VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Blind Guardian, “Somewhere Far Beyond” (1992)

 

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Confira a proposta desta seção aqui...

Dia Indicado Pra Ouvir:  Quarta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Cinco da Tarde;

Definição em um poucas palavras: Guitarra, pesado, literatura, bardo, melódico;

Estilo do Artista:  Power Metal 

Blind Guardian - Somewhere Far Beyond
Blind Guardian: “Somewhere Far Beyond” (1992, 2017 – Nuclear Blast, Shinigami Records)

Comentário Geral: Este é o álbum que veio na esteira do sucesso de “Tales from the Twilight World”, e que elevou o status dos alemães do Blind Guardian dentro do cenário metálico noventista.

Quarto disco de estúdio do Blind Guardian, fortemente influenciado pelo metal melódico, “Somewhere Far Beyond” dá continuidade à marca power metal da banda, mas com claras e bem-vindas evidências de evolução musical, seja pela técnica ou pela criatividade.

Este também é o disco responsável por marcar à ferro e fogo no Blind Guardian a alcunha de “bardos” do metal, e por definir a imagética da banda dentro da literatura de fantasia, principalmente de J. R. R. Tolkien, que seria desfilada nos próximos anos.

Até por isso, “Somewhere Far Beyond” se encontra na discografia do Blind Guardian como o primeiro disco da trilogia de clássicos completada por “Imaginations From the Other Side” (1995), e “Nightfall in Middle-Earth”  (1998).

A inserção de instrumentação diferenciada nas composições deste disco foi importante para a consolidação do Blind Guardian, que ainda enquadrava parte de sua alma nos moldes crús da década anterior nas composições dedicadas ao power metal.

Ao mesmo tempo, outras passagens mostravam que a banda estava aprendo a linguagem musical que dialogava com a nova geração noventista.

O segredo da fluência deste diálogo entre passado e presente estava na dinâmica da variação leve de texturas “medievais”, que posteriormente evoluiriam para a marca épica do Blind Guardian, advindas de instrumentos como gaita de fole (ouça The Piper’s Calling” e a faixa-título), piano e os efeitos bem encaixados.

E não há como negar, havia uma influência do rock progressivo aqui, já em “Time What Is Time”passando pela curta “Black Chamber”, que serve de interlúdio para a sensacional “Theatre of Pain” (quase uma versão power metal do Marillion e que ainda ganhou uma classic version, antecipando a sonoridade futura), e continua pelo álbum permeando os arranjos com exuberância épica (mas sem pompa exagerada), por exemplo, como na balada folk The Bard’s Song – In The Forestou em “Spread your Wings” (cover do Queen).

Todavia, esse aspecto progressivo de “Somewhere Far Beyond” foi muito bem disfarçado pela agressividade e ebulição dos arranjos power metal que por vezes resvalam no thrash metal, como em “Journey Through the Dark”, um metalzão vigoroso e extasiante, “Ashes to Ashes” “Trial By Fire” (ótimo cover da banda Satan).

Já “Quest for Tanelorn” (com a participação de ninguém menos que Kai Hansen) mescla o melhor das duas abordagens equilibradas em “Somewhere Far Beyond”, com uma leve e fortificada remissão ao Queen nas guitarras, reforçada no cover de “Spread your Wings”.

Musicalmente, o Blind Guardian reafirmou o peso das guitarras em “Somewhere Far Beyond” pelo contraste provocado com a adição de arranjos vocais bem trabalhados, sendo que retomaram algumas formas que remetem aos primeiros discos, mesmo que aqui estivessem claramente preocupados com ambientações e climas de suas músicas.

Os refrãos eram fortes (“Time What Is Time”, “Journey Through the Dark” e “The Bard’s Song” grudam na cabeça de imediato), a voz de Kush estava poderosa e inabalável, e as guitarras pesadas, tanto nos riffs quanto nos solos, mas acredito que as letras de “Somewhere Far Beyond” tiveram impacto ainda maior no sucesso deste álbum.

Dentre os temas estão livros de escritores como Tolkien, Stephen King (o nome do disco, inclusive, foi inspirado na série “A Torre negra”), Michael Moorcock e Poul Anderson, filmes como Blade Runner e reflexões pessoais que se amarram em clássicos como “Time What Is Time”, “Ashes to Ashes”, “Journey Through the Dark”“The Quest for Tanelorn”.

A capa ficou à cargo de Andreas Marshall, e poucas vezes a arte de um disco combinou tanto com a música que empacotava quanto neste disco.

“Somewhere Far Beyond” representa o ponto de mudança de uma versão tipicamente alemã de heavy metal, influenciada pelo espírito épico da mitologia nórdica e cultura medieval, para uma banda grandiosa, cheia de personalidade e pompa, com grandes momentos do metal narrando a literatura fantástica clássica.

Aproveite que este clássico acabou de ser relançado totalmente remasterizado pela Shinigami Records no Brasil, e com duas faixas bônus em versão demo, pois VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO! Se já o fez, “Somewhere Far Beyond” merece uma nova audição…

Ano: 1992

Top 3: “Time What Is Time”, “Journey Through the Dark” e “The Quest for Tanelorn”.

Formação: Hansi Kürsch (vocais, baixo), André Olbrich (guitarras, backing vocals), Marcus Siepen  (guitarras, backing vocals) e Thomen “The Omen” Stauch (bateria).

Disco Pai: Helloween  – “ Keeper of the Seven Keys, Pt. 1” (1987)

Disco Irmão: Gamma Ray – ” Insanity & Genius” (1993)

Disco Filho: Demons & Wizards  – “Demons & Wizards” (1999)

Curiosidades: “Somewhere Far Beyond” estourou no Japão, dando espaço para que a banda registrasse naquele país “Tokyo Tales”, lançado em março de 1993, primeiro e melhor disco de estúdio do Blind Guardian

Pra quem gosta de: Senhor do Anéis, RPG, Caverna do Dragão, mitologia, filmes e lendas medievais, e camiseta preta com estampa no peito.

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