ATUALIZANDO A DISCOTECA: Svartanatt, “Starry Eagle Eye” (2018)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Por Will Bernardes

79616a96-1f87-4e16-a010-dc8991a957a1
Svartanatt: “Starry Eagle Eye” (2018, The Sign Records) NOTA:9,0

O grupo formado em Estocolmo na Suécia, Svartanatt, que significa “noite negra”, mergulha na essência setentista com afinco e nos presenteia com uma veia clássica de grupos jurássicos como Deep Purple, Thin Lizzy, Black Sabbath e Blue Cheer com competência e personalidade, explorando conceitos simplistas do Hard Rock e Heavy Metal das raízes.

“Starry Eagle Eye”, lançado dia 2 de março de 2018, dá sequência ao som forjado com esmero e inspirado em grupos consagrados da década em questão, fator que ganhou destaque em seu ótimo álbum de estreia, o homônimo “Svartanatt” de 2016.

Com refinamento e sutileza nos detalhes da produção propositalmente suja e empoeirada do som da época, as músicas emanam aquela energia psicodélica e hipnótica com destreza atemporal, algo que nos dá impressão de se tratar de uma banda esquecida dos tempos de ouro do rock vanguardista.

Confira o clipe de “Hit Him Down”… 

Composto por Jani Lehtinen (vocais e guitarra), Felix Gåsste (guitarra), Mattias Holmström (baixo), Martin Borgh (órgão) e o baterista Daniel Heaster, o grupo traz em sua bagagem boas composições, produção honesta e orgânica a cargo de Emil Drougge, gravada no Soundtrade Studios, na Suécia, e um instrumental bem elaborado e estruturado, onde cada membro tem seu espaço de criação e desenvolvimento ao longo do álbum, com foco nos andamentos dinâmicos e ambientação psicodélica.

O órgão conduz e assenta a cadência clássica da proposta retrô que é alcançada pelas ótimas timbragens da dupla de guitarristas, muito bem entrosados por sinal, dando suporte com homogeneidade nas passagens progressivas.

Único ponto um pouco apagado nas evoluções de cada faixa são os solos, que soam tímidos nos intervalos, sendo pouco notáveis e deixam um espaço a ser preenchido, estilo esse que sempre pede solos mais contundentes e virtuosos. A balada ‘Wolf Blues” traduz bem essa observação, pois se trata de uma música longa e desenvolta com progressões rítmicas bacanas embora deixe um aspecto empobrecido em seu ápice pelo fato em questão.

Confira a faixa “Wolf Blues”… 

Impossível ficar inerte perante faixas, por ora enérgicas, como nas ótimas “Hit Him Down”, “Wrong Side Town” (com um dueto inspiradíssimo no Thin Lizzy) e “Duffer” que engrena ótimas linhas vocais e alterna o comando das guitarras com o órgão com maestria. Já a faixa título embarca no som patenteado pelo Lizzy, pelo andamento vibrante das guitarras em dueto e a ousada e tempestuosa “Black Heart” encerra com vigor e nos remete à gloriosa formação MKIII do Deep Purple.

Em seu novo trabalho o Svartanatt nos entrega um rockão classudo e descolado, que logo nos remete a cabelos desgrenhados, bigodes e calças boca de sino com uma Les Paul pendurada no ombro.

Por ora, no geral, se destaca pelo som honesto e vibrante, embora apresente uma pegada ponderada e menos inspirada do que o álbum de estreia mesmo embarcando no mesmo conceito. Quem se encantou com o estilo vintage de bandas como Kadavar, Wolfmother e Electric Wizard, provavelmente irá de identificar com o som dos caras. Vale uma conferida!

Confira a faixa “Duffer”… 

Comentários

Deixe uma resposta