ATUALIZANDO A DISCOTECA: Bellini, "Bellini Rock" (2017)

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Bellini: “Bellini Rock” (2017, Warner Chappell) NOTA:8,5

Desde o admirador das formas mais brutais do heavy metal ao mais vanguardista apreciador do jazz, ambos não nasceram curtindo estes extremos musicais. Assim como não nascemos correndo, a apreciação musical também obedece estágios, partindo de algo mais simples, que até duas décadas atrás nos atingia pelo que tocava nas rádios FM. Hoje podemos renegar as rádios, principalmente pelo seu conteúdo, mas o fato é que muitos destes fãs de rock, jazz, blues e suas adjacências, hoje com mais de trinta anos, começaram a despertar para a música pelo dial das rádios, afinal, CDs e LPs eram caros.

Por que estou dizendo isso agora? Pois se fossemos uma sociedade com espaço para todos, um cantor como Bellini seria descoberto pelas ondas do rádio, provavelmente pela balada ao violão “Como Ser Sincero”, e seu disco de estréia, lançado em julho, poderia ser uma porta de entrada para muitos futuros fãs de rock. 

Ou seja, nesta utópica sociedade de viés multicultural muitos saberiam que o rock nacional continua se diversificando, mesmo que alguns tenham decretado sua morte, sendo a vez do cantor e compositor Bellini mostrar como isso tem sido feito, na realidade, restrito aos nichos. Sua história musical começa nos anos 1990, nas (historicamente importantes) bandas de colégio, gravando seu primeiro disco em 1999, como baterista e vocalista.

Confira a faixa “Como Ser Sincero”… 

No novo milênio manteve o ritmo de trabalho entre diferentes bandas pelos estúdios e palcos do estado de São Paulo, até que em 2017 nos apresenta seu primeiro disco solo, “Bellini Rock”, produzido e arranjado por Dammtunes, e mixado e masterizado no estúdio Urca Music, no Rio de Janeiro, trazendo ainda as participações de Fred Nascimento (gaita e violão na faixa “Sonho”), Eduardo Chermont (guitarras solo nas faixas “A Rua e a Lua” e “O Que Aconteceu Aqui”), e Damm (backing vocals e cordas ).

No geral, são dez composições arejadas dentro da estética do rock nacional, com envolvência pop/rock e boas inserções de guitarra dentro de uma simplicidade eficiente, trabalhada por  refrãos marcantes e ganchos melódicos bem feitos, como nos backing vocals e passagens modernas de “A Rua e a Lua”, no peso de “Meu Bem”, ou no ótimo arranjo de gaita em “Musica!”.

Também diversificada, esta dezena de composições dialoga com influências da cena brasileira oitentista, de modo despretensioso, orgânico e dinamicamente moderno. Podemos ver reminiscencias de Titãs, Ira! (como no refrão de “Seguir”) e Barão Vermelho, por exemplo, como bem feito em “O que Aconteceu Aqui”, “Não”, “Quase Sempre Disfarço” (essa que também lembra bandas internacionais como Kings of Leon), “Como Ser Sincero” (com algo até mais setentista), e “Queria Bem Mais”, faixas que são uma “versão 2017” do que convencionamos a chamar de BRock.

Não existem guitarras virtuosas, ou linhas vocais dramáticas, mas tudo vem na medida certa para fazer deste trabalho competente, além do simples adjetivo “interessante”, principalmente pelas letras bem sacadas, desenhando cenas cotidianas, sem a pretensa poesia de alguns nomes consagrados do rock nacional, sendo fáceis de guardar e ótimas para se cantar junto.

Sabe aquele dia que tudo o que você quer é ouvir um disco de rock brasileiro, simples e divertido, mas já enjoou dos nomes tradicionais? Então… Bellini é uma ótima opção!

Ouça o disco na íntegra via Spotify: 

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