ATUALIZANDO A DISCOTECA: Blind Horse, “Patagonia” (2017)

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Patagonia (capa)
Blind Horse: “Patagonia” (2017, Abraxas Records) NOTA:9,0

É incrível como o Stoner/Prog cheio de psicodelia criou uma identidade própria entre as bandas sul-americanas. Pegue trabalhos de nomes como Austral, Demonauta, e afins, e perceba como existe um sabor peculiar nestes álbuns, quase como uma lisergia indígena, desenvolvida nas montanhas e planícies áridas de nosso continente, mesclado ao progressivo e ao stoner.

Claro que o quarteto carioca Blind Horse pende mais para o Hard Rock de inspirações sessentistas e setentistas, mas as interseções Stoner/Prog de seu primeiro full lenght, “Patagonia”, o coloca como um dos mais interessantes vértices deste polígono musical bem definido ao sul da linha do Equador.

O que Alejandro Sainz (vocais), Rodrigo Blasquez (guitarra), Eddie Asheton (baixo) e Maicon Martins (bateria) promovem nestas seis composições é um Hard/Stoner Rock de apelo progressivo, pincelado por uma lisergia desértica, variando bem o peso advindo de tonalidades mais graves, com passagens climáticas, que remetem a um Southern Rock temperado por uma dose de surrealismo, “em ritmos ora alucinantes, ora viajantes, com momentos bluesy, funk e soul”.

Blind Horse (divulgação)

O quarteto carioca Blind Horse pratica em seu primeiro full lenght, “Patagonia”, um Hard Rock de inspirações sessentistas e setentistas, com interseções Stoner/Prog, embebido na lisergia tipicamente sul-americana, quase xamânica, em ritmos ora alucinantes, ora viajantes…

Além disso, a produção orgânica, mas de calor febril, envolveu bem a proposta, dando corpo e intensidade às linhas de baixo, acidez e crueza à bateria, além de psicodelia e força bem texturizadas nas guitarras, teclados, e nos multifacetados vocais.

Uma fórmula bem concretizada em “Patagonia”, a faixa-título, uma suíte de mais de quinze minutos, que ainda nos traz teclados de timbragens espaciais e sabor de clássico, num todo que envolve e cativa pela dinâmica, principalmente em seu seu final, com aquela jam session de guitarras inflamadas, que beira o fusion.

Confira a faixa “Patagônia”… 

Contrapondo a magnitude desta composição temos a crua, curta e solitária voz de Alejandro em “Stun Bomb Blues”, e o Stoner Rock/Metal típico de “Rock N’ Roll Me”, com alta rotação na seção rítmica, riffs robustos, reciclados do Blues diabólico transformado em Proto-Metal, e vocais vigorosos, num todo que tangencia o Hard Rock. Uma pedrada das mais lindas! Estas três primeiras faixas revelam ainda uma disposição de tracklist remete à estrutura do vinil.

Nesse panorama, “Noite Estranha” “abre o Lado B” com a mesma alta intensidade que vinha da composição anterior, num Hard Rock ao moldes do Uriah Heep, Lucifer’s Friend, e Deep Purple, mas com vibração própria, num desfile assimétrico de referências, encarnando espírito do Rock brasileiro dos anos 1970, principalmente pela letra.

Confira a faixa “Rock N’ Roll Me”… 

E o peso permanece na longa “Soul Locomotive”, num clima mais Southern/Blues encaixado a seu progressivo cheio de psicodelia, oscilando do groove mais rústico para a cadência viajante, que deságua no breve e entorpecente desfecho com “Los Heraldos Negros”, um poema de César Vallejo musicado pela banda.

Um elemento importante para a sonoridade do Blind Horse são as linhas de teclado do mestre Ronaldo Rodrigues (Arcpelago, Caravela Escarlate), que aproximam as composições do progressivo clássico, variando do aroma mais espacial, para o uivo do Hammond, junto as constantes mudanças nos andamentos, enquanto as guitarras e o baixo se dividem entre a psicodelia hipnótica, quase xamânica, e a textura sabática acachapante da estética Stoner.

Confira a faixa “Noite Estranha”… 

Algumas passagens instrumentais mais longas dão a tônica da liberdade criativa de uma jam session, assim como as melodias hipnóticas contribuem para a perene textura onírica que permeia as composições pulsantes, criando certo torpor enquanto o trabalho se desenrola, mesmo nos momentos mais pesados, misturando e separando emoções num processo ciclotímico.

 Um dos álbuns que confirmam a excelente fase da atual psicodelia roqueira nacional!

Indicadíssimo…

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