Auri – Resenha de “Auri” (2018)

 

Auri-Auri
Auri: “Auri” (2018, Shinigami Records, Nuclear Blast) NOTA:8,5

O Auri é um daqueles inspirados momentos em que diversos tipos de arte formam um nó estável, quase metafísico.

Musicalidade gerada como num caleidoscópio de influências celtas, trilhas sonoras cinematográficas, melancolia típica do folk escandinavo e um certo clima ritualistíco, onírico emoldurando o conceito fantástico/literário registrado nas letras.

Isso é o Auri, em seu auto-intitulado álbum de estréia.

Presunçoso? Não. Esse adjetivo está tão longe da verdade quanto minha capacidade de descrever com fidelidade sensorial e emocional o que ouvimos  nestas onze 01composições.

E quaisquer dúvidas sobre a capacidade artística imbuída em “Auri” são dirimidas quando tomamos consciência dos nomes envolvidos: Tuomas Holopainen (do Nightwish), sua esposa Johanna Kurkela e Troy Donockley ( um multi-instrumentista e compositor inglês, no Nigthwish desde 2013).

O que só aguça a curiosidade daqueles que ainda não ouviram o trabalho.

O conceito do projeto vem de uma personagem dos livros de Patrick Rothfuss, “O Temor do Sábio” “O nome do vento”. Segundo Tuomas,

“Há essa personagem chamada AURI, que é impressionante. A narrativa dos livros é uma das minhas favoritas, mas não é apenas essa personagem, AURI; o símbolo dessa palavra combina perfeitamente com o tipo de música que fazemos. Algo é inerente no conceito que permite saber imediatamente o que somos. Simboliza muito bem o projeto. É, em todos os sentidos, a combinação perfeita.”

Musicalmente, são camadas sobrepostas de texturas, timbragens, percussão, emoções e intensidades, evidenciando que o Auri vai além da simples válvula de escape de Tuomas do Nightwish, afinal aqui temos algo um tanto quanto diferente. Isso tudo pode ser bem resumido em “Them Thar Chanterelles”, que encerra o trabalho.

Diferente até mesmo do sensacional “Music Inspired by the Life and Times of Scrooge” (2014), que investia em uma espécie de trilha sonora sinfônica, que entrou em nossa lista de melhores discos daquele ano.

Agora, o Auri surge como uma expressão contemporânea da música folk, no sentido celta.

Ok! Existem certas similaridades na abordagem musical com a carreira de Tuomas (a abertura, por exemplo, com “The Space Between” traz um lirismo melancólico à lá Nightwish, com menos pompa), mas é fato que o Auri possui uma identidade mais mística do que cinematográfica, mais etérea do que sinfônica.

Muito dessa identidade vem das guitarras acústicas de Donockley e dos vocais emocionais de Kurkela que em parceria aos de Donockley são as guias do trabalho (como feito na belíssima “Desert Flower” e na sequência com “Night 13″), deixando para Tuomas a tarefa de alicerçar a música do Auri, com seus teclados e pianos, emulando os andamentos sinfônicos.

Acima disso tudo, este álbum do Auri precisa ser visto como uma forma de Tuomas experimentar fora dos padrões sonoros do Nightwish.

E como todo trabalho mais experimental e “empírico”, existem momentos que funcionam mais do que outros. “Skeleton Tree”, “The Name of the Wind” e “See” são alguns destes momentos onde experimentam texturas e arabescos com sucesso.

Já alguns fãs de Tuomas mais ensimesmados no heavy metal podem se incomodar com certos momentos beirando o indie folk (na menor “Aphrodite Rising”) e outros de traços dignos da new age.

Alguns podem enxergar uma peça enjoativa em dado momento (“Night 13″ realmente cai um pouco qualidade do trabalho), mas este é o tipo de trabalho onde vemos a alma do artista inquieto que quer pensar e sentir fora de sua caixa de obrigatoriedades. Explorando fora de sua zona de conforto.

Todavia, no geral, “Auri” soa como uma boa trilha sonora de um filme de fantasia, como em “I Hope Your World Is Kind” com seu refrão épico e dramático, variação nos arranjos, sendo uma das melhores do trabalho, na climática “Savant” e na melancolia noturna de “Underthing Solstice”.

Os vocais de Kurkela podem não ser os mais versáteis e indicados para o tipo de música registrada aqui, mas está longe de ser deslocada.

Se você enxergar o Auri como uma peça exploratória de um músico consagrado, acredito que encontrará mais pontos positivos do que negativos por aqui. E foi isso que eu fiz, por isso posso dizer que Tuomas acertou a mão novamente! Só pra variar…

TRACK LIST

1. The Space Between
2. I Hope Your World Is Kind
3. Skeleton Tree
4. Desert Flower
5. Night 13
6. See
7. The Name Of The Wind
8. Aphrodite Rising
9. Savant
10. Underthing Solstice
11. Them Thar Chanterelles

FORMAÇÃO

Johanna Kurkela (vocal & viola)

Tuomas Holopainen (teclados & backing vocals)

Troy Donockley (guitarra, bouzouki, gaita irlandesa)

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