IRON MAIDEN & LITERATURA: A Besta, o Poeta e a Guerra da Crimeia

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true });   Vivemos momentos diplomaticamente tensos na história recente. O foco desta tensão se localiza numa península europeia banhada pelas águas do Mar Negro denominada Crimeia, que se destacou nas mais diversas mídias jornalísticas. A história conta que no decorrer dos séculos a região foi disputada pelas mais diversas potências mundiais. Girando os ponteiros do relógio em sentido contrário, percebemos que desde 700 a. C. a península da Crimeia passou pelo domínio de cimérios, gregos, romanos, bizantinos, turcos otomanos, União Soviética e Alemanha Nazista . Recentemente, a disputa pela região se dá entre Ucrânia e Rússia, mas a busca pelo controle desta região não é novidade e não entraremos nas razões desta região ser objeto de desejo das mais diversas nações no decorrer da história. O conflito que nos interessa hoje e se ambientou nesta região do mundo ocorreu entre 1853 e 1856, tendo em lados opostos o Império Russo (com claro interesse expansionista) e uma coligação que unia ingleses, franceses e otomanos. Dentre as mais importantes batalhas deste conflito está a Batalha da Balaclava, travada em 25 de outubro de 1854, sendo o segundo maior embate do conflito. Muito além da importância histórica, esta batalha e seu trágico desfecho para os britânicos, foi a inspiração para um dos maiores poemas em língua inglesa já escrito até os dias de hoje e, consequentemente, inspiração para um dos maiores clássicos do Heavy Metal ( para entender como esse gênero musical nasceu, temos esse post ). Um fator importante nesta guerra da Crimeia (e que será determinante para a composição do poema em questão) é a pioneira presença de correspondentes de guerra, onde muitos deles mostravam uma posição crítica frente a gerência das tropas inglesas nas batalhas. Meu interesse neste texto está longe do academicamente histórico (assim, já peço perdão por algum erro crasso nesta área de conhecimento), mas é amarrar a região, que hoje encara mais um conflito por seu controle, com uma das maiores bandas de heavy metal da história da música e, também um grande poeta, responsável por dar os moldes aos poemas de guerra e compor alguns dos maiores versos em língua inglesa. Iron Maiden: The Trooper (1983) : Um dos maiores clássicos do heavy metal fora inspirado por um dos grandes poemas da língua inglesa. Esta combinação elevou o lado intelectual do estilo no início dos anos 80.   The Trooper: IRON MAIDEN & LITERATURA Em 1983, o Iron Maiden havia dominado o mundo do heavy metal com seu último álbum lançado no ano anterior e saboreava a tranquilidade de um conjunto cuja mudança na formação dera extremamente certo. O próximo passo seria mais um álbum, que veio na forma de Piece of Mind , naquele mesmo ano. Talvez um álbum menos valorizado na discografia recheada de clássicos máximos, onde a sonoridade se transformava, sendo adicionada por elevados aspectos técnicos. Entretanto, a maior contribuição deste álbum seria a forma de trabalhar as letras, investindo em conceitos como guerras, filmes e livros. Não que estes elementos não existissem antes, mas a partir deste álbum se tornariam características marcantes da banda, em parte por influência do vocalista Bruce Dickinson. Os dois grandes clássicos de Piece of Mind refletem exatamente esta nova preocupação com as letras. Flight of Icarus envolvia parte do mito de Ícaro e seu sonho de voar com asas de cera e The Trooper , uma das melhores canções da banda, apresentada até hoje nos shows, trata da Guerra da Crimeia em 1854 e fora inspirada pelo poema The Charge of the Light Brigade de Alfred Tenyson.  Nesta canção, se utilizaram de uma referência direta ao poema de Tennyson, narrando a morte de seiscentos soldados em vão. Os termos utilizados não nos deixam dúvidas e os versos iniciais "Você tira a minha vida, mas eu tiro a sua também", podem ser utilizados para motivar o soldado que segue para a batalha de modo a dar-lhe confiança quanto a vitória certa.   A associação com o poema de Alfred Tennyson é confirmada por Steve Harris : "The Trooper é baseada na guerra da Crimeia entre russos e ingleses". Alguns versos do poema são introduzidos nas imagens de batalha que aparecem no clipe da canção, reforçando ainda mais a inspiração para a letra que está intimamente ligada ao ritmo cavalgado da canção .  Esta não foi a única incursão da band inglesa dentro do tema das guerras. No decorrer dos seus álbuns, sejam os precedentes, ou posteriores a Piece Of Mind , o assunto sempre esteve em voga, de alguma maneira. Sobre esta característica, o líder Steve Harris comenta : "A maioria das músicas sobre guerra que fizemos não foi como glorificação da guerra. Sempre ouvi sobre como me orgulhar da bandeira britânica e tudo o mais sobre o cumprimento do dever. Algumas de nossas canções tentam colocar o ouvinte nesta situação, perguntando o que ele sentiria." Entretanto,  The Trooper , segundo o próprio Harris é uma resposta às acusações de que estavam em parceria com as forças do inferno. Após o lançamento do álbum anterior, The Number of the Beast , o Iron Maiden fora acusado de associação ao satanismo e The Trooper  seria uma resposta para os fanáticos religiosos que fizerem difíceis os dias da banda durante a divulgação daquele álbum, mostrando que a banda estava longe do satanismo e estes versos vieram como uma forma de elevar o heavy metal a um patamar mais intelectual. Como  uma das bandas mais influentes do cenário metálico, a Donzela de Ferro contribuiu fortemente com a evolução lírica do estilo. Dentre todas as canções produzidas pelo Iron Maiden até 1983, The Trooper era a mais poderosa. As melodias vocais de seus versos iniciais remetem a certos coros motivacionais militares, mas com atitude heavy metal. O riff composto para abrir este hino do heavy metal tenta simular o ritmo dos galopes dos cavalos da batalha descrita na letra e o baixo de Harris não fica para trás neste galope metálico. Até Paul Di'anno, já fora da banda no lançamento de Piece Of Mind, admitiu que a performance de Bruce Dickinson nesta canção a transformava em uma das pérolas máximas do Maiden. Na próxima vez que a ouvir, sinta os versos da canção como as palavras de um membro da cavalaria britânica que corre de uma maneira suicida contra um flanco de russos que querem seu sangue. Esta é a essência desta canção... Um poema clássico para uma batalha épica Para muitos estudiosos da língua inglesa, o poema de Tennyson que inspirara a banda inglesa é a obra mais familiar da poesia neste idioma.  No poema de Tennyson, o sacrifício inútil dos soldados em busca da glória de sua nação é apresentada como uma contribuição necessária para o progresso do Império Britânico. O conjunto dos versos formam uma resposta às notícias que flagravam as pesadas e desnecessárias baixas na cavalaria na guerra da Crimeia em 1854, onde russos e ingleses disputavam o domínio da região. Os primeiros versos do poema, que aparecem na introdução do clipe da canção The Trooper  são, em tradução livre, dados da seguinte maneira: meia légua, meia légua  meia légua para a frente, todos no vale da morte cavalgaram os seiscentos "avante, brigada ligeira!" carga de armas!", ele disse:  dentro do vale da morte cavalgaram os seiscentos. Por estes versos temos a real noção de que este poema fora feito de forma a justificar e motivar o espírito guerreiro após uma investida ruim no campo de batalha. A repetição de palavras fortes em ritmo sincopado pode alavancar a euforia e o patriotismo em versos lidos em voz alta e carregados da emoção correta. O que as manchetes contavam é que os Ingleses estavam em guerra com a Rússia, na Crimeia, em 1853, tendo como aliados a França e o Império Otomano. No dia 25 de outubro de 1854, a Batalha da Balaclava decorria com toda a sua sangria. A Brigada Ligeira, uma tropa de setecentos cavalos, dirigida por Lord Cardigan, tinha como missão recuperar alguns canhões russos abandonados. A empreitada foi mal interpretada e a brigada se dirigiu para a concentração principal da artilharia russa, onde pereceram algumas centenas de homens. A polêmica se instalou desde então em cada forma como esta investida mal sucedida é contada. Alguns historiadores alegam que as decisões foram tomadas de modo afoito, outros colocam a culpa na vaidade e rivalidade dos comandantes das tropas e ainda se discute de quem foi erro: a boca que deu a ordem ou as mãos que a executaram. Alfred Tennyson publicou seu poema em 2 de dezembro do mesmo ano e alguns historiadores divergem da versão que o teria escrito em alguns minutos, depois de ler a narrativa da batalha em um periódico. Apesar de simples, os elementos presentes neste singular conjunto de versos demonstram uma total magia na forma de escrever por parte do autor. Na notícia eram relatadas setecentas baixas, mas Tennyson trocou para seiscentos por ser metricamente melhor em sua opinião. Charge of the Light Brigade , obra de Richard Caton Woodville, Jr Sem sombra de dúvidas Alfred Tennyson criou todo o simbolismos para um belo poema de guerra, que apresenta um ritmo empolgante e exalta as glórias de um honrado soldado que se sacrifica em prol do desenvolvimento de sua nação. Em contrapartida, inspirado por Lord Tennyson, o Iron Maiden, baluarte máximo do heavy metal, compõe uma das melhores canções sobre guerra que já fora registrada, com instrumental que remetia ao som de uma cavalaria em pleno ataque, versos que colocam o soldado camicaze em primeiro plano, quase confessando suas sensações durante sua investida suicida. De todo modo, ambas as obras tem seu caráter romântico. O poema de Tennyson vem embotado de um sentimento consternado de nacionalismo abalado por uma grande derrota parcial, já a canção do Iron Maiden traz um sentimento saudosista de uma era onde o heavy metal dominava o mundo da música, clássicos eram produzidos quase que diariamente e mesmo diante desta gama de boas bandas e discos, os ingleses se destacavam pelo diferencial intelectual de suas letras que iam muito além das ingênuas odes aos deuses do metal. Alguns podem alegar que o o fator intelcetual já estava presente desde os primeiros álbuns, mas perto de The Trooper , canções como The Phantom of The Opera ou Murders In The Rue Morgue  (ambas inspiradas em grandes obras literárias direta ou indiretamente) não possuem tanta maturidade musical e lírica. Para finalizar, é interessante lembrar que o poema de Tennyson ainda inspirou uma produção cinematográfica americana, em 1936, que leva o título do poema. Entretanto, os acontecimentos históricos servem apenas como pano de fundo para uma triângulo amoroso que envolve dois irmãos, um major e um capitão britânicos, que amam a mesma bela mulher. A versão cinematográfica é apresentada abaixo e o poema na íntegra pode ser encontrado ao fim da postagem. Postagem escrita ao som de: 1) Iron Maiden: Piece Of Mind 2) David Coverdale: Northwinds 3) Bad Company: Run With The Pack 4) Eletric Light Orchestra: No Answer * Abaixo o poema de Alfred Tennyson pode ser conferido na íntegra, em tradução livre. A carga da brigada ligeira Meia légua, meia légua, meia légua em frente, todos no Vale da Morte cavalgaram com os seis centos. “Para a frente a Brigada Ligeira! Carreguem contra as armas!”, disse ele. Para o Vale da Morte cavalgaram os seiscentos Para a frente a Brigada Ligeira! Havia algum homem desanimado? Todavia, o soldado não sabia De algum que tivesse disparatado. Eles não têm de responder, eles não têm de se perguntar, eles só têm de fazer e de morrer. Para o Vale da Morte cavalgaram os seiscentos. Canhão à direita deles, canhão à esquerda deles, canhão à frente deles saraivaram e trovejaram; atingidos por balas e obuses, com audácia eles cavalgaram e bem, para as mandíbulas da Morte, para a boca do inferno cavalgaram os seiscentos. Reluziram todos os seus sabres despidos, reluziram ao rodopiarem no ar sabrando os artilheiros lá carregando contra um exército, enquanto todo o Mundo se maravilhava. Mergulhados no fumo das baterias através da linha deles romperam a direito; cossacos e russos cambaleantes das sabradas estilhaçaram-se e fenderam-se. Então eles cavalgaram para trás, mas não, não os seiscentos. Canhão à direita deles, canhão à esquerda deles, canhão à frente deles saraivaram e trovejaram; atingidos por balas e obuses, enquanto cavalos e heróis caíam, eles que haviam lutado tão bem vieram através da mandíbulas da Morte, de volta da boca do inferno, tudo o que restava deles, o que restava dos seiscentos. Quando irá a sua glória desvanecer-se? Oh, a carga bravia que eles fizeram! Todo o Mundo se maravilhou. Honrem a carga que eles fizeram! Honrem a Brigada Ligeira, Nobres seiscentos …

Dia Mundial do Rock: Investigando as raízes do rock!

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true });   Chegamos a uma das semanas mais especiais do ano para este vos escreve, afinal, não é todo fã de rock n' roll que pode comemorar seu aniversário ao mesmo tempo em que festeja o Dia Mundial do Rock. Felizmente eu tenho essa benção! Mas, nesta manhã invernal, quero discutir o motivo de ser 13 de julho o dia escolhido para aniversariar este estilo musical que já é quase um sexagenário. Para muitos, acredito ser mais do que conhecido o fato que levou esta data a ser escolhida como marco para louvar o estilo musical que mais contribuiu com a cultura pop no século XX, mas quero levantar outras questões no meu texto, que não são propriamente novas, mas que possuem análise mais do que interessante. Aos que desconhecem o motivo do aniversário do rock ser nesta supersticiosa sexta-feira, 13, hoje será o dia da descoberta e, além disso, ganharão algumas observações roqueiras como bônus da festa. Atenção! Os que já são cientes da história peço que continuem lendo, pois tentei fazer tudo de uma forma um pouco mais diferenciada dos textos que são tão costumeiros nesta época do ano. No fim da postagem, apresento uma lista das principais canções do rock que ajudaram a construir os primeiros quinze anos do estilo.   Long Live Rock N' Roll... Rock N' Roll... quase um sexagenário! Todo mundo sabe que o Rock n' Roll é descendente direto do Blues, neto do Jazz e pai do Heavy M etal. Mas existe uma questão que não possui uma resposta aceita de olhos fechados por esbarrar na interpretação cultural dos historiadores, apesar de existir um consenso convencionado: qual o marco zero do rock n' roll? Os registros oficiais nos dizem que o rock veio ao mundo em 7 de julho de 1954 quando um jovem motorista de caminhão de apenas 19 anos foi ao ar, na rádio WHBQ, na cidade de Memphis, com uma gravação da canção That's Alright Mama.   Quem apertou o play daquela gravação improvisada foi o pioneiro disk jockey J. Dewey Phillips e aquele dia foi estabelecido como o ponto de partida do rock n' roll.   That's Alright Mama , Elvis Presley.   O dono da canção era um guitarrista negro chamado Billy Crudup, mas a voz que ecoava da transmissão, ao lado do baixo de Bill Black e da guitarra Scotty Moore, era de Elvis Presley, que  começava a construir seu reinado naquele dia, onde foi entrevistado por Phillips. A gravação que impactou a todos foi realizada num pequeno estúdio da cidade de Memphis, denominado Memphis Recording Service, que se localizava na 706 Union Avenue e forma extrovertida e peculiar de interpretar a canção chamou a atenção de Sam Phillips, proprietário do estúdio. Desde a execução daquele primeiro sucesso de Elvis, a data , 7 de julho de 1954, ficou conhecida e firmada como o dia do nascimento do rock n' roll, mas nem mesmo o dono da performance precursora se considerava o primeiro. Alguns anos mais tarde, já no auge do sucesso, Elvis constantemente tirava de si os créditos da criação do rock. Mas se não seria Elvis o pai do rock, então quem o seria? Elvis Presley. Não foi ele quem inventou, mas foi ele quem deu a cara do rock nos primórdios. O Diabo é o Pai do Rock Raul Seixas, emblemático rock star tupiniquim, já cantava a fartos pulmões, faz tempo, que o diabo é o pai do rock. Sua afirmação vem do que muitos já sabem da história da música, afinal, voltando no tempo é possível encontrar traços do que viria e ser conhecido como rock nas músicas das décadas de 20 e 30 do século passado, mas eram apenas traços. Nada mais natural, já que o rock foi montado a partir de mesclas entre os estilos tradicionais americanos: blues, jazz e country. Mas que seria o pai do rock? Se voltarmos alguns meses do marco inicial oficializado para o estilo, mais precisamente em 12 de abril de 1954, encontramos Bill Halley e seus cometas gravando o clássico Rock Around The Clock , mas este ainda não é o ponto inicial. Voltando apenas três anos da gravação histórica de Elvis, encontramos um canção denominada Rocket 88, de um guitarrista negro chamado Ike Turner que teria todas as condições de ser enquadrada como um rock n' roll. Mas por qual motivo, seria Elvis proclamado o criador do rock então? Simples, Elvis era branco, bonito e de boa família. Já Ike Turner, além de negro, era conhecido por seus excessos com álcool e drogas, e nos E.U.A. da metade do século passado isso era quase um crime. A canção do senhor Turner era classificada musicalmente como Rythm & Blues, que era uma espécie de blues urbano mais acelerado e adicionado de saxofones estridentes e roucos que ajudavam a compor um ritmo frenético para as canções. Neste ponto da história temos uma controvérsia.   Rocket 88 , Ike Turner.   No mesmo ano do lançamento da canção de Ike Turner, Alain Freed batiza o novo estilo - que efervescia dos clubes de R&B - de rock n' roll, mas o termo ainda não havia caído no conhecimento de todos. Sendo assim, temos um problema, pois se podemos encarar uma canção de R&B como primeiro registro roqueiro, começamos a nos afundar cada vez mais nos sulcos profundos e confusos da história. Sendo assim, se voltarmos ainda mais ao passado, iremos caminhar em direção ao blues primitivo e chegaremos a Robert Johnson, que dizem as más línguas, tinha um pacto com o diabo para obter a sua técnica apurada de tocar o blues. Sabemos que Robert foi uma das maiores inspirações das bandas de rock que viriam a surgir em meados da próxima década, ou seja, seria o diabo o pai do rock? Confuso, mas vamos falar do que temos certeza, me acompanhe no encontro de quem o batizou Ike Turner poderia ser o pai do rock, mas ele era negro e nos E.U.A. dos anos 50 ele não podia ser o símbolo de uma juventude branca que começava a se render à música negra.   Alan Freed e seu Microfone Batismal. Se o progenitor do rock n' roll é incerto e a definição da paternidade do estilo esbarra nos problemas raciais e culturais do seu berço americano, o responsável pelo batismo do estilo musical que acelerava o blues tem nome e sobrenome. Alan Freed, um disk jockey americano, foi quem batizou o estilo mais influente da cultura pop no século XX.   O ano era 1951 e o rhythm & blues começou a adicionar elementos ao seu blues acelerado, criando um estilo que fez a cabeça dos jovens no início da nova década. Esta juventude lotava as lojas de discos em busca das novas gravações do R&B e até dançavam ao som das vitrolas que faziam o som ambiente dos estabelecimentos. A bem da verdade é que Freed sempre ignorara o estilo musical que efervescia na nova geração e continuava com seu programa noturno, em uma rádio de Cleveland, que apresentava música clássica e só começou a dar atenção ao novo estilo jovem após ser arrastado por um amigo a uma daquelas lojas de discos onde ele foi arrebatado pelo choque cultural causado pela nova descoberta musical. O nome do estilo foi inspirado numa canção de Big Joe Turner, um velho blues gravado em 1922, que trazia num de seus versos a expressão my baby she rocks me with a steady roll   (algo como minha gata me embala em ritmo constante ). Inspirado por este verso, Freed, sob o pseudônimo de Moondog, apresentava, após seu program de música erudita, o Moondog's rock n' roll parties , o primeiro horário de rádio inteiramente dedicado ao novo estilo que fervilhava na juventude americana. O efeito dominó já estava lançado e em três anos o rock n' roll tomaria conta da sociedade americana (negra ou branca), tendo, futuramente, Elvis Presley proclamado como seu rei e o estilo dominando a cultura pop mundial das próximas décadas. Alan Freed, o responsável por dar nome ao Rock N' Roll. O Dia Mundial do Rock Já foi dito anteriormente que o dia 07 de julho é considerado como a data do aniversário do rock n' roll. Porém, a comemoração é realizada seis dias depois, 13 de julho, data que ficou conhecida como O Dia Mundial do Rock. Mas por qual razão o dia rock não coincide com a data da primeira aparição de Elvis na rádio de Memphis? A resposta está em 1985, quando Bob Geldof, líder do Boomtown Rats, consegue concretizar o seu desejo de apresentar o maior espetáculo da Terra, o Live Aid. Um ano antes, Geldof assistia uma matéria na televisão sobre a miséria na Etiópia  e ficou incomodado com a situação, imaginando como amenizar o sofrimento daqueles africanos que padeciam em decorrência de uma fome avassaladora. O plano inicial, após os primeiros contatos com músicos engajados em causas sociais e seus empresários, era o lançamento de um disco que teria toda a renda proveniente de sua venda destinada aos famintos da quele continente. Mas lembrando do Concerto Para Bangladesh, projeto capitaneado por George Harrisson, Bob Geldof imaginou que um mega festival poderia ser mais rentável à sua causa. Os dois projetos foram enlaçados e, pouco antes do natal de 1984, foi lançado o disco Do They Know It's Christmas , que foi um sucesso de vendas. Dentre os nomes que fizeram parte da gravação do single que dá título ao lançamento, temos destaques grandiosos como U2, Queen , Phil Collins, Duran Duran, James Taylor, George Michael, Status Quo, David Bowie , Boy George e Paul McCartney. Entretanto, o mentor do projeto ainda não estava satisfeito e começou a organizar um evento de proporções melomaníacas. Um festival foi organizado e executado, no dia 13 de julho de 1985, simultaneamente em Londres (UK) e na Philadelphia (EUA), sendo transmitido via satélite para aproximadamente 85% do planeta. Dentre ingressos, merchandising e direitos de transmissão, o evento,  batizado de Live Aid , arrecadou cerca de 100 milhões de dólares, que eram administrados por uma fundação especificamente criada para cuidar deste montante e direcioná-lo para os necessitados da África. Por fim, a ajuda não foi somente financeira, pois a iniciativa chamou a atenção do mundo para o que acontecia com a África, em especial para os países esquecidos em ditaduras amargas e severas. Para os amantes do rock, a importância do evento era ainda maior, pois ganharam 15 minutos de uma reunião da formação original do Black Sabbath e do finado Led Zeppelin , que se apresentava com   trio original (John Paul Jones, Jimmy Page e Robert Plant) acrescido de Tony Thompson nas baquetas. O mais importante era que este dia ficaria marcado, eternamente, como o dia mundial do rock e seria celebrado todos os anos pelos amantes do melhor estilo musical que já surgir neste redondo corpo celeste azulado que chamamos de Terra. Palco do festival Live Aid, realizado no dia 13 de julho de 1985. A partir deste acontecimento a data seria celebrada anualmente como o dia mundial do rock.   Top 20:  Os Primórdios do Rock (1954 a 1969). …