ATUALIZANDO A DISCOTECA: Arma/Abigail, “Satanik Rock n’ Roll Fucking Hell” (2017)

 

 

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

 

 

Arma - Abigail Satanik Rock n Roll Fucking Hell-min
Abigail/ARMA: “Satanik Rock ‘n’ Roll Fucking Hell” (2017, DSS Music, Mutilation Productions, Cianeto Discos) NOTA:8,0

Esse é o tipo de álbum que reafirma todo o negrume que existe no sangue num fã de heavy metal! 

Principalmente daqueles que gostam das oscilações old school, de raízes fincadas no black/thrash metal, e mimetismos musicais do Motörhead. Ou seja, pesado, sem firulas, com pitadas sujas de rock n’ roll, e “abrilhantada” por vocais despojados, quase vomitados!

“Satanik Rock n’ Roll Fucking Hell” é um split da banda brasileira ARMA junto com os japoneses do Abigail, lançado em 2017, que limitado em 500 cópias chega ao Brasil via Mutilation Records/Cianeto Discos, com encarte de quatro páginas.

Para situar o leitor, a banda paulista  ARMA, como dissemos na resenha para o ótimo  “Rock N’ Roll Murderers” (2016, Cianetos Discos), é uma entidade musical talhada nas mais desvirtuosas tradições do heavy metal.

Guiada pelas mãos de Nts Oldskull (codinome de Raphael Ferreira), a banda ARMA dá ainda mais tenacidade e volúpia às linhas sujas, agressivas, etílicas e rápidas inspiradas no Motorhead e no Venom, nas quatro faixas que disponibilizam em sua parcela de “Satanik Rock n’ Roll Fucking Hell”.

O quarteto de composições apresentado pelo ARMA é uma continuidade daquele primeiro full lenght, com som rápido, cortante e à moda antiga do speed metal, cavernoso, sem firulas, com um pé no thrash metal e outro na rebeldia punk, resvalando hora ou outra no rock n’ roll.

“Small Town Rocker” e “Beermageddom” são duas perfeitas conjurações do espírito “motorhediano”, com pinceladas da sujeira do Celtic Frost, de seção rítima pesada, mas envolvente, sustentado as harmonias ásperas e obscuras, também em “This Is Rock’n’Roll” (que tem até um “q” de Ramones em seu esqueleto) e na arrasa-quarteirão “Sexual Healing”, dois maiores destaques do ARMA neste trabalho.

Já a banda Abigail, surgida em 1997, autoproclamada como a “a banda mais maléfica do Japão”, apesar da sonoridade ser basicamente uma versão old school do black/thrash metal, o vocalista/baixista/guitarrista Yasuyuki Suzuki rotula seu estilo como street metal.

Talvez pela essência metal/punk cravada no DNA de sua abordagem sleazy com clima de “porão escuro e sujo”, com solos rápidos e vocais vomitados, que permeia o seis álbuns lançados pelo trio japonês, além da prolífica produção de EP’s, e splits de sua discografia que torna difícil de acompanhar tudo que o Abigail produz.

O Abigail contribui com cinco composições em “Satanik Rock n’ Roll Fucking Hell”, dentre elas, temos dois covers, uma para “Dancing on your Grave”, do Motorhead, e “Take Control”, do Rage, que são destaques junto a “Satanik Metal Attack” (uma versão punk do Celtic Frost) e suas guitarras endiabradas, além da ultrajante “Black Reaper” (com entrada de arrepiar).

A influência do Motorhead é escancarada no ARMA (basta uma conferida na foto do encarte) e no Abigail (ouça “Nightmare”), mesmo que em medidas diferentes, seja pelo baixo acachapante, na velocidade dos riffs ou nas linhas de bateria, bem aclimatado pela obscuridade dos mais recentes álbuns do Darkthrone, pincelando nuances de rock n’ roll setentista e speed metal oitentista à lá Venom e Bathory, formatando um metal punk enquadrado à moda old school.

O ataque sonoro de “Satanik Rock n’ Roll Fucking Hell” é rápido e direto, com produção longe da limpidez insipida da modernidade, além de muito cativante.

Claro que como se trata de um split existe uma diferença de produção nas músicas de cada banda, mas até isso faz parte da parcela envolvente do trabalho.

Liricamente, fazem apologia dos prazeres carnais, ao rock n’ roll e a um satanismo inocente, quase medieval, forjando um álbum que harmoniza perfeitamente com muita cerveja.

Um item imperdível para quem gosta das formas mais abjetas do speed metal, além de trazer fotos pitorescas no encarte.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *