ATUALIZANDO A DISCOTECA: Akeem Music, "The Real Meaning of Revolution, Only Astronomers Know"

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.


the-real-meaning-of-revolution-only-astronomers-know-w320
Akeem Music: “The Real Meaning of Revolution, Only Astronomers Know” (2017, Independente) NOTA:8,5

“Então o disco é sobre a importância que as coisas ordinárias tem”. É assim que Akeem Delanhesi, vocalista, guitarrista e líder da banda Akeem Music, define o álbum que acabam de lançar, intitulado “The Real Meaning of Revolution, Only Astronomers Know”.

Com três singles  na bagagem, a banda gaúcha evidencia já pelo título do trabalho uma forma mais arejada, acessível e bem humorada de explorar a beleza das pequenas coisas da vida, à começar pelo instrumental cativante, que conjura peças que variam pelo espectro do indie rock, indo da forma dançante e iluminada para o modo nublado e introspectivo com a mesma fluidez que a natureza evolui suas intempéries climáticas.

Akeem Delanhesi é um nome que passou por algumas formações interessantes do cenário gaúcho atual, em bandas como  Cartolas e Tabascos, essa segunda, que o levou até o Canadá para participar do importante festival Canadian Music Week, ao lado do Eagles of Death Metal.

Confira o clipe de “Could You Please?”… 

E tudo isso rendeu a experiência necessária para produzir o próprio projeto, um disco cantado em inglês, auto-produzido e masterizado pelo americano Darwin Merwan Smith, frontman da banda Darwin Deez, e gravado por instrumentistas de primeira linha como Lucas Juswiak (baixo), que também faz parte da Bidê ou Balde, e Will Tojan (baterista), Lorenzo Flach (guitarrista), que toca com o Erick Endres e Gabriel Gottardo (teclado).

Além disso tudo, “The Real Meaning of Revolution, Only Astronomers Know” é um álbum com linguagem musical moderna pincelada de “verbos melódicos” do passado, que dialoga fluentemente com referências contemporâneas dentro da cultura pop, não só da música (a faixa-título, que abre o álbum, por exemplo, traz um surrealismo ácido com vibe David Lynch),, num quebra-cabeças que vai de Jorge Ben Jor e Nelson Cavaquinho à Devendra Banhart e Rodrigo Amarante.

“Anymore!” sem dúvidas é um dos destaques do trabalho, com alto astral, simplicidade, e melodias certeiras. É impossível não se empolgar com esta peça plural em referências que vão do pos-punk, passando pelo indie e até algo bem discreto de blues rock.

Confira o clipe de “Cyber Love”… 

Já a bilíngue  “Extraordinary In The Ordinary” (esta com participação de Dé Silveira, da banda porto-alegrense Cartolas), o outro destaque, dança pelos aspectos singelos do folk camuflando um pouco das referências brasileiras, enquanto “Cyber Love”, em suas duas partes (com destaque às guitarras de Erick Endres na segunda parte), traz uma deliciosa grandiloquência pop vestida pela modernidade, mas com modelos e geometrias musicais do pop/rock dos anos sessenta. 

Akeem mostra um faro apurado para a construção de melodias acessíveis, engrandecidas pela variação de texturas, e, neste sentido, a produção foi certeira, deixando tudo bem coeso e orgânico, mesmo quando usam de efeitos diversos, ou os bem alocados teclados (ora climáticos, ora siderais) dialogando com texturas acústicas em faixas como (a multifacetada) “Keep On”, e “Could You Please?”, esta que poderia ser uma versão alegre e ensolarada de Elliot Smith. E por falar no trovador solitário de Portland, “Broke Me Down”, tomadas as devidas proporções, soa como uma intimista versão sua para alguma faixa inacabada dos fab four.

Confira o clipe de “Extraordinary In The Ordinary”… 

Outro ponto interessante de “The Real Meaning of Revolution, Only Astronomers Know” é a capa idealizada pelo artista Afonso de Lima, e sobre ela Akeem comenta: “Às vezes enxergamos as coisas não como elas são, e sim como nós somos. Para mostrar que a verdade é líquida e tem muitas faces pensamos nesta capa, para mostrar que também existem beleza em coisas comuns”.

Em suma, temos um disco bem feito, com composições diretas e esmeradas dentro de sua simplicidade, apresentando um ótimo potencial para mais enquanto reafirma que o rock pode sim ser bem feito e pop o mesmo tempo.

Comentários

Deixe uma resposta