CULTURA POP: A única coisa interessante nos cigarros eram as propagandas!

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Há uns anos atrás montei um DVD de clipes com as músicas que eram tocadas nas propagandas de cigarro, mais especificamente, os cigarros Hollywood.

Fatalmente, no meio desta busca, assisti alguns dos videos das antigas propagandas de cigarro e senti um pouco de saudade, pois na minha infância essas propagandas ainda não eram proibidas e, quase sempre, me apresentavam músicas legais (lembre que naquele tempo, não existia Spotify, Youtube, e afins).

Muitas das boas músicas que conheci no final dos anos oitenta e começo dos anos noventa me foram apresentadas por estes anúncios, e como muitas das minhas memórias afetivas são ligadas a música, bom, é impossível que estas propagandas não tenham marcado a minha primeira década de vida.

Nos dias de hoje, em veículos de comunicação, a publicidade da industria tabagista está muito bem proibida em vários países. No Brasil, a proibição é desde o ano 2000, e a mais recente “lei do cigarro”, de 2014, veta fumo em locais coletivos, exceto tabacarias e cultos, e qualquer propaganda de fumígeno passa a ser proibida.

Entendo que as belas paisagens, a vida de esportista  e saudável que eram relacionadas ao cigarro resultavam em uma imagem que não é a verdadeira. Uma propaganda enganosa, pois o cigarro, como toda droga, carrega males e destrói o ser humano, não podendo ser associada com a natureza ou com a vida saudável. Mas isso não tira o brilho que estes anúncios tiveram na cultura pop à partir dos anos 1950, principalmente.

Claro que necessitamos de certa sensibilidade para encaixar cada um deles em sua época, pois sem o bom senso da contextualização algumas coisas se tornam agressivas e inaceitáveis, nos dias de hoje.

E mesmo num mundo “perfeito” como o que vivemos hoje, onde a propaganda enganosa e o machismo não existem mais, e a associação entre drogas e diversão é apenas uma “miragem do passado”, tenho certeza de que você saberá compreender o real intuito deste texto!

Sendo assim, contamos com a seu exercício de contextualização temporal da época em que cada uma destas publicidades foi idealizada, bem como entenda a ironia o parágrafo anterior.

Um dos anúncios antigos: Conquiste as mulheres ao redor  pelo aroma!

CARTAZES E PROPAGANDAS ANTIGAS DE CIGARRO

No início, as propagandas esbarravam na inocência da falta de conhecimento dos males do cigarro.

Abaixo, trago alguns exemplos destas propagandas. Algumas delas são até consideradas ofensivas nos dias de hoje. Numa da piores, o cartaz traz um bebê que pede para seu pai fumar mais.

Neste anúncio acima, de 1944, o texto insinua que o cigarro Camel é mais saudável que os outros existentes no mercado com a frase “Médicos fumam Camel mais do que os outros cigarros”.

Ainda diz que os cigarros em questão são indicados para as pessoas de alta sociedade e, também, que esta marca cuida do que os anunciantes chamam de “zona T”, que seria a região da garganta e da boca (Taste and Throat).

 

Na primeira metade do século passado o cigarro tinha uma apelo moderno e social, e qualquer mulher que quisesse parecer independente e à frente de seu tempo estaria com algum cigarro queimando entre os dedos.

A marca americana Craven A se utilizada deste padrão para vender sua marca às mulheres, estampado junto à imagem ousada para a época um “testemunho” que dizia: “minha garganta é mais saudável com Craven A… você pode confiar em sua suavidade e qualidade”. Era a voz da mulher “moderna” estampada no cartaz.

A Tipalet, mais uma marca americana dos cigarros, fez um trabalho publicitário que geraria polêmicas intermináveis hoje em dia. Na verdade, creio que essa ideia nem seria gerada em pleno século XXI, mas em meados do século passado os tempos eram outros, e o machismo não era velado, mas usado até mesmo como ferramenta de marketing.

Num anúncio extramente machista, a Tipalet dizia (em tradução livre) “sopre na cara dela e ela não largará do seu pé“. Além disso, nesta propaganda a empresa anunciava seus quatro sabores e aromas diferentes para este cigarro que se anunciava como a “poção do amor” para “homens de fibra”.

NA ERA DA TELEVISÃO…

Em 1944, os cigarros Camel utilizaram uma propaganda de um minuto e oito cenas para convencer os consumidores de que os médicos preferem esta marca de cigarros. À partir dali, a publicidade da industria tabagista veria o potencial da televisão papara vender seu produto, até então não demonizado. Esta propaganda, legendada é apresentada no vídeo abaixo:

À partir de então, felizmente, ou infelizmente, as propagandas de cigarro se tornaram parte da cultura pop da segunda metade do Século XX, inclusive impulsionando sucessos nas paradas musicais.

 

Inclusive no Brasil, onde podíamos ver uma campanha publicitária de mais de quatro minutos, que mais parecia um curta-metragem, como o dos cigarros Luis XV, em 1978, apresentado abaixo, e que trazia a belíssima “The Closer I Get To You”, um dueto entre Donny Hathaway e Roberta Flack, na trilha sonora.

No Brasil, as propagandas de cigarro, especificamente os cigarros Hollywood, fizeram muito sucesso. Suas belas imagens contrastavam com as poucas palavras “Hollywood é o sucesso“, como na propaganda abaixo, ainda nos anos 1970, com a música “Love I Need”, de Jimmy Cliff.

Estes anúncios foram tão populares que o molde extrapolou para outros produtos (no início dos anos 1990 as propagandas de pasta dental e cigarro seguiam quase o mesmo modelo) e cravou tantos sucessos nas paradas musicais brasileiras (claro, já sendo sucesso no exterior) que eram lançados discos com as músicas das trilhas sonoras destes comerciais. Os álbuns eram chamados de Isto É Hollywood – Hollywood Hits.

Confira abaixo os dois volumes da coletânea, de 1982 e 1984, respectivamente, com nomes como Peter FRampton, Asia, Reo Speedwagon, Journey, Kansas, Santana, Survivor, The Police, Toto, e 38 Special.

Os cigarros Hollywood ficaram muito associados ao mundo da música por ter patrocinado várias edições do festival Hollywood Rock, mas outras marcas que se destacavam pelos belos anúncios eram Malboro e Free.

Na sequência, algumas destas propaganda são relembradas para os saudosistas de plantão. Mas lembre-se, FUMAR É PREJUDICIAL À SAÚDE!

COMERCIAIS HOLLYWOOD:

Marca de cigarros nacional que se destacou muito no setor publicitário por suas propagandas que marcaram época na televisão.

COMERCIAIS MALBORO:

Marca de cigarros do grupo Altria. É uma das marcas mais conhecidas da industria tabagista. O nome Malboro deriva da rua onde estava estabelecida a fábrica em Londres: a rua Malborough Street.

COMERCIAIS CAMEL:

Marca americana criada em 1913 pela empresa americana R. J. Reynolds Tobacco Company. Junto a Luck Strike são as concorrentes dos cigarros Malboro.

Esta postagem não quer incentivar ninguém ao tabagismo, longe disso. É só uma maneira de relembrar belas obras da publicidade mundial, mesmo aliadas a um produto tão insalubre como o cigarro.

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