ATUALIZANDO A DISCOTECA: Adrenaline Mob, “We The People” (2017)

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Adrenaline Mob We The People
Adrenaline Mob, “We The People” (2017, Hellion Records) NOTA:8,5

O Adrenaline Mob nasceu como um supergrupo idealizado pelo guitarrista Mike Orlando, que envolvia o vocalista Russel Allen (Symphony X, Allen-Lande), o baterista Mike Portnoy (Dream Theater, Flying Colors, The Winery Dogs), e o baixista  John Moyer (Disturbed).

Todavia, três discos e seis anos depois somente Allen e Orlando ainda estão no barco. Num primeiro momento, A. J. Pero substituiu Portnoy, sendo este “We The People” dedicado a ele, que faleceu em 2015.  A faixa-bônus aqui presente, um cover para “Rebell Yell”,  foi a última música gravada pelo baterista.

Os dois primeiros discos do Adrenaline Mob traziam peso na medida certa para encorpar os ganchos melódicos saborosíssimos que o quarteto desenvolvia em seu heavy metal moderno. Nesse contexto, “We the People” vem retomar a qualidade apresentada em “Omertá” (2012) e levemente perdida em “Men of Honor” (2014).

Em certa medida, não é exagero dizer que  “We the People” é um disco mais trabalho e esmerado que o anterior, ampliando os horizontes musicais de  “Omertá” (2012) e usando temas engajados em algumas letras, ao mesmo tempo que estas doze composições fundem os melhores momentos de ambos os discos predecessores, principalmente no que tange ao groove. 

Fato bem demarcado na ótima faixa de abertura, “King of the Ring”, com determinação furiosa nos ganchos melódicos, assim como veremos nas faixas “We The People” (que refrão tem essa música!), “The Killer Inside”, “Til the Head Explodes” (com peso quase thrash metal e melodia viciante), “Blind Leading  The Blinds” (que chegou a me lembrar levemente da melodia de “Figure You Out”, do Nickelback) e “Violent State of Mind”, os destaques máximos.

Estas são composições, que estão dentre as melhores que o Adrenaline Mob já realizou, são os motivos me leva a credenciar “We The People”  como um dos melhores momentos da discografia da banda, simplesmente por conseguirem amalgamar de modo homogêneo as nuances melódico/agressivas do metal moderno  como os classicismos do hard n’ heavy (fórmula muito bem resumida na faixa “Raise ‘Em Up).

Adrenaline Mob We the People
Olhando friamente, se comparado aos discos anteriores, “We the People” soa mais pesado e obscuro, mas sem abrir mão da adrenalina propalada já em seu nome.

Olhando friamente, desde princípio já fica a impressão de que “We the People” soa mais pesado e obscuro (ouça, além da já citada “Til the Head Explodes”, “What You’re Made of” “Ignorance & Greed”), mas sem abrir mão da adrenalina propalada já em seu nome, principalmente nos refrãos irresistíveis.

Até faixas menos empolgantes, como “Bleeding Hands” (uma power ballad com sabor nostálgico) e “Chasing Dragons” (soando um pouco fora do contexto, como se fosse uma sobra retrabalhada do projeto Allen/Lande) se tornam interessantes pelo refrão construído de modo eficiente para marcar.

As passagens instrumentais, mesmo que bem trabalhadas, estão mais nervosas, principalmente nas guitarras, nas linhas de bateria, isso sem falar nos vocais iracundos (como em “Ignorance & Greed”), mesmo nos momentos mais harmoniosos. A voz de Russell neste disco só reforça o quão versátil ele é, além de estarem mais melódicas se comparado ao trabalho desenvolvido nos álbuns anteriores, dando ainda mais capacidade de cativar a “We The People”.

As guitarras onipresentes de Mike Orlando, principal compositor da banda e também quem gravou as linhas de baixo (David Zablidowsky substituiu Moyer após a gravação do disco), soam intensas, com melodias bem construídas e com o poder de submergir o ouvinte cada vez mais dentro do álbum, assim como os solos dão a tônica heavy metal mais agressiva e ousada à música do Adrenaline Mob.

Outro detalhe importante para a sonoridade deste disco é a entrada do baterista Jordan Cannata, no lugar de A. J. Pero, com uma capacidade impactante de aliar técnica e groove roqueiro, criando uma base concisa que consegue dialogar com o que foi feito anteriormente na sonoridade da banda, mas com voz própria.

Infelizmente, “We the People” ficou marcado pelo acidente que vitimou o baixista David Zablidowsky e deixou consequências físicas e psicológicas nos três remanescentes.

Esperamos que esta tragédia seja superada pelos membros da banda e que possamos ver o Adrenaline Mob dando continuidade a esta clara evolução musical desfilada em “We The People”. 

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