tornaram lendas, parte de folclore e bases religiosas, sendo a busca de uma justificativa científica para o advento de nosso universo o Santo Graal da ciência moderna. Esta cruzada científica tem como arma principal o telescópio, que, apesar de toda a sua evolução, ainda possui um pequeno calibre para o vasto terreno que buscamos desbravar. Além do mais, a medida que tomamos contato com algumas respostas, surgem inúmeras questões ainda mais complexas. Tivemos o problema da geometria do universo, Edwin Hubble detectou sua expansão, já encontramos indícios de uma desaceleração desta condição e, agora, nosso problema se resume a uma tal singularidade. Singularidade : O problema que aparece ao tentar se descrever o início dos tempos pela teoria de Einstein, tem desafiado os cientistas por algumas décadas. Esta singularidade é uma pedra tão grande no sapato dos cientistas que os tem feito olhar para outras direções em busca de respostas.  A história nos mostra que somos defensores de uma linha de raciocínio até que outra mais apropriada apareça. Ao que tudo indica, este comportamento se repete agora, quando uma parcela da comunidade científica começa a se interessar pela teoria de que nosso universo é apenas um de muitos. Este pensamento ganhou o mundo em 1954, quando um aspirante ao doutorado da Universidade de Princeton propôs a teoria dos Universos Paralelos. Hugh Everett conjecturava, em sua corajosa teoria, a existência de universos derivados do nosso, como cópias, sendo o nosso derivado de outros universos, todos eles estando interligados. Estes universos seriam gerados pelos mesmos caminhos, mas culminando em consequências diferentes. Para exemplificar, pensemos em algo concreto. A Segunda Grande Guerra Mundial poderia ter sido vencida por um dos dois lados. Cada uma destas possibilidades gera um universo diferente. No nosso universo, o grupo de nações liderados pela Alemanha saiu perdedor, mas, em um outro universo paralelo, eles saíram vencedores e o mundo é completamente diferente. O autor Philip K. Dick explorou este exemplo em sua magnifica obra literária O Homem do Castelo Alto,  indicada como uma das 22 obras para conhecer a ficção científica . Ou seja, cada possibilidade estaria ligada a um universo diferente. Após mais meio século, esta teoria sai das páginas dos livros de ficção científica, graças à nossa incapacidade de contornar o problema da singularidade, que vem da falha na teoria de Einstein em descrever o início dos tempos, como se voltássemos o filme do universo até o ponto onde tudo se agrupava antes do big bang . Universos Paralelos : A ideia de que nosso universo é apenas um de muitos começa a ser acolhida.   A dificuldade de explicar nosso universo tem levado nossos cientistas a considerarem novas teorias. Porém, a teoria do Multiverso esbarra do problema de não poder ser testada e a cosmologia moderna se tronou basicamente experimental. O obstáculo volta exatamente à singularidade, pois toda a informação que temos está limitada pela distância que a luz pode percorrer até o início dos tempos. Mesmo assim, a teoria do Multiverso ganhou um forte defensor, o americano Brian Greene, grande nome da cosmologia e da física de partículas. Em seu livro Realidade Oculta , Greene se vale de fórmulas matemáticas para mostrar a existência de realidades paralelas. Ou seja, matematicamente as realidades paralelas são uma possibilidade e ele imaginou nove conceitos de universos paralelos em sua obra. Em um destes cenários, nosso universo se originou em um de vários big bang's , como bolhas de sabão estourando no meio de um banho de bolhas de sabão. Noutro cenário, as dimensões paralelas circulariam dentro das bolhas. A mais complexa destas propostas de Greene imagina que seríamos cópias holográficas de uma realidade paralela. Para elucidar um pouco mais este instigante tema, deixo o vídeo de uma das melhores séries científicas produzidas nos últimos anos e já apresentada neste blog, trata-se de  Through the Wormhole  (para acessar o texto, clique aqui ). O Multiverso é Pop A teoria dos universos paralelos não é algo tão recente como imaginamos. John Dee, um "mago" do século XVI já propunha a existência de Terras interligadas que podiam se conectar na Groenlândia. Esta é a teoria mais excêntrica de John Dee, mas ainda não tivemos a capacidade de invalida-la por argumentos que não esbarrem em nossa ignorância científica. Segundo ele, nosso planeta Terra não seria exatamente redondo, além disso, a Terra seria composta de várias esferas superpostas alinhadas ao longo de outras dimensões. Entre cada um destes corpos esféricos existiria um ponto de tangencia que funcionaria como superfícies de comunicação e no nosso plano dimensional tal superfície seria a Groenlândia. Por este motivo, orientou os governantes do Império Britânico sobre a necessidade de dominar aquele gelado terreno (para saber mais, clique aqui). Claro que neste período o termo "universo paralelo" ainda não havia sido cunhado e, posteriormente, ficou relegado à ficção. Os universos paralelos foram utilizados da mais diversas formas dentro da cultura pop. Stephen King se valeu do mundos paralelos em sua genial série literária  A Torre Negra e Philip K Dick criou toda uma realidade paralela em O Homem do Castelo Alto , que ainda imprime um terceira realidade paralela dentro da sua proposta. Na saga Star Wars  as naves se utilizam dos universos paralelos para driblar o lime de velocidade do nosso universo.   Philip Pullman é um escritor inglês que também se valeu do multiverso em sua obra. Responsável pela saga  Fronteiras do Universo , que compreende três livros:  A Bússola de Ouro, A Faca Sutil  e  A Luneta Âmbar , ele ambienta sua trilogia através de um muitiverso, deslocando sua história por diversos mundos paralelos. O primeiro livro da série se dá em um mundo aos moldes do nosso na era vitoriana, onde o mais notável meio de transporte era o zepelim. Este seria um universo paralelo ao nosso, onde, por exemplo, as igrejas cristãs são unificadas e João Calvino foi um Papa de uma igreja referenciada como Magisterium, que controla todo o mundo ocidental e oriental. Apesar de parecer um universo paralelo mais atrasado, eles possuem conhecimento de metafísica e de física quântica. Usando uma amostra de DNA, uma pessoa pode acompanhar outra de qualquer universo paralelo e perturbar o tecido do espaço-tempo para formar um profundo abismo do nada, forçando a vítima a sofrer um destino muito pior do que a morte normal. Em Star Wars, o maior fenômeno pop da ficção científica, o "problema" do limite da velocidade da luz que os elementos dos nosso universo estão sujeitos é solucionado com um salto para o hiperespaço, enviando a nave para outra dimensão paralela onde não exista esta barreira de velocidade. Entretanto, nenhuma outra produção se valeu de modo tão eficiente quanto a série Fringe. Já considerada um clássico da ficção científica moderna, esta produção seria um híbrido das produções Arquivo X e Além da Imaginação , mas aqui os universos paralelos são protagonistas do enredo. No seriado três agentes de um divisão especial do FBI usam a ciência para solucionar mistérios que tem como ponto central as viagens entre dois (ou seriam mais?) universos paralelos. A história se desenvolve de modo tão conciso que na quarta temporada existe uma verdadeira batalha entre os dois universos. No mundo das HQ's, principalmente as produzidas pela DC Comics, as abordagens em realidades paralelas são inúmeras, com variantes interessantes, mas que pela riqueza de detalhes merecem uma postagem restrita a tal tema. Fringe: Trailer da 4ª temporada. …

“Shut Up And Dance”: Sobre um Episódio de Black Mirror

por Marcelo Lopes Vieira e Isabela Barcelos "Shut Up And Dance" - Black Mirror Episódio 3/ Temporada 3. Direção de James Watkins; Escrito por Charlie Brooker e William Bridges. Exibição original em 21 de outubro de 2016.   Poucas foram as produções que causaram tanta efervescência quento a série Black Mirror. Se pensarmos que suas três temporadas somam apenas treze episódios esse superlativo em torno da série se justifica ainda mais. A força da produção se encontra em aproximar os problemas tecnológicos de um futuro assim não tão distante do nosso, e que em várias ocasiões seguem como alegorias para nossa realidade, no entanto, com contornos de pesadelo, tornando o surrealismo quase "magritteano" , como das artes plásticas, de estranheza onírica. A primeira leva de episódios, que compreende as duas temporadas iniciais, foi produzida entre os anos de 2011 e 2014, e traziam uma tônica mais incômoda, desenhando uma paisagem angustiante, instigante, chocante e perversamente divertido. E como a estrutura da série segue o padrão de antologia de contos, onde cada episódio tem trama própria, diretor e elenco, está dose de pesadelo é mais potencializada. Confira uma apresentação da terceira temporada da série "Black Mirror"...  Nestes primeiros episódios, a invasão de privacidade, exposição íntima, julgamento popular (no impactante episódio "White Bear" ) e a possibilidade de controlar a realidade era explorada de modo mais crú e impactante, o que não aconteceu nos demais episódios lançados em 2016, em parceria com a Netflix. De todos os episódios da série, considero o especial de Natal, lançado em 2014, intitulado  "White Christmas" , a obra-prima dentro da proposta de Black Mirror, mas no quesito utilidade pública dentro de nosso cotidiano atual, acredito que o episódio " Shut Up And Dance"  é quase didático, principalmente para uma geração que já nasceu inserida numa era digital, e que simplesmente se utiliza da internet e dos aplicativos. Nesse episódio, uma armadilha virtual coma mesma engenharia dos spams que nos assolam todos os dias via e-mail e afins, corrói o cotidiano de um jovem de um modo acachapante. "Shut Up And Dance": Um episódio onde o protagonista podia ser você... Obviamente, este não é o episódio que te leve a uma maior reflexão humanista dentro da terceira temporada (nesta tangência eu escolheria o episódio  "Men Against Fire" ), mas sua urgência quase didática, como uma parábola dentro da era digital, deveria rotulá-lo como obrigatório a cada adolescente. Com isto em mente, convidei Isabela Barcelos para que assistisse esse episódio e tecesse seus comentários acerca deste episódio de Black Mirror. Sobre um episódio de Black Mirror por Isabela Barcelos. No episódio assistido, temos Kenny; um garoto comum que passa parte de seu dia trabalhando em uma agência fast-food, e tem uma boa convivência com a família; com os amigos eu não opino pois tudo que vi foram os colegas de trabalho dele o azucrinando. Depois de chegar em casa após mais um dia de trabalho, o protagonista se põe a fazer uma coisa... normal principalmente para homens; não só para homens, mas, enfim... Antes disso ter ocorrido,sua ADORÁVEL irmã fez questão de visitar um site para assistir filmes grátis que só serviu para implantar um Malware daqueles. Depois de "limpar" o estrago, achando o que tinha ficado por ali, além de atrair um Malware, atraiu um hacker. Um hacker que estava disposto a fazer de tudo para que 'ken' o "entretece". Entrou em sua câmera e filmou toda aquela ''cena''; para 'facilitar a vida do jovem, com o material que havia coletado, chantageou- lhe falando que iria mostrar o vídeo para quem quisesse ver; inclusive sua mãe. Por ele achar que aquilo era muito grave e que seria alvo de "causação" na web, e que de fato seria, fez tudo o que o hacker pediu sem saber que tudo que estava fazendo era apenas para colocar algo maior em sua ficha e realmente ser acusado de algo. Kenny fez tudo achando que faria o desconhecido não expor o maldito vídeo, mas, só quando tudo aquilo acabou ele pode perceber que estava apenas divertindo alguém que estava pouco se lixando com sua vida. Além de expor o vídeo na internet e para mãe de Kenny, falou que eram crianças sendo assistidas pelo filho; dando a ideia de que ele era um pedófilo e ter uma fila completa de crimes realizados em apenas um dia. Todos nós sabemos que a internet é um ótimo meio de se entreter, comunicar ou até mesmo trabalhar; mas quando falam que ela é perigosa por vírus transmitidos por anúncios, páginas comuns acessadas no dia-a-dia, fotos postadas em redes sociais ou sites, ou até mesmo estranhos que você pode ir a conversar através de uma tela; acredite. Você não vai querer se passar por Kenny um dia sequer. Cubra as câmeras de seus dispositivos com fita ou qualquer outra coisa que tampe a visão dela; limpe seu dispositivo de vírus, malware e outros, mesmo não estando totalmente prevenido contra isso,você está agindo contra algo que venha invadir sua privacidade ou da sua família. Isso vale tanto para adolescentes,como eu, quanto para adultos. …