ATUALIZANDO A DISCOTECA: Arch Enemy, "Will To Power" (2017)

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Por Will Bernardes

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Arch Enemy:  “Will To Power” (2017, Century Media Records, Rock Brigade Records/Voice Music) NOTA:8,5

Três anos após o lançamento de “War Eternal” (2014), álbum que veio nos apresentar a nova vocalista Alissa White-Gluz, os suecos do Arch Enemy retornam com seu novo trabalho reafirmando seu poderio extremo calcado no estilo melódico escandinavo de suas raízes, mescladas com elementos do Metalcore americano de forma homogênea, com grandes acertos nos detalhes técnicos, embora apresente algumas variantes preocupantes no contexto do grupo.

Um fator que faz a diferença desde os tempos do reformulado “Wages Of Sin” (2001), onde a ousadia de ingressar Angela Gossow nos vocais foi o assunto da vez, é a técnica e o altíssimo nível da banda em si, com excelentes músicos, que, mesmo em meio à várias mudanças de formação, sempre seguiu com substitutos à altura de seus predecessores garantindo uma base sólida e eficiente.

O trio Michael Amott (guitarra), Daniel Erlandsson (bateria) e Sharlee D’Angelo (baixo), presentes desde “Burning Bridges” (1999), conciliam ótimas nuances técnicas e personificam o poder de fogo do grupo com excelência e precisão geométrica, o que torna o som da banda congruente e suculento. Uma soma importante e que veio a incrementar mais experiência e dinâmica para o grupo foi o novo guitarrista Jeff Loomis (ex-Nevermore), com uma bagagem de peso e grandes projetos ao longo de sua carreira.

Confira o clipe de “The Eagle Flies Alone”… 

Décimo álbum da carreira do grupo, “Will To Power” alavanca faixas de peso e bem trabalhadas, com riffs cortantes e densos, sustentados pelo baixo nervoso e presente de D’ Angelo que bate como um martelo numa bigorna e engrandece os andamentos extremos e rápidos de faixas como “The Race” e “Murder Scene” (com dedilhados inteligentes e certeiros das guitarras).

O timbre ora rasgado ora gutural de Alissa traz à tona o potencial inquestionável da cantora, contudo, em partes, a proposta do grupo pede um vocal impactante e presente, característica que Angela alcançava sem grande esforço e casava naturalmente com o instrumental orgânico da banda.

Em paralelo com as linhas vocais, a sonoridade trilha por uma vertente mais melódica e harmoniosa e se distancia um pouco da veia Death Metal de outrora, arriscando até mesmo uma semi balada com vocais limpos de Alissa na faixa “Reason To Believe”, num flerte com o Gothic Metal.

Confira o clipe de “The World Is Yours”… 

Ou seja, embora a essência do grupo se mantenha ao longo do disco, tenho a impressão que o mesmo tenha se adaptado ao estilo vocal da vocalista, fato que difere o novo disco com o antecessor “War Eternal”.

Em suma “Will To Power” navega em águas conhecidas no meio do Death Metal Melódico e apresenta um trabalho de boa qualidade e garante seu lugar entre os ótimos lançamentos de 2017 e dos grandes nomes do Heavy Metal dos países nórdicos da atualidade.

Produzido por Michael Amott e Daniel Erlandsson e masterizado por Jens Bogren, o trabalho segue os eixos do gênero embora traga um Arch Enemy moderado no que se refere ao histórico destruidor de sua carreira, tornando o som relativamente mais “acessível” no contexto geral. Não que o mesmo tenha perdido qualidade, mas pode incomodar a quem espera um trabalho truculento e visceral dos primórdios do grupo.

Um álbum que marca uma nova fase na carreira dos suecos e deixa uma dúvida quanto ao rumo que irão seguir. E a versão nacional, via Rock Brigade Records/Voice Music, ainda traz um ótimo cover do icônico G.B.H “City Baby Attacked By Ratts”.

Confira o clipe de “The Race”… 

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