IRON MAIDEN: A Auto-Indulgente Mesmice de “The Book Of Souls”.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); Sempre que se anuncia um novo lançamento do Iron Maiden, o frisson causado exalta paixões e irracionalidades que influenciam diretamente na avaliação do conteúdo musical apresentado no trabalho. The Book Of Souls  pode ser considerado um dos cinco mais importantes lançamentos do mundo do rock, quiçá, do mercado fonográfico em geral, neste ano de 2015. Sendo assim, passado o tsunami de empolgação pós-lançamento causado pela inflada "torcida" da banda, vamos conversar francamente sobre este importante álbum de 2015.  Speed of Light, primeiro single,   remete a  Fear Is The Key  e  Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático.  .  Um detalhe importante que acredito ter pesado nas avaliações que exaltam este como um novo clássico da banda é a infeliz doença de Bruce Dickinson. Parece incongruente, mas vamos a uma análise fria do desenrolar de acontecimentos. Já vi alardearem que este novo álbum é o melhor desde Brave New World ! Em meus ouvidos, as canções estariam mais próximas do progressivo e criticado A Matter of Life and Death , que é até melhor que este The   Book of Souls . Entretanto, o coração dos fãs mais extremistas foi amaciado pelo susto do triste diagnóstico que acometeu o vocalista. Uma notícia como esta plantou no imaginário dos fãs da banda uma maior possibilidade daquilo que vinha sendo ventilado desde o álbum anterior, The Final Frontier , de que aquele seria a última investida em estúdio da banda. Após esta possibilidade tão tangível da perda do que se ama, todo o abuso progressivo, outrora criticado em  A Matter of Life and Death,  é exaltado em  Book of Souls . Aos que não enxergam esta execração do álbum de 2006, lembro-vos de que a banda tentou de todas as formas fugir daquele padrão em  The Final Frontier , compondo peças mais diretas, algo completamente fora da proposta deste  Book of Souls , que retomou a extrapolação das texturas progressivas. Acredito que este último lançamento foi superestimado pelo alívio que os fãs sentiram a ver obliterado seu medo deste álbum não acontecer. Claro que a realidade de soar deveras progressivo não é fator depreciativo para este novo álbum do Iron Maiden, visto que Steve Harris, líder da banda, já declarara que " também há muito de progressivo " dentro das influências nitidamente advindas do classic/hard rock  na música do Maiden. Mas então o que faz de  Book of Souls um álbum ruim na minha avaliação? A verdade é que, tirando toda a empolgação que circunda o lançamento, The Book of Souls sofre de uma auto indulgência atroz e de um ufanismo de causar rubores. Quase todos os arranjos são previsíveis, as viradas já são manjadas e a sensação de "deja-vu" a cada nota de guitarra ou baixo é compulsória. Parece que desconstruíram seus maiores clássicos e fizeram colagens para chegar às "novas" músicas. Por exemplo, Shaddow Of Valley  foi Wasted Years em outra encarnação futurista, enquanto o exaltado single para Speed Of Light  remete a Fear Is The Key  e Run To The Hills  em meio a seu instrumental burocrático. Não feche os olhos para a verdade irrefutável de que todas as investidas progressivas são receitadas requentadas dos dois álbuns anteriores. Quando as canções não se assemelham a colagens de seus próprios clássicos desconstruídos, como acontece nas faixas  The River Runs Deep  ou The Book Of Souls , a banda erra ao esticar em demasia as canções que, segundo os membros da banda, fora algo natural dentro do processo de composição. Pois bem, natural, mas desnecessário. Estas duas canções exemplificam de modo brilhante a falta de ousadia nestes arranjos longos e presunçosos, além das introduções exageradas. Doravante, estas canções serão esquecidas certamente. Pra não dizer que tudo foi perdido, Empire Of The Clouds  é um oásis de ousadia musical cercado pelo deserto de mais do mesmo. Uma canção diferente de tudo o que a banda já compôs, sendo quase uma rock-opera, sem perder a identidade da Donzela de Ferro. O próprio chefão Steve Harris teria dito ao compositor da peça, Bruce Dickinson, que esta era uma obra-prima, sendo uma despedida em alto nível caso este fosse o último álbum da banda. Além desta faixa, Bruce ainda compôs a dispensável If Eternity Should Fail , igualando o feito do álbum Powerslave , quando emplacou duas composições no tracklist do álbum. Segundo Steve Harris, não houve planejamento para a longa duração das faixas e, muito menos, o formato duplo para o álbum, que, ao contrário do que se pode pensar, não é conceitual. Penso neste novo álbum como apenas uma prova cabal de que muitos fãs de heavy metal cultuam apenas a mesmice dentro do estilo. Louvam o mais do mesmo! Concordo quando dizem que o Iron Maiden não tem nada mais a provar. Todavia, como já escrevi anteriormente, precisa ao menos tangenciar a genialidade para não simplesmente entrar em campo e achar que camisa ganha jogo. Um novo álbum da banda ferve o mercado fonográfico, pois os fãs do estilo são fiéis, sendo um dos poucos nichos onde ainda se registram vendas de álbuns físicos. Em poucos meses,  The Book Of Souls  já cruzou a marca de cem mil cópias vendidas , colocou o heavy metal em evidência, fazendo do estilo comentado até mesmo em horário nobre de domingo em canal de televisão aberta. Um banda do porte do Iron Maiden em plena atividade é importante, mas não feche os ouvidos para as fracas composições. Não se feche para a constatação avassaladora de que poderia ser bem melhor! Mas os tons que anunciaram os momentos mais recentes da banda tornaram superlativas estas fracas composições, cujo resultado cansativo e repetitivo é o mesmo que fez Virtual XI  ser arrasado pelas críticas. Se não fosse pela atuação indefectível de Bruce por todo o álbum, estas constatações não seria ignoradas pelos fãs da banda. A competência dos membros do Iron Maiden é indiscutível, sendo este fator um dos que mais elevam as expectativas daqueles qu e esperam músicas empolgantes e, até certo ponto, corajosas o suficiente para fugir de seus limites auto-impostos. Decepcionante é o mínimo que posso comentar sobre este "novo" (fiquei com a impressão de já ter ouvido-o uma década atrás) álbum do Iron Maiden, uma auto-indulgente demonstração de mais do mesmo. Se pela sua cabeça está passando uma indagação natural de qual seria o álbum deste ano, no heavy metal, melhore do que The Book Of Souls , procure os álbuns do Armored Saint, Paradise Lost, Angelus Apatrida, Soldir, Dr. Living Dead e Enforcer. …

THE DOORS: Por que a Banda Não Estava no Woodstock?

Woodstock. Um marco na história da música moderna! O mais famoso festival do rock, que reuniu uma porcentagem considerável das mais importantes bandas de sua época, tinha como principal propósito inicial não a paz e o amor, como fora romantizado. O objetivo dos promotores era arrecadar dinheiro para construir um estúdio rentável. Sim meus caros, a filosofia que envolveu toda a mística de Woodstock veio quase como um acidente do destino. Mesmo assim, o que a história nos conta é a forma como este festival se tornou um símbolo máximo da segunda geração do rock , uma referência de música, postura social e filosofia de uma juventude que ansiava por uma ruptura com a geração anterior. Todavia, alguns grandes nomes desta segunda geração roqueira não estavam incluídos na lista dos shows lendários e, apesar de o enumerado conter nomes de peso como Beatles , Bob Dylan , The Byrds, Joni Mitchell e Led Zeppelin, a ausência mais sentida é da banda The Doors, pois podemos inferir que eles foram o nome do rock americano em maior evidência na segunda metade da década de 60. Entre outras palavras, qual seria a razão do quarteto formado por Morrison, Manzarek, Krieger e Densmore não estarem reunidos entre 15 e 17 de agosto de 1969, junto a uma multidão de jovens e uma constelação roqueira no maior festival de rock de todos os tempos? A versão oficial nos conta da recusa da banda em participar do Woodstock por acharem que este seria apenas mais uma imitação de qualidade duvidosa do Monterey Pop Festival. Outra possibilidade seria a insegurança de Jim Morrison em se apresentar para grandes plateias e este, ao meu ver, seria apenas uma forma mais adocicada de encarar uma verdade dolorosa: Morrison viva uma ressaca moral incurável e seu Rei Lagarto havia sido deposto do trono do rock n’ roll . Apesar de John Densmore (baterista do The Doors) aparecer no show antológico de Joe Cocker, a verdade é que a banda The Doors não subiu aos palcos de Woodstock por causa de seu maior símbolo: Jim Morrison. Trajando sua indefectível farda em jaqueta e calça de couro, Morrison encarnara o Rei Lagarto e se tornara quase um anti-herói de um romance, como um Hamlet regado a álcool e drogas pesadas, e que compunha a própria trilha sonora. Numa época de ruptura e de misticismo alguns de seus admiradores o encaravam como um xamã encarnado, já outras teorias mais insólitas inferem que ele teria forjado sua morte, ou até teria se tornado um agente da CIA. Todavia, a grande verdade é que ele foi a mola propulsora do The Doors e também seu tiro de misericórdia. Grandes mentes da humanidade se debruçaram sobre o conceito subjetivo de percepção. Para Willian Blake, “se as portas da percepção estivessem limpas, tudo pareceria ao homem como realmente é: infinito” . Estas portas da percepção de Blake são as mesmas que batizam o The Doors, inspiradas pelo livro de Aldous Huxley, que Jim Morrison estava lendo quando se encontrou com Manzarek e o embrião da banda ganhou vida. Neste livro, intitulado As Portas da Percepção , Huxley descreve suas experiências com mescalina no intuito de diminuir a filtragem da realidade feita pelo cérebro, ou seja, seriam drogas ajudando o homem a abrir suas portas da percepção. Na mente poética de Jim, que buscava uma oposição às normas e costumes, o livro de Huxley inspirou a criação de uma banda que investiria na supressão de barreiras musicais e performáticas. Nas apresentações iniciais da banda ele se mostrava ao público de costas e no decorrer da trajetória do The Doors tudo podia acontecer no palco. Em 21 de agosto de 1966, no Whisky-A-Go-Go, seriam despedidos após a famosa sequência de versos assassinos e incestuosos que finalizaria a canção The End , mas que os daria uma contrato para um primeiro álbum. A partir daí as performances de Jim começaram a se tornar mais elaboradas e a improvisação chegava ao ponto de surpreender seus colegas de banda, pois imprevisibilidade era seu nome e esta postura, aliado a seus versos que beiravam a poesia beat , consolidaram sua imagem de rockstar rebelde, arauto de uma geração e personificação da tríade sexo, drogas e rock n’ roll. Não tardou para seu rosto ir parar até mesmo em revistas adolescentes e arrancar elogios de personalidades como John Lennon. Também não demorou a seu personagem de palco extrapolar as cortinas e adentrar sua vida pessoal. Por consequência, a dependência de álcool se fez presente levando-o a um desfecho aquém de sua importância. Nesta época passava a maior parte do tempo bêbado, entrava em conflitos desnecessários com seus colegas de banda e ainda investia em suas esposas. Era possível separar Jim em dois momentos dispares: o dócil quando sóbrio e o perigoso quando alterado por drogas, um comportamento que já se fazia presente desde os primeiros momentos da banda. Entretanto, as inconsequências do xamã Morrison começaram a trazer enormes problemas para a imagem do The Doors. Em Connecticut, o vocalista teria tirado o quepe de um policial e o lançado para a plateia. Momentos antes, um policial havia atirado spray de pimenta em Morrison nos bastidores do show, interrompendo um enlace amoroso mais forte do vocalista com uma fã. Mesmo com este clima agressivo dentro da banda, na virada de 1967 para 1968 o The Doors era, quiçá, a maior banda de rock em solo americano. Sendo assim, fica a pergunta: Por qual razão um dos três símbolos de uma geração (Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison) não estava presente no maior festival de rock de todos os tempos? Apesar da existência de uma resposta oficial para esta questão, creio que ela veio adornada em pedrarias com o intuito de encobrir a verdade: em agosto de 1969, o The Doors era uma banda quase esfacelada. As gravações do álbum The Soft Parade , lançado em julho de 1969, foram muito desgastantes, com Morrison abusando do álcool, se mostrando cada vez mais imprevisível e a gravação estendendo seu tempo previsto, elevando consideravelmente os custos. Além do mais, as canções do novo álbum estavam distantes da sonoridade original, adicionando elementos de pop e instrumentação diferente do usual. Esse não seria o problema maior, pois as rádios e a opinião pública já havia se voltado em um movimento contra a banda, em decorrência do julgamento de Jim Morrison, acusado de ato obsceno e utilizar linguagem obscena. Em meados de 1969, os shows foram cancelados e os promotores não queriam mais contratá-los. Verdade seja dita, o que ocorreu no primeiro dia de maio de 1969, em Miami, não condiz com as acusações sofridas pelo vocalista, que adentrou o palco bêbado e após a primeira canção começou a provocar a plateia, mas em nenhum momento houve ato obsceno, quando muito uma dança ousada quando Jim fora atirado à plateia por um policial. Porém, fora acusado de exibir sua genitália para o público, julgado e condenado, se livrando da prisão após revogação. A minha leitura dos eventos mostra um Jim sem controle de si, fisicamente longe do Rei Lagarto dos dias passados, escorraçado publicamente, injustamente e interpelado pelos companheiros de banda sobre seu alcoolismo. Era evidente que naquele momento ele não tinha condições de encarar um festival como o de Woodstock, mesmo se este fosse uma mera cópia do Monterey Pop Festival. Ou seja, Morrison foi a vida, a morte e a ressurreição do The Doors, afinal, os dois próximos álbuns seriam guiados por ele e recolocaria a banda em seu lugar. E mesmo ele insistindo na valorização de seus companheiros de banda de modo igual (obrigou, certa vez, um programa de TV a anuncia-los novamente como The Doors, ao invés de Jim Morrison and The Doors como fora feito), sua imagem se tornou maior que a banda, foi romanceada no cinema por Oliver Stone , e sua morte em Paris o transformou em um mártir da música. Mas também por causa dos excessos de Jim Morrison a maior banda norte-americana dos anos 1960 não estava no histórico festival de Woodstock. THE DOORS, "The End": As performances de Morrison eram quase ritualísticas. …