FILME: “Blade Runner 2049” (2017)

Por  Getúlio Alves O longa “Blade Runner” (1982) Influenciou muitos filmes, animes futuristas, vocabulários e com certeza uma geração de diretores. Os envolvidos em “Blade Runner 2049” tinham em mãos uma tarefa praticamente impossível, dar continuidade a uma obra prima do cinema, será que conseguiram? Essa missão é liderada pelo o impecável diretor Denis Villeneuve, que ainda não errou, um dos melhores diretores de sua geração, dirigindo filmes como:   Incendies  (2010),  Prisoners  (2013),  Enemy  (2013),  Sicario  (2015), e  Arrival  (2016). Para sua equipe Villeneuve conta com velhos conhecidos que já trabalham juntos nos filmes citados a cima, que são eles: Roger Deakins (Diretor de fotografia), Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch (Trilha sonora), que não desonram em momento algum o legado deixado pelo primeiro filme, continuando com a mesma “pegada” só que colocando a personalidade de cada um. Uma trilha sonora impactante, que sem ela o filme não seria o que é! Antes de entrar no filme propriamente dito, preciso falar de Roger Deakins, não dá para acreditar como esse homem compõe planos tão bonitos e funcionais; cores, luzes, composições; indescritível o trabalho desse profissional. Todos os ambientes são diferentes e muito contrastados. Os cenários, figurantes, a produção de arte e fotografia, contam micro historias dentro do macro histórias. Confira o primeiro trailer de "Blade Runner 2049"...   Em Blade Runner 2049 , o mundo chegou num impasse entre permitir a existência de seres biológicos construídos e o futuro da humanidade. É um filme sobre o existencialismo versus a visão que temos do sentido da vida, assim como é abordado fortemente no livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, de  Philip K. Dick que inspirou o filme de 1982 e com certeza inspirou o filme em questão. Uma discussão muito forte sobre sentimentos puros. Foram lançados recentemente 3 curta-metragens cronológicos entre os dois filmes. Estes curtas passam em 2022, 2036 e 2048, fortemente indicado para você assistir antes de ir ver o longa, é indicado, mas não obrigatório. A história é contada sobre o olhar de “K”, interpretado por Ryan Gosling, interpretação perfeita, expressões faciais, diálogos, motivação, em algumas cenas não existe som e vozes, mas Gosling consegue emocionar o telespectador apenas com seus olhares; esse papel foi feito para ele. Já que estamos vendo o filme sobre o olhar dele e de como ele enxerga o mundo, a narrativa tem um ritmo lento, mas isso é correlacionado com seu personagem, que é um replicante. “K” é extremamente introspectivo e cansado, estando de passagem nesse mundo tudo é muito lento, melancólico, ele não tem motivação para viver na maioria do tempo, então a lentidão é justificada nesse sentido. O que vai fazer muita gente “torcer o nariz”, já que o filme possui 2h e 43m de duração. Denis Villeneuve força o telespectador a imergir no filme, entre uma cena forte e outra, coloca muitos planos abertos, com trilha sonora baixa ou nenhuma, para você poder digerir o que acabou de acontecer, ele te faz absorver os elementos da linguagem cinematográfica, logo você consegue ter uma experiencia límpida e autentica. Cinquenta por cento do filme é atmosfera. Confira o segundo trailer de "Blade Runner 2049"...   Como começamos a falar sobre atuações, não podemos deixar destacar a atuação e história que foi dada a Harrison Ford interpretando novamente Rick Deckard, só que aqui, com um papel totalmente diferente, o melhor papel e interpretação de Harrison Ford nos últimos tempos, principalmente se levarmos em conta os filmes que ele interpretou em sua juventude e reinterpretou na ultima década. Ford é muito importante para o desenvolvimento da trama e monstra um outro lado de Rick Deckard, aqui um Blade Runner já aposentado. Ana de Armas (Joi), Robin Wright (Lt. Joshi), e Sylvia Hoeks (Luv), cada uma tem seu papel fundamental no filme, além de suas interpretações pontuais. Chega até estranhar um filme com tantas atuações perfeitas, dá para ver que todo mundo se entregou muito para o seu papel. Existe uma atuação dispensável: Jared Leto (Niander Wallace) não teve muito tempo para mostrar seu valor, não conseguindo se inserir no filme, apesar de ter em mãos um papel importantíssimo, Blade Runner 2049 consegue chegar ao fim do desafio que lhe foi dado com êxito e maestria. O longa está sendo vendido ao público como um “ Blockbuster” o que não é verdade; é um filme difícil de ser visto, e o telespectador precisa estar muito disposto a assisti-lo. Então, se os seus filmes preferidos são estilo “Transformers” , “The Avengers” , ou  “The Fast and the Furious” , infelizmente Blade Runner não é o mais indicado para você. …

VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Riot, “Sons of Society” (1999)

Confira a proposta desta seção aqui ... Dia Indicado Pra Ouvir:   Quinta-Feira; Hora do dia indicada para ouvir: Sete da Noite; Definição em um poucas palavras:  Guitarra, Retrô, Classudo, Pesado. Estilo do Artista:  Heavy Rock/ Melodic Hard Rock. Comentário Geral:  Sempre que se fala em Riot, pensamos em álbuns como  "Rock City" (1977),  "Narita" (1979), e  "Fire Down Under"  (1981), que formam a trinca inicial de clássicos de sua fase setentista, que sustentava riffs com muita harmônia e contava com os vocais cheios de alma de Guy Speranza. Outros, mais direcionados ao peso e velocidade do Heavy Metal oitentista, lembrarão do intenso  "Thundersteel"  (1988), que investia em peso e velocidade. Esses álbuns, de eras diferentes, nos mostram que a banda norte-americana, liderada pelo incansável guitarrista Mark Reale, sempre tentou retirar seu caráter de subestimada se alinhavando aos gêneros que estavam em alta em suas épocas, vivenciando com muita versatilidade ao longo de sua trajetória. Confira a faixa "The Law"...  Em finais da década de 1990, já com o excelente Mike DiMeo nos vocais, a banda se dedicava a uma exploração de uma veia mais melódica e épica, tão marcante no Power Metal, gênero em voga naqueles dias. "Sons of Society" , lançado em 1999, era o quinto álbum da era DiMeo (antes, tivemos  "Nightbreaker"  [1993],  "The Brethren of Long House"  [1996], "Inishmore"[1998], e o ao vivo "Shine On" [1998] ), que mantém o tratamento do tradicional Heavy Rock, de flertes com o Power Metal, e alta classe melódica, com claras influências de Rainbow, Whitesnake, Yngwie Malmsteen, e da era noventista do Black Sabbath. Confira a faixa "Sons of Society"... Este décimo primeiro álbum de estúdio do Riot, é uma das evidências de que esta banda norte-americana sempre fora subestimada na história do Rock/Metal, mesmo com uma coleção de clássicos e álbuns acima da média. Em termos de comparação com seu "disco irmão", "Inishmore" , talvez por este álbum anterior ser guiado por um conceito, as composições aqui soam mais variadas em suas estruturas rítmicas, mais voltadas ao peso do Heavy Metal, mas sem perder a envolvência melódica do Hard Rock. E se no anterior a pegada era celta/irlandesa, aqui o andamento é recheado de arabescos, e mais direcionado ao Hard/Melodic Rock, como experimentamos em  "On the Wings of Life" , e  "Sons of Society", que transbordam influências de Whitesnake e Deep Purple, da MK-III. Confira a faixa "Cover Me"...  Neste sentido, a dupla de guitarristas formada pelo lendário Mark Reale e por Mike Flyntz são os protagonistas, com riffs vigorosos, passagens virtuosas, e solos incisivos. E mesmo que alguns critiquem o exagero dos mimetismos "coverdalenianos" , acredito que a performance do vocalista Mark DiMeo condiz e se enquadra com o gênero explorado, mesmo que não seja uma unanimidade no posto, sua parcela como compositor e sua honestidade vocal se encaixa nesta fase da banda como uma luva. E dentre as faixas, ainda podemos destacar  "Twist of Fate", "Cover Me"  (uma balada cheio de feeling e tempero bluesy ), e  "The Law" . Por esta elegia, você devia ouvir isto, e não dar mais desculpa para ignorar esta ótima fase da banda, e só se lembrar de álbuns como "Narita" (1979) e "Thundersteel" (1988), quando pensar no Riot.  Ano:   1999; Top 3 : "Sons of Society", "Cover Me", e "The Law". Formação:  Mike DiMeo (vocais e Hammond), Mark Reale (guitarras), Mike Flyntz (guitarras), Pete Perez (baixo), e Bobby Jarzombek (bateria). Disco Pai:     Whitesnake - Saints & Sinners  (1982)    Disco Irmão:   Riot -  "Inishmore"   (1998) Disco Filho:   The Lizards -  "The Lizards"   (2001) Curiosidades: Este álbum também ganhou uma edição remasterizada por Patrick Engel, na série de relançamentos da banda perpetrada pela Metal Blade em 2017, com cinco faixas bônus. Pra quem gosta de:   Solos, virtuose, vocalistas que soltam o gogó, cerveja (mesmo quente) e carne mal passada... …