ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bia Sabino, “Ecos” (2018)

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Por Laira Arvelos

Bia Sabino - Ecos
Bia Sabino: “Ecos” (2018, Independente) NOTA:8,0

Há alguns dias que tenho enfrentado uma luta interna para me desvencilhar de emoções negativas.

O sentimento de desânimo nos enlaça a um círculo vicioso que só aumenta, em contrapartida tenho um flerte muito grande com a palavra equilíbrio, mesmo que não o tenha todos os dias, é meta de vida, e complementando tenho ainda um arrebatamento pela poesia, pela natureza, pelas “coisinhas do chão antes que das coisas celestiais” como diria Quintana.

Neste contexto, “Ecos” (2018) consegue passar esta positividade em todos os sentidos, do sorriso de Bia Sabino na capa, a cada música somos tomados por este sentimento que o já citado Quintana nos transmite como ninguém: a arte da simplicidade e aconchego.

Bia Sabino cresce com a arte e transborda o que a música lhe causa: felicidade.

Na sua história precoce com a música, estudou teoria musical e violão clássico na Escola de Música Villa Lobos, na experiência de palco criou e participou de várias bandas onde pode desenvolver suas próprias composições, nas viagens, no circo e até mesmo como geóloga e professora incorpora está sua visão integral do mundo e suas influências à sua música

 “Ecos”, que está disponível nas plataformas de streaming, contou com a produção musical de Glaucus Linx (Elza Soares, Isaac Hayes, Salif Keita, Alabê KetuJaz– também responsável pelos arranjos e percussões), Pedro Leão (baixo), P. C. Andrade (cajon), Yann Vathelet (Djembé, Cabaça Africana), Leonardo Elger (solo jabuticaba), e mixagem de Daniel Alcoforado e masterização de Ricardo Garcia.

“Já contei ao meu amor” traz aquele clima de fim de tarde, a faixa mostra a ingenuidade e beleza da época que Bia Sabino a compôs, um som de juventude, que me fez ficar com vontade de aprender a tocá-la para cantar nas rodinhas de violão como aconteceu com a própria autora, um canto de empatia pois o mundo roda e roda e “ é ultrapassado se importar”.

Em contrapartida a música que foi criada mais recentemente e seguindo a voz com doçura, “Coisa de Lua” timbra o crescimento através do cajon, onde a calmaria da vazão ao voo da razão.

“A vida é flor” é uma ode ao feminino. Um mantra onde repetidas vezes vamos ouvindo e cantando, meditando e organizando os pensamentos. Uma música para se entregar.

“Abrigo” cadenciada e de peito aberto, imprime um ritmo e harmonia no início e fim, no meio desacelera coma a chuva sobre a terra, o amor e autoconhecimento.

“Cilada” e “Indomada” já mostram um som provocante, o assovio compassado da primeira, nos envolve na história de cinema, novela ou canção acapela? Uma música de sedução e atitude.

Na segunda a voz de Bia Sabino ganha potência, uma música atrevida de quem se arrisca, a combinação da força da letra, melodia e da entrega da voz faz desta uma das minhas faixas preferidas.

O sol tropical vem com “Seramar”, o jogo de palavras e o estilo rítmico acentua a inspiração do motor do veleiro e da batida do casco nas ondas, a melodia nos imprime uma onda de energias boas e experiência de encontros.

“Jabuticaba” nos traz muito de infância, nostalgia e melancolia, um sopro e afago que a cada dedilhado e acorde incuta um sentimento do coração simples, do amor e da fé em algo superior e singelo ao mesmo tempo. Uma necessidade de espalhar a semente do amor. Um refrão para cantarolar muitas vezes pois “todo mundo e passarinho como é que a gente nunca notou”?

“Carry on” afirma Bia como artista plural, ela compôs esta música quando morou na Austrália. Com força e em inglês com um quê de reggae temos uma música sobre Identidade.

“Quem olha de fora” inicia com um clima de faroeste que harmoniza com a luta expressada na música, onde é cantada a dualidade das forças que nos compõe, da luta e da aceitação.

Quem olha de fora não percebe o que há em nós. Tensa, é mais do que a flor sem cor, é um clamor para que a luz apareça frente a escuridão.

O arranjo vocal de “Rumos” nos transmite esta ideia de continuidade e caminho, embora tentemos traçar tantas linhas, ele é sempre incerto, somos capazes, mas é preciso sobretudo seguir e continuar a remar.

A acapela “Eu posso ver” tem a força da voz e dos pés que se mostram como tambores de marcação, Bia Sabino toma posse da mulher que aprendeu e na maturidade de suas crenças e vivências toma parte da natureza que é sua verdade. Sensível é ela quem abre as portas para minha música preferida.

“Ecos” ressoa espiritualidade, é incrível o que foi feito em sua composição apenas com vozes e tambor, mostram algo tão gigante a potente. A beleza da natureza, seus elementos e do corpo enquanto parte do universo.  Definitivamente se tornou minha música para meditações. Ecoando e conectando todas as músicas do projeto e nos conectando à artista.

Das vezes que ouvi “Ecos” me senti incomodada por estar diante de coisas que não queria ver, por olhar de fora, acalentada por sentir está sutil conexão e vibração com a natureza, e agraciada pela ternura e espiritualidade de músicas que discorrem sobre o humano, o pequeno e o espiritual.

Música de qualidade, desenvolvida com esmero, com identidade, para momentos de meditação, reflexão e autoconhecimento.

Ouça “Ecos”

Spotify: smarturl.it/EcosSpotify

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