ATUALIZANDO A DISCOTECA: Quintessente, “Songs From Celestial Spheres” (2017)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

7510aa802dec3804862edc542f9c148e
Quintessente: “Songs from Celestial Spheres” (2017, Independente) NOTA:10

Já pensou em um álbum de estreia que demorasse quase anos para ganhar vida? Pois é exatamente isto que aconteceu com este “Songs From Celestial Spheres”, primeiro full lenght da banda brasileira Quintessente, formada em meados da década de 1990. E o tempo só fez bem ao processo de construção e lapidação destas composições, que conseguiram se unir num todo artístico de cair o queixo!

Ainda exibindo muito das sonoridades noventistas dentro do metal extremo, se apresentam, na verdade, num estágio de maturidade e frescor como se recém-saídos de sua última metamorfose no processo evolutivo.

Resumindo, é dificílimo, pra não dizer impossível, rotular a banda, que carrega traços de Death Metal, Doom/Gothic, e Black Metal, num som cheio de momentos atmosféricos e sinfônicos, além de carregar um frio clima sideral ambientando uma geometria progressiva, muito bem delineado por uma produção cristalina, mas não clínica.

Confira o clipe de “Essente”… 

Num contexto tão complexo seria natural que a banda se perdesse em certos momentos, como tantas que buscam se diferenciar dentro da cena por arranjos que tateiam no escuro em busca de originalidade. Mas não, o quinteto formado por Cristiano Dias (guitarras), André Carvalho (vocais), Cristina Müller (vocais e teclados), Luiz Fernando de Paula (baixo) e Leo Birigui (bateria), desenvolve tudo com fluidez cerebral e pertinência rigorosa.

Sendo assim, mesmo remetendo constantemente a nomes como  My Dying Bride, Tristania, Theatre of Tragedy, Cryhavoc, Samael e Anathema,  conseguem erigir das composições uma identidade marcada por variação de vozes mais do que interessantes, forjando um  metal extremo de alta técnica e criatividade, talhado nos detalhes.

São sobreposições de camadas e texturas, de peso e velocidade, dialogando com orquestrações belas, densas e magníficas, mostrando uma alta sensibilidade para melodias, que se apresentam, junto a natureza agressiva, esfumaçadas por fortes tintas góticas, dando frescor  a uma dualidade metálica saturada em décadas passadas (ouça “A Sort of Reverie” “L’eternità offerto” pra ter uma dimensão da fluidez e homogeneidade que a banda atingiu em sua fórmula).

Confira a faixa “L’eternità offerto”…

Tentar descrever a grandiosidade deste trabalho é difícil e ainda tirará toda a possibilidade de se se sentir grato pelo prazer que a riqueza musical revela durante a audição.

Por isso ouça faixas como “Delirium”“Essente” (melancolicamente requintada), “Eyes of Forgiveness” (construída sobre a densidade do Black Metal), “Unleash Them” (e suas passagens eletrônicas remetendo ao Depeche Mode) e “Matronæ Gaia (Chapter II)”, que são, além de destaques do trabalho, mostras perfeitas da grandiloquência de sua sonoridade, com texturas, sentimentos e timbragens intensificadas.

Só espero que o próximo álbum não demore outras duas décadas!

Confira a faixa “Delirium”…

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *