ATUALIZANDO A DISCOTECA: Axes Connection, “A Glimpse of Illumination” (2017)

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Axes Connection - A Climpse of Illumination
Axes Connection: “A Glimpse of Illumination” (2017, Independente) NOTA:9,5

“O Axes Connection toca Heavy Metal! Pesado e cortante como um machado!” Sem dúvidas, ao fim da audição de “A Glimpse of Illumination”, posso dizer que a banda não exagerou em sua auto-apresentação. E tal fato já pode ser inferido na faixa de abertura,  “The Meaning of Evil”, um Hard n’ Heavy de sabor stoner, com instrumental coeso e “trampado”, e vocais lascivos.

A origem do Axes Connection remonta aos anos 1990, quando os irmãos Vitor e Marcos Machado se juntaram para um novo projeto, que adormeceria, mas não morreria, com a entrada de Marcos na banda gaúcha de Thrash Metal Distraught, onde ficou por quinze anos. O projeto foi retomado após a saída de Marcos da banda gaúcha, mas, infelizmente, Vitor faleceu pouco tempo depois. Com o intuito de honrar a memória do irmão, Marcos se juntou ao baixista Magoo Wise para dar continuidade ao projeto, que chega a seu primeiro álbum, agora em 2017.

“A Glimpse of Illumination” alterna cadência e velocidade com muita volúpia, e inventividade, resvalando diversas vezes em momentos mais psicodélicos e progressivos, construídos por uma timbragem mais crua, preenchida por linhas gordurosas e precisas de baixo, dando uma contemporaneidade penetrante aos tradicionalismos do Heavy Metal.

“O Axes Connection toca Heavy Metal! Pesado e cortante como um machado!” Projeto de Marcos Machado, ex-guitarrista do Distraught, conseguiu rejuvenescer elementos tradicionais e envelhecidos do Heavy Metal, por timbragens bem escolhidas, dando um diferenciado sabor moderno e orgânico ao gênero, por texturas vívidas e cheias de personalidade. 

Ainda no embrião do projeto, Vitor e Marcos contaram com a participação do terceiro irmão, o vocalista Márcio Machado, que se torna um dos protagonistas deste primeiro álbum, ao lado guitarrista Marcos Machado (ex-Distraught). Completam o time, o baixista Magoo Wise (ex-The Wise, ex-Distraught, ex-Apocalypse) e o baterista Cristiano Hulk (ex-Vômitos e Náuseas, ex-Grosseria).

Sobre esta continuidade do projeto e as composições, Marcos comenta: “a grande maioria das músicas teve o seu esboço ainda com meu falecido irmão. Após sua morte, nasceu a vontade de rearranjar as músicas e criar outras. Foi então que meu outro irmão, Márcio, juntou-se a mim para juntos trabalharmos nos arranjos e criarmos novas músicas. O Vitor sempre acreditou no som que fazíamos.”

A lembrança de Vitor está presente nas letras, que serviram como exorcismo da dor da perda do irmão, e também na capa desenhada por Aldo Marcondes. “A inspiração foram as capas que a Hipgnosis fez para bandas como Scorpions, Yes e Pink Floyd. O Aldo entendeu tudo muito bem e representou na capa o sentimento inicial de nos unirmos pra tocar sem o Vitor, ao mesmo tempo que a luz ao centro pode representar a presença dele.”, explicou Marcos.

Todavia, o vocal de Márcio soa paradoxal, pois consegue remeter a gênios de sua posição na história do Rock, com técnica apurada, versatilidade, e potência vocal, mas, em alguns momentos, abusa dos tons mais altos, soando quase incômodos, mesmo que consigamos enxergar a importância de suas linhas dentro da proposta mais “selvagem” da banda. Esta é uma das arestas pontuais que precisam ser aparadas, mas que não tiram o brilho deste trabalho.

Ao longo das dez faixas existe uma perene aura etérea, mesmo nos momentos mais intensos e pesados, e escancarada nas passagens limpas, principalmente na faixa instrumental “Skyline”, e na épica e viajante faixa que encerra o trabalho.

Confira o clipe da faixa “Wisdom is the Key”…  

“Rearrange Yourself” surge no tracklist de modo veloz e instigante, imersa no peso e na intensidade do Metal Clássico, fórmula que se repetirá parcialmente de modo desafiador em “The True Connection”, que encerra o trabalho.

Já “Wisdom Is The Key” vem mais pulsante, com linhas quebradas e sincopadas, enquanto “Use the Reason” desenvolve um groove contagiante sobre peso cavalar, entrecortado por guitarras incisivas, assim como na cadenciada e acachapante faixa-título, e seu final com sabor de jam session.

A sonoridade impressiona pelo dinamismo, com constantes variações de andamentos, e passagens diferenciadas que oxigenam as composições, com destaque às guitarras de Marcos Machado, que conseguem ser versáteis e criativas, dando peso e melodia nas horas certas.

Neste contexto, é impossível ouvir este álbum e não pensar no Black Sabbath (lembre de faixas como “Neon Nights” “The Mob Rules”), mesmo que não tenhamos um mimetismo explícito.

A produção, realizada pela própria banda, evidência a experiência e maturidade dos envolvidos, ao conseguirem rejuvenescer elementos tradicionais e envelhecidos do Heavy Metal, por timbragens bem escolhidas, dando um diferenciado sabor moderno e orgânico ao álbum como um todo, amplificando as potencialidades da banda por texturas vívidas e cheias de personalidade.

Neste contexto, “The Gates” (trazendo mais peso e uma dose a mais de obscurantismo roqueiro, numa faixa contundente), e “Journey to Forever” (de tonalidades progressivas) são os destaques máximos, de um álbum forte, que dialoga por uma linguagem moderna com as referências do passado.

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