3 LIVROS PRA CONHECER: Ernest Hemingway

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Este mês de julho traz a triste marca dos 55 anos do suicídio de Ernest Hemingway, que, mais precisamente, no dia dia dois de julho de 1961, flagelou fatalmente a si próprio com um tiro na cabeça, consequência direta de sua depressão. Seu estilo literário foi único em sua geração e seus tentáculos de influência fazem sombra até os dias de hoje.

Escritor, correspondente de  guerra e espião amador” (alguns até alardeiam que ele era um agente recrutado pela NKVD, uma precursora da KGB, na década de 1940), Hemingway manufaturou alguns dos momentos mais  reflexivos, mais diretos e geniais da literatura do século XX, com estilo despojado e sem firulas ou malabarismos literários, quase jornalístico.

Seus temas giravam em torno dos conflitos e frustrações das sociedades americana e européia, adicionando camadas de discussão que envolviam as emoções humanas. Todo esse arcabouço era ambientado por sua descrição do mundo, uma consequência direta de sua paixão pelas viagens, que tangenciava o tom confessional.Outra de suas “paixões” era o álcool, defendido pelo escritor com uma frase antológica: Um homem inteligente às vezes é forçado a ficar bêbado para gastar um tempo com suas bobagens.”

Hoje, trazemos três obras essenciais para mergulhar na literatura de Hemingway, que era liderada por heróis autorreferenciais: “o indivíduo solitário, corajoso, destinado ao fracasso, mas determinado a extrair algum significado da vida em um mundo absurdo”.

 

“O SOL TAMBÉM SE LEVANTA” (1926). 

capa_nova_o_sol_tambem_se_levanta-3
“O Sol Também se Levanta”. 
Editora Bertrand Brasil

Retratando uma geração assolada pela guerra, que abusava do álcool e do drama, além de repudiar os sonhos e as ilusões, o autor apresenta sua primeira investida no estilo direto e narrativo que marcaria sua obra, numa linguagem econômica e quase jornalística. A obra nos conta a história de norte-americanos e ingleses que vivem em Paris após a Primeira Guerra Mundial. Considerada sua melhor performance literária em termos de estilo, explora temas como a morte, a solidão e as interações físicas, sejam elas violentas e brutais, ou amenas. O grupo de americanos retratados na obra é inspirado em seu próprio círculo de amizades, que representava a geração perdida do  pós-guerra, que incluía nomes como Pablo Picasso e F. Scott Fitzgerald.

 

“POR QUEM OS SINOS DOBRAM” (1940)

pOR QUEM OS SINOS DOBRAM
Por Quem os Sinos Dobram”. Editora Bertrand Brasil.

Neste romance o autor busca inspiração em outra fase de sua vida, já como correspondente de guerra. Trazendo a Guerra Civil Espanhola para as páginas de sua obra, Hemingway discute os sonhos dos “senhores da guerra”, em paralelo às incongruências da convivência do misticismo e da razão, bem como refletir sobre a afinidade que brota do sofrimento. Mais do que isso, discute a necessidade de um sistema de crenças e valores hierarquizado que harmonize com o tormento das convicções pessoais em meio a um ambiente adverso.  Em 1943, a obra ganhou as telas do cinema que trazia uma cena polêmica para a época, onde os personagens principais -interpretados por Gary Cooper e a belíssima Ingrid Bergman – dividem um saco de dormir. Além disso, é importante mencionar que até mesmo a banda Metallica se inspirou nesta obra quando compôs seu clássico “For Whom The Bell Tolls”, presente no álbum “Ride The Lightning” (1985).

O VELHO E O MAR” (1952)

o-velho-e-o-mar-ernest-hemingway
“O Velho e o Mar”. Editora Bertrand Brasil.

No crepúsculo de sua sua carreira, Hemingway nos oferece um resumo de sua auto-avaliação: um homem solitário, corajoso e que tenta superar o maior desafio da natureza. Em meio a uma digressão dos temas que o preocupavam, o autor criou uma alegoria moderna para o amadurecimento da geração perdida, numa narrativa tão envolvente e ondulatória quanto o mar, mas tão satisfatória quanto um último fôlego curto. Vencedor do prêmio Pulitzer de 1953 e do Nobel de Literatura de 1954, “O Velho e o Mar” talvez seja a grande obra-prima do escritor, ao menos para nós do Gaveta de Bagunças.

 

Comentários

Deixe uma resposta